
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Atordoados em frente a um ecrã de televisão
Público - 26 Abr 08
Atordoados em frente a um ecrã de televisão
José Manuel Fernandes
Falou-se da culpa dos políticos e da culpa da escola no afastamento dos jovens da vida política e da vida cívica. Mas também é importante falar do papel da comunicação social
Os jovens sabem pouco sobre o 25 de Abril. Sabem pouco sobre a actualidade política. Como sabem pouco sobre história portuguesa, contemporânea ou antiga. Como infelizmente sabem pouco sobre muitos outros temas.
Mas não só os jovens. Se o nível de ignorância sobre as respostas correctas às três perguntas colocadas no inquérito encomendado pela Presidência da República foi maior nas faixas etárias mais baixas, não deixou de ser anormalmente elevada considerando o conjunto da população. Um terço dos inquiridos não souberam responder à questão mais simples, isto é, não sabiam que o PS governa com o apoio de uma maioria absoluta de deputados. Apesar de a percentagem de ignorância descer entre os que têm mais de 30 anos, mesmo assim situou-se sempre acima dos 30 por cento.
Ora isto não se ensina nas escolas. Aprende-se, ou sabe-se com naturalidade, ao se estar interessado na vida cívica, e também na vida política. Portugal apresenta dos menores índices de interesse pela política de toda a Europa, e aí o conjunto da população não fica mais bem representado do que os jovens, pelo contrário. Outros estudos recentes, de 2002 e 2004, citados no estudo, indicam que o interesse pela política só é menor em Espanha e em algumas das jovens democracias do Leste europeu. Pior ainda: quando consideramos a importância que a política tem na vida dos cidadãos, a par com outros interesses como a família, os amigos, os tempos livres, a religião, o trabalho ou o voluntariado, a política surge em último lugar e Portugal fica também em último lugar entre os 29 países ou regiões considerados no Eurobarómetro. De resto, Portugal só fica claramente na parte de cima da tabela quando se considera a importância dada ao trabalho (sétimo lugar) e à religião (oitavo lugar). Num outro indicador de participação cívica, o voluntariado, a posição do nosso país volta a não ser feliz: atrás de nós só estão seis países ou regiões.
Não surpreende assim que os níveis de participação política, desde os mais convencionais aos menos convencionais, seja baixo em termos absolutos e menor do que na maioria dos países para os quais existem dados comparáveis, acontecendo, porém, que aqui não se notam grandes diferenças entre os portugueses mais novos e os mais velhos. Se é certo que estes votam com mais regularidade, os mais novos assinam mais petições ou boicotam mais vezes produtos por motivações políticas ou ambientais.
O nível de participação em associações (pouca militância política e um dos mais baixos índices de participação sindical) é muito baixo, com excepção das associações de carácter religioso.
Todos estes elementos traduzem um quadro de apatia cívica acima do desejável, ou mesmo do tolerável, assim como um desinteresse muito grande pela política e uma baixíssima vontade de intervir na vida partidária. E se parte deste desinteresse pode explicar--se por níveis baixos de satisfação com o funcionamento do nosso regime democrático, níveis que estão muito relacionados com o desempenho da economia (o pico da satisfação foi registado na viragem dos anos 80 para os anos 90, após a entrada na Comunidade Europeia e quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e Mário Soares Presidente da República), a verdade é que todos estes diferentes factores são insuficientes para explicar o grau de desinformação detectado no estudo.
O Presidente atribui aos políticos - e ele também é um político - grandes responsabilidades pelo facto de a política não ser capaz de mobilizar o interesse dos jovens. Apontou mesmo o dedo a "um certo autismo de alguma classe política", aconselhando-a "a conhecer melhor a realidade do país", e todos sabem como é grande a distância entre eleitores e eleitos.
Mas se Cavaco Silva falava na casa da democracia e se se dirigia em primeiro lugar aos representantes do povo, os deputados, é importante levar a sua reflexão mais longe noutro domínio: o que é que os que, não sendo políticos, mas sendo cidadãos interessados, e aqueles que têm por missão mediar a informação, os jornalistas, têm feito?
