domingo, 7 de novembro de 2010

Nova composição da Associação de Pais

Realizadas, no inicio do presente ano lectivo, eleições para os novos órgãos da APEESF, é a seguinte a sua composição:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

terça-feira, 3 de março de 2009

Atendedor de mensagens de uma escola ... americana

Atendedor de mensagens de uma escola ... americana

Esta é a mensagem que o pessoal docente da Escola Secundária de Pacific Palisades (Califórnia) aprovou unanimemente que deveria ser gravada no atendedor de chamadas da escola.

Foi o resultado de a escola ter implementado medidas que exigiam aos alunos e aos pais que fossem responsáveis pelas faltas dos estudantes e pelas faltas de trabalho de casa.

A escola e os professores estão a ser processados por pais que querem que as notas que levam ao chumbo dos seus filhos sejam alteradas para notas que os passem - ainda que esses miúdos tenham faltado 15 a 30 vezes num semestre e não tenho realizado trabalhos escolares suficientes para poderem ter positiva.


AQUI VAI A MENSAGEM GRAVADA:

Olá! Foi direccionado para o atendedor automático da escola. De forma a podermos ajudá-lo a falar com a pessoa certa, por favor ouça todas as opções antes de fazer a sua selecção:

- Para mentir sobre a justificação das faltas do seu filho, pressione a tecla 1

- Para inventar uma desculpa sobre porque é que o seu filho não fez o seu trabalho, tecla 2

- Para se queixar sobre o que nós fazemos, tecla 3

- Para insultar os professores, tecla 4

- Para saber por que razão não recebeu determinada informação que já estava referida no boletim informativo ou em diversos documentos que lhe enviámos,tecla 5

- Se quiser que lhe criemos a sua criança, tecla 6

- Se quiser agarrar, tocar, esbofetear ou agredir alguém, tecla 7

- Para pedir um professor novo, pela terceira vez este ano, tecla 8

- Para se queixar dos transportes escolares, tecla 9

- Para se queixar dos almoços fornecidos pela escola, tecla 0

- Se já compreendeu que este é o mundo real e que a sua criança deve ser responsabilizada e responsável pelo seu comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelos seus tpcs, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho

Público - 19 Jan 09


Entrevista a Alice Vieira
"Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho"
Bárbara Wong


É por causa dos seus livros que Alice Vieira é convidada para ir às escolas. Há 30 anos, falava de "Rosa, minha irmã Rosa" aos alunos dos 3.º e 4.º anos, hoje fala sobre o mesmo livro aos estudantes dos 7.º e 8.º. "Alguma coisa está mal"


A escritora Alice Vieira começa por dizer que de educação percebe pouco. "Nunca fui professora na minha vida!", justifica. Mas há três décadas que anda pelas escolas e observa o que se passa no mundo da educação. O retrato que faz, reconhece ser "assustador": professores com fraca formação, alunos que não compreendem o que aprendem. Defende mais disciplina e mais autoridade para a escola. Quanto à luta dos docentes confessa, bem disposta: "Saúde e Educação seriam os ministérios que nunca aceitaria!". Teme que se a contestação continuar o ano lectivo possa estar perdido.


Esta é a segunda greve de professores, este ano lectivo. Em que é que estas acções influenciam a qualidade da escola pública?
Os professores têm um calão muito próprio e gostava que um professor e a senhora ministra da Educação se sentassem e me explicassem o que é que é a avaliação? O que é que os professores têm que fazer? Para eu perceber! Os professores dizem que têm muitas fichas para preencher. Que tipo de fichas? O que é que a ministra quer fazer com aquilo?


Sente que a opinião pública tem as mesmas dificuldades em compreender o que se passa?
A maior parte não compreende e os professores queixam-se disso mesmo. Eu não quero acreditar que o que se passa é como aquela anedota, em que "todos vão com o passo errado e só o meu filho é que vai no passo certo". O descontentamento é geral e quando 140 mil professores vêm para a rua, é óbvio que devem ter razão, mas não têm toda. A ideia que tenho, desde o princípio é de que a ministra tem razão em querer que os professores sejam avaliados, mas ela não sabe transmitir o que quer.


Isso reflecte-se no modo como as negociações têm sido conduzidas?
Sim, é visível nos vai-e-vem. Agora avalia-se assim e depois já é de outra maneira... As pessoas não sabem muito bem o que é ou não é. A ideia que passa é que os professores não querem trabalhar, que não querem ser avaliados e é fácil veicular essa ideia porque os professores são um grupo complicado.


Porquê?
Porque chegam a uma certa altura da carreira, têm os seus direitos adquiridos e é mais difícil aceitar outras coisas. Chega-se a uma altura em que as pessoas estão cansadas.


Sente isso nas escolas aonde vai?
A primeira coisa que ouço dizer é: "Estou cansada", "vou-me reformar", "estou farta disto", "não me pagam para isto"... É só o que eu ouço.