Na verdade, se não podemos acusar apenas a escola, como alguns fizeram nas primeiras reacções ao discurso presidencial, é bom tentar encontrar no estudo outros elementos que permitam detectar outros "culpados", chamemos--lhes assim. Ora, ao lermos o capítulo sobre a forma como os cidadãos acedem à informação política, verificamos que o fazem sobretudo através da televisão. Mais: o domínio da televisão sobre todos os outros meios de informação coloca pela primeira e única vez Portugal num primeiro lugar: lideramos a tabela da dependência dos cidadãos da televisão para se informarem sobre política. Sem surpresa, o estudo confirma o pouco peso dos jornais (menor ainda entre os mais novos) e da Internet (aqui com mais jovens atentos).
Falou-se da culpa dos políticos e da culpa da escola no afastamento dos jovens da vida política e da vida cívica. Mas também é importante falar do papel da comunicação social
Os jovens sabem pouco sobre o 25 de Abril. Sabem pouco sobre a actualidade política. Como sabem pouco sobre história portuguesa, contemporânea ou antiga. Como infelizmente sabem pouco sobre muitos outros temas.
Mas não só os jovens. Se o nível de ignorância sobre as respostas correctas às três perguntas colocadas no inquérito encomendado pela Presidência da República foi maior nas faixas etárias mais baixas, não deixou de ser anormalmente elevada considerando o conjunto da população. Um terço dos inquiridos não souberam responder à questão mais simples, isto é, não sabiam que o PS governa com o apoio de uma maioria absoluta de deputados. Apesar de a percentagem de ignorância descer entre os que têm mais de 30 anos, mesmo assim situou-se sempre acima dos 30 por cento.
Ora isto não se ensina nas escolas. Aprende-se, ou sabe-se com naturalidade, ao se estar interessado na vida cívica, e também na vida política. Portugal apresenta dos menores índices de interesse pela política de toda a Europa, e aí o conjunto da população não fica mais bem representado do que os jovens, pelo contrário. Outros estudos recentes, de 2002 e 2004, citados no estudo, indicam que o interesse pela política só é menor em Espanha e em algumas das jovens democracias do Leste europeu. Pior ainda: quando consideramos a importância que a política tem na vida dos cidadãos, a par com outros interesses como a família, os amigos, os tempos livres, a religião, o trabalho ou o voluntariado, a política surge em último lugar e Portugal fica também em último lugar entre os 29 países ou regiões considerados no Eurobarómetro. De resto, Portugal só fica claramente na parte de cima da tabela quando se considera a importância dada ao trabalho (sétimo lugar) e à religião (oitavo lugar). Num outro indicador de participação cívica, o voluntariado, a posição do nosso país volta a não ser feliz: atrás de nós só estão seis países ou regiões.
Não surpreende assim que os níveis de participação política, desde os mais convencionais aos menos convencionais, seja baixo em termos absolutos e menor do que na maioria dos países para os quais existem dados comparáveis, acontecendo, porém, que aqui não se notam grandes diferenças entre os portugueses mais novos e os mais velhos. Se é certo que estes votam com mais regularidade, os mais novos assinam mais petições ou boicotam mais vezes produtos por motivações políticas ou ambientais.
O nível de participação em associações (pouca militância política e um dos mais baixos índices de participação sindical) é muito baixo, com excepção das associações de carácter religioso.
Todos estes elementos traduzem um quadro de apatia cívica acima do desejável, ou mesmo do tolerável, assim como um desinteresse muito grande pela política e uma baixíssima vontade de intervir na vida partidária. E se parte deste desinteresse pode explicar--se por níveis baixos de satisfação com o funcionamento do nosso regime democrático, níveis que estão muito relacionados com o desempenho da economia (o pico da satisfação foi registado na viragem dos anos 80 para os anos 90, após a entrada na Comunidade Europeia e quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e Mário Soares Presidente da República), a verdade é que todos estes diferentes factores são insuficientes para explicar o grau de desinformação detectado no estudo.
O Presidente atribui aos políticos - e ele também é um político - grandes responsabilidades pelo facto de a política não ser capaz de mobilizar o interesse dos jovens. Apontou mesmo o dedo a "um certo autismo de alguma classe política", aconselhando-a "a conhecer melhor a realidade do país", e todos sabem como é grande a distância entre eleitores e eleitos.
Mas se Cavaco Silva falava na casa da democracia e se se dirigia em primeiro lugar aos representantes do povo, os deputados, é importante levar a sua reflexão mais longe noutro domínio: o que é que os que, não sendo políticos, mas sendo cidadãos interessados, e aqueles que têm por missão mediar a informação, os jornalistas, têm feito?
Na verdade, se não podemos acusar apenas a escola, como alguns fizeram nas primeiras reacções ao discurso presidencial, é bom tentar encontrar no estudo outros elementos que permitam detectar outros "culpados", chamemos--lhes assim. Ora, ao lermos o capítulo sobre a forma como os cidadãos acedem à informação política, verificamos que o fazem sobretudo através da televisão. Mais: o domínio da televisão sobre todos os outros meios de informação coloca pela primeira e única vez Portugal num primeiro lugar: lideramos a tabela da dependência dos cidadãos da televisão para se informarem sobre política. Sem surpresa, o estudo confirma o pouco peso dos jornais (menor ainda entre os mais novos) e da Internet (aqui com mais jovens atentos).
Os autores do estudo encontram uma correlação positiva entre o grau de ignorância sobre temas políticos e o consumo dos diferentes meios de informação. Mas como o tema é apenas aflorado, e os elementos disponíveis são escassos, pouco mais poderemos concluir que o consumo excessivo de televisão não favorece a participação cívica e política, nem acrescenta o necessário à cultura política dos cidadãos. É triste, mas é assim, e aqui a culpa não é só dos políticos ou do "sistema".
Crimes sexuais através da Net estão a aumentar
Diário de Notícias - 23 Abr 08
Crimes sexuais através da Net estão a aumentar
Filipa Ambrósio de Sousa
'Chats' e 'messenger' são veículos perigosos
Os crimes sexuais de aliciamento e pornografia - através da Internet estão a crescer em Portugal. A Polícia Judiciária (PJ) investigou, no ano passado, 67 casos de pornografia infantil via Net.
Dos 561 inquéritos por crimes sexuais que foram abertos em 2007, que correspondem a mais 23 casos do que em 2006 e mais 27 do que em 2005, 12% são relativos a crimes por via cibernética.
O alerta é dado pelo Relatório do Grupo de Prevenção do Abuso e do Comércio Sexual de Crianças institucionalizadas, coordenado pela directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, a pedido do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, em Novembro de 2007, no rescaldo da suspensão preventiva de um educador de juventude do Lar Cruz Filipe, da Casa Pia, devido a indícios de "violação grave" do dever de protecção das crianças e que levou a abertura de inquérito.
O documento é assertivo e claro: "A exploração de crianças através da Internet é um dos maiores flagelos do nosso tempo." Mesmo na forma como relata os casos de nove jovens do sexo feminino, na maioria menores de idade, desaparecidas da casa dos pais - e cujos desaparecimentos estão associados a contactos via Internet com estranhos. Os casos relatados no documento, já foram, entretanto, resolvidos pelos inspectores da Polícia Judiciária.
Recomendações do relatório
Maria José Morgado alerta no relatório para "uma tendência crescente para os casos de aliciamento sexual de crianças e jovens", num universo até aos 18 anos, através de chats ou messenger. E avisa: "Esta é uma das indústrias criminosas mais rentáveis, correspondendo a um dos maiores desafios de sempre."
A equipa nomeada por Pinto Monteiro para analisar a problemática da pedofilia reconhece que o combate dos crimes sexuais na Net "é um dos maiores desafios de sempre, às polícias, magistrados e tribunais". E admite que uma das maiores dificuldades na investigação destes casos é a recolha de prova: "O maior desfasamento do sistema penal."
Neste sentido, e para actuar também de forma preventiva, a equipa dividiu o trabalho em duas dimensões: a da agressão sexual chamada de "tradicional", que está em causa uma proximidade familiar ou semelhante, e a da agressão sexual objecto do negócio sexual, na vertente de indústria criminosa. Sendo que, esta última, tem de ter "atenção redobrada".
Crimes sexuais triplicaram
Segundo os mesmos dados, os crimes sexuais contra menores triplicaram em Portugal entre 2002 e 2007. Por ano, foram contabilizados perto de 1400 casos, sendo que apenas 3,62% ocorreram com crianças ao cuidado de instituições. "O número total de crimes envolvendo crianças menores de cinco anos tem vindo sempre a aumentar desde 2003 até 2007, num total de 628", dados esses baseados num estudo da Unidade de Informação da Polícia Judiciária (PJ).
Na altura em que o procurador- -geral da República designou a equipa, alegou que "é conhecida a vulnerabilidade a vários níveis de crianças e jovens em regime de institucionalização e os perigos que ameaçam o seu livre e são desenvolvimento".
Grande maioria arquivada
Dos 1109 casos de abusos sexuais investigados desde 2001, mais de 80 por cento, o que equivale a 906, foram arquivados. A 203 agressores foi deduzida acusação, ainda segundo os dados revelados pelo Relatório do Grupo de Prevenção do Abuso e do Comércio Sexual de Crianças institucionalizadas. Outro dado revelado é que a idade das crianças vítimas de abusos têm vindo a descer ao longo dos anos.
'Chats' e 'messenger' são veículos perigosos
Os crimes sexuais de aliciamento e pornografia - através da Internet estão a crescer em Portugal. A Polícia Judiciária (PJ) investigou, no ano passado, 67 casos de pornografia infantil via Net.
Dos 561 inquéritos por crimes sexuais que foram abertos em 2007, que correspondem a mais 23 casos do que em 2006 e mais 27 do que em 2005, 12% são relativos a crimes por via cibernética.
O alerta é dado pelo Relatório do Grupo de Prevenção do Abuso e do Comércio Sexual de Crianças institucionalizadas, coordenado pela directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, a pedido do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, em Novembro de 2007, no rescaldo da suspensão preventiva de um educador de juventude do Lar Cruz Filipe, da Casa Pia, devido a indícios de "violação grave" do dever de protecção das crianças e que levou a abertura de inquérito.
O documento é assertivo e claro: "A exploração de crianças através da Internet é um dos maiores flagelos do nosso tempo." Mesmo na forma como relata os casos de nove jovens do sexo feminino, na maioria menores de idade, desaparecidas da casa dos pais - e cujos desaparecimentos estão associados a contactos via Internet com estranhos. Os casos relatados no documento, já foram, entretanto, resolvidos pelos inspectores da Polícia Judiciária.
Recomendações do relatório
Maria José Morgado alerta no relatório para "uma tendência crescente para os casos de aliciamento sexual de crianças e jovens", num universo até aos 18 anos, através de chats ou messenger. E avisa: "Esta é uma das indústrias criminosas mais rentáveis, correspondendo a um dos maiores desafios de sempre."
A equipa nomeada por Pinto Monteiro para analisar a problemática da pedofilia reconhece que o combate dos crimes sexuais na Net "é um dos maiores desafios de sempre, às polícias, magistrados e tribunais". E admite que uma das maiores dificuldades na investigação destes casos é a recolha de prova: "O maior desfasamento do sistema penal."
Neste sentido, e para actuar também de forma preventiva, a equipa dividiu o trabalho em duas dimensões: a da agressão sexual chamada de "tradicional", que está em causa uma proximidade familiar ou semelhante, e a da agressão sexual objecto do negócio sexual, na vertente de indústria criminosa. Sendo que, esta última, tem de ter "atenção redobrada".
Crimes sexuais triplicaram
Segundo os mesmos dados, os crimes sexuais contra menores triplicaram em Portugal entre 2002 e 2007. Por ano, foram contabilizados perto de 1400 casos, sendo que apenas 3,62% ocorreram com crianças ao cuidado de instituições. "O número total de crimes envolvendo crianças menores de cinco anos tem vindo sempre a aumentar desde 2003 até 2007, num total de 628", dados esses baseados num estudo da Unidade de Informação da Polícia Judiciária (PJ).
Na altura em que o procurador- -geral da República designou a equipa, alegou que "é conhecida a vulnerabilidade a vários níveis de crianças e jovens em regime de institucionalização e os perigos que ameaçam o seu livre e são desenvolvimento".
Grande maioria arquivada
Dos 1109 casos de abusos sexuais investigados desde 2001, mais de 80 por cento, o que equivale a 906, foram arquivados. A 203 agressores foi deduzida acusação, ainda segundo os dados revelados pelo Relatório do Grupo de Prevenção do Abuso e do Comércio Sexual de Crianças institucionalizadas. Outro dado revelado é que a idade das crianças vítimas de abusos têm vindo a descer ao longo dos anos.
Recolha de imagens nos balneários é prática corrente nas escolas
Público - 18 Abr 08
Recolha de imagens nos balneários é prática corrente nas escolas
Sandra Silva Costa
Aconteceu numa escola de Ovar e noutras da Feira. Para os professores, esta já é uma situação "quase normal". O assunto chega hoje à PGR
Fala-se do caso à socapa, mas toda a gente parece estar a par. Mesmo assim, são poucos os que dão a cara para o confirmar. Há uma mãe que dá a cara ao PÚBLICO mas não dá o nome. Aceitamos: a filha tem dez anos e foi fotografada, nua, nos balneários da Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos de Maceda, no concelho de Ovar.