Mas sempre ouviu esses lamentos ou agudizaram-se nos últimos anos?
Há 30 anos que vou às escolas e ouço-o agora. As leis são iguais para todos, mas há escolas onde dá gosto ver o trabalho que os professores fazem, que estão motivados e a ministra é a mesma! Não é a totalidade das escolas, mas sobretudo nas mais afastadas, nas do interior, encontro gente motivada e a fazer bons trabalhos. Essas escolas nem vêm no ranking das melhores. Também vou a privadas, ligadas à Igreja Católica, às vezes converso com professoras minhas amigas e conto-lhes: "Os alunos entram em fila, ou levantam-se quando eu entro, não fazem barulho...". E respondem-me: "Está bem, mas isso é nessas escolas". E eu pergunto: "Mas se está bem para essas escolas, porque é que não está para as outras?!"


A escola pública está a perder qualidade?
Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Eu não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida! E não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. Podem dizer mal entre eles, mas não diante dos alunos, que depois reproduzem e a balda vai ser completa. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem que os professores não são seguros.


E por isso há atitudes de indisciplina e de violência?
Por exemplo, as manifestações dos miúdos também me perturbam um bocadinho, porque eles não sabem o que andam ali a fazer. Os miúdos devem aprender a falar bem, para saber reclamar, reivindicar, é uma questão de educação.


Mas nesse caso a culpa não é da escola, pois não?
Também é. Os professores queixam-se muito que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples "obrigada, se faz favor, desculpe". Quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que eles pensam? Os alunos manifestam-se para exigir melhor ensino? Não. Não os vejo preocupados porque os professores os ensinam mal.


Com alunos e professores na rua, o ano lectivo está perdido?
Não me parece que esteja perdido, se houver bom senso. Não se pode estar a brincar. As pessoas não entendem muito bem que o maior investimento que podem fazer é na educação. Se não tivermos gente educada, a saber, capaz, o que é que vai ser de nós? Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.


Volto a perguntar, a educação está a perder qualidade?
Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro "Rosa, minha irmã Rosa" e ía falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.


Não concorda com o acesso dos mais novos às novas tecnologias?
Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita.


E os mais velhos?
Os mais velhos, não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: "Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar..." O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.


Essa sensação é generalizada?
No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! "O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se". Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!


É preciso mudar a mensagem?
Quando vou às escolas esforço-me imenso por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho. E eles olham para mim como se fosse uma coisa terrível. Há muitas maneiras de se abordar as coisas, mas se os próprios professores passam a mensagem de não querer ter trabalho... Quando vou ao estrangeiro, vejo os professores e penso "se fosse em Portugal, não era assim". Eles fazem o que for preciso fazer. Cá dizem que não é da sua competência... Isso é complicado.


Disse que as escolas do interior são diferentes das de Lisboa. Essas diferenças não se devem aos públicos que cada escola acolhe?
Sim, os miúdos de Lisboa têm mais solicitações, ao passo que para os de Trás-os-Montes, a ida de um escritor à escola é uma festa! Em Lisboa já não há lisboetas, há miúdos de todas as terras, de todos os países... E porque é que os miúdos da Europa de Leste se destacam nas escolas? Porque vêm de culturas de trabalho e, desde cedo, ouvem dizer que têm quee trabalhar. Com a democracia, as portas abriram-se, a escola deixou de ser de elite e estão todos na escola. Ainda bem! Mas os professores não estavam preparados para isso e admito que é difícil.


Falta-lhes formação?
Eu gostava de saber onde é que os professores são formados! Mas tendo alunos tão diferentes é necessário fazer formação. Porque, coitados dos professores, são deitados às feras! Como se chega aos alunos? Muitas vezes, olho para eles e vejo que não estão a ouvir nada. E eu apanho o melhor da escola, a parte boa, não tenho um programa para dar. Agora, quem está todos os dias na escola, compreendo que seja um stress terrível. A educação é daquelas matérias em que, se calhar, são precisas medidas impopulares, mas necessárias. Na educação nunca se fez um salto, que é necessário, nunca houve um ministro de quem se diga "fez".


É precisa mais disciplina?
É preciso mais autoridade, o professor não pode fazer nada, não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O gosto pelo que se faz. E o professor tem que sentir esse gosto e passar aos miúdos. A profissão é de risco, de missionário e não de funcionário público na acepção perjurativa da palavra. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos...


Como é exigido na avaliação?
Voltamos à avaliação! Ela é necessária, todos nós devemos ser avaliados, mas não pelo parceiro do lado ou pelo filho do patrão! Não faço ideia de como é que se avalia, mas na educação existe gente competente, que estudou, e devia ser chamada para dizer como avaliar. Não concordo que sejam avaliados entre eles. Não se pode ser irredutível, quer dum lado [professores] quer do outro [ministério]. As manifestações, no momento a que se chegou, não levam a nada, já vimos que agita, mas não levam a nada.


Parece-lhe que o conflito entre ministério e professores não tem fim à vista?
Os professores estão cansados, o que também é mau, porque aceitar uma situação só porque já se está cansado não é bom. Tem de haver uma solução, senão o ano lectivo perde-se e o culpado não será só um.