Foi "uns dias antes do Natal" - no primeiro período deste ano lectivo. A filha, aluna do 5.º ano, tinha acabado de tomar banho depois de uma aula de Educação Física. "Uma colega tirou-lhe fotografias e as imagens passaram entre os telemóveis das outras alunas", recorda a mãe. Tudo indica que "uma funcionária" se apercebeu a tempo: o telemóvel da estudante que fotografou foi confiscado. E ela castigada: "Foi três dias para casa", acrescenta. A filha é que "nunca mais tomou banho na escola". "Eu não deixo", explica a mãe.
Há quem relate outros casos. Numa reunião da assembleia de escola da EB 2/3 de Maceda realizada na semana passada, a associação de pais levantou o problema. "Em finais de Janeiro, inícios de Fevereiro, foi reportado um caso também de fotografias nos balneários, com alunos nus, que terão sido publicadas depois num blogue", adianta ao PÚBLICO um elemento da associação de pais.
O conselho executivo terá confirmado o caso. Informou que o incidente foi reportado e as fotografias retiradas da Internet "um dia depois". O aluno que terá feito as fotos foi transferido de turma.
Elísio Almeida, assessor do conselho executivo, confirmou ao PÚBLICO o caso que ocorreu em Dezembro. "Aconteceu de facto, houve uma sanção ao aluno implicado e o assunto foi tratado." Diz desconhecer todos os outros. Mara Tomás, vice-presidente do órgão de gestão, adianta que ainda não recebeu a acta da reunião da assembleia de escola e por isso prefere não se pronunciar.
Comentam-se mais coisas na escola de Maceda. Que uma outra aluna, de onze anos, foi filmada nua, as ima-gens caíram no YouTube e ela "caiu" nas mãos de um psicólogo; que, afinal, nenhuma destas histórias aconteceu lá, em Maceda, mas noutra escola vizinha, e que os miúdos acharam graça a alimentar o boato; que tudo isto aconteceu de facto e terá resultado de um acordo entre rapazes e raparigas. Qualquer coisa como isto: eles pediram-lhes para filmarem esta ou aquela aluna e pagaram na mesma moeda, com imagens "sacadas" no balneário masculino.
O PÚBLICO contactou a Direcção Regional de Educação do Centro, a que a escola de Maceda está adstrita, mas não obteve qualquer resposta. Procurou também saber se o Ministério da Educação conhece estes casos, mas igualmente sem sucesso.
Estas histórias não são, contudo, exclusivas da escola de Maceda. Através de vários relatos, o PÚBLICO identificou situações semelhantes noutros estabelecimentos de ensino. Num deles, na zona de Santa Maria da Feira, um rapaz terá entrado no balneário feminino e usado o telemóvel para filmar as alunas; noutro, na mesma região, outro terá sido suspenso durante cinco dias também por ter fotografado colegas nas instalações desportivas.
Quem trabalha nas escolas já não se admira com estas práticas. "Isto para nós já é quase normal, embora admita que para a opinião pública seja surpreendente", comenta João Paulo Silva, que dá aulas de Matemática e pertence à direcção do Sindicato dos Professores do Norte. Tito de Morais, responsável pelo site Miúdos Seguros na Net (www.miudossegurosna.net), vai mais longe: "Já ouço isto há muito tempo, e fico com a sensação de que andamos todos distraídos quando nos chega aos ouvidos um caso destes e ainda ficamos admirados."
Tito de Morais recorda, aliás, o caso que lhe foi relatado por uma aluna numa das muitas sessões sobre segurança na Internet que vai fazer às escolas. "Contou-me que, quando as meninas estão a mudar de roupa nos balneários, há quem tire fotografias e depois ameace pô-las no Hi5 [uma rede social na Internet]".
A Confederação Nacional das Associações de Pais está "atenta" ao problema - e este é um dos temas que vão hoje abordar na audiência que vai ter com o procurador-geral da República, Pinto Monteiro. "Queremos saber se existe algum mecanismo que permita aos pais prevenirem-se de situações como esta e ainda se é possível, e de que forma, punir quem as facilite", adianta o seu presidente, Albino Almeida.
Avaliação aos programas do primeiro ao nono ano de escolaridade
Público última hora - 14 Abr 08
Jornadas Parlamentares CDS-PP quer avaliação aos programas do primeiro ao nono ano de escolaridade
Margarida Gomes
O CDS