O que Sócrates pode aprender com Obama em matéria de Educação

Publico 22 de Dez 08

O que Sócrates pode aprender com Obama em matéria de Educação
José Manuel Fernandes


A escolha de Obama para secretário da Educação recaiu num homem experiente, que gosta de trabalhar com as escolas, de testar soluções (incluindo as charter schools) e que não dita ordens do alto de uma torre de marfim.


Quase todas as escolhas de Barack Obama para a nova Administração têm suscitado alguma controvérsia, e a escolha, a semana passada, de Arne Duncan para secretário da Educação foi, de uma forma geral, elogiada por todos os sectores - ou melhor, por todos menos os ligados a certas áreas da esquerda.


Entre os que mais apreciaram a escolha conta-se Steven D. Levitt, autor do best-seller Freakanomics, que escreveu no seu blogue no New York Times não existir ninguém melhor do que ele para o lugar. Porquê? Porque, além de ser um homem determinado e inteligente, Arne Duncan é um pragmático que não receia testar soluções diferentes para descobrir as que funcionam melhor. Ou até correr riscos desde que haja uma pequena possibilidade de, no fim, ter escolas mais eficientes e alunos mais bem preparados.


Durante os últimos sete anos superintendeu as escolas públicas de Chicago, o terceiro maior distrito escolar do país, e nesse período de tempo conseguiu resultados assinaláveis: basta notar que nas escolas básicas as médias subiram de 38 para 67 por cento nos testes nacionais, tendo Duncan corrido pelo meio o risco de permitir a Levitt que realizasse um estudo sobre fraudes nesse sistema de teste que acabou por levar ao despedimento de vários professores.


Mas não foi só por ter estudado na mesma escola de Obama, gostar como ele de basquetebol e ser de Chicago que o Presidente recém-eleito o escolheu. Foi por algumas das coisas que fez e que o Presidente recém-eleito fez questão de recordar. Por exemplo: durante o seu mandato o número de professores de Chicago que passaram por um teste nacional de certificação subiu de 11 para 1200; os melhores directores escolares, assim como os professores que conseguem fazer progredir os seus alunos passaram a receber prémios monetários; fechou escolas comprovadamente ingovernáveis e substituiu todo o pessoal ao abrir escolas novas; e foi desde sempre um campeão das chamadas charter schools "mesmo quando ainda eram controversas", como sublinhou Obama.


Por isso, desde o liberal Washington Post ao mais conservador Wall Street Journal, a reacção da imprensa foi positiva. Este último jornal deu mesmo mais do que o benefício da dúvida a Duncan, pois considerou que tanto ele "como o [futuro] Presidente têm trabalhado para garantir que as charter schools fazem parte do conjunto de soluções necessárias para melhorar o sistema de educação [dos EUA]".


É neste ponto que José Sócrates pode inspirar-se em Obama e distanciar-se dos que criticaram esta nomeação por ser contra a escola pública (ver, por exemplo, o artigo Obama's betrayal of public education? Arne Duncan and the corporate model of schooling, de Henry A. Giroux and Kenneth Saltman, no blogue t r u t h o u t). E pode fazê-lo em dois pontos centrais, ambos contraditórios com a política do actual Ministério da Educação.


O primeiro é que existe mais do que uma solução possível para melhorar o sistema educativo e que a melhor solução não tem de ser imposta pela burocracia do ministério a todas as escolas, pois nem todas as escolas são iguais. Ora isto implica experimentar soluções diferentes e, entre elas, testar o modelo das charter schools que tanto sucesso têm tido nos Estados Unidos e no Canadá.


E o que são as charter schools? Na Annuália (edições Verbo) do ano passado, Fernando Adão da Fonseca, do Fórum para a Liberdade de Educação, descrevia-as assim: são "escolas públicas cuja gestão é atribuída a entidades privadas, com e sem fins lucrativos, por contrato". O contrato tem objectivos, a autonomia de cada escola relativamente às autoridades é total, o acesso é livre para todos os alunos seja qual for o rendimento da sua família, a exigência é grande e por regra são menos pressionáveis pelos infinitos grupos de interesse que gravitam em torno das escolas públicas tradicionais. Daí que os que nela estudam consigam por regra melhores resultados, como provam os levantamentos realizados em Chicago onde se mostra que estes, em média, ficam 80 por cento acima das escolas públicas tradicionais nos mesmos bairros.


"Ao trocarem entre si a experiência de inovações que funcionam, as charter schools podem ajudar outras escolas e mais estudantes através de todo o sistema público de educação", notava um dos apoiantes desta escolha, Tim King, ele mesmo um impulsionador da experiência em áreas urbanas.


Já quanto ao que Obama disse ao justificar a sua escolha, não poderia ser mais diferente do que temos ouvido aos responsáveis portugueses. Note-se, por exemplo, nesta passagem: "Quando Arne se dirigir aos professores, não o fará falando do alto de uma torre de marfim, antes tendo por base as lições que aprendeu durante os anos em que trabalhou procurando mudar as escolas a partir da base, [não do topo]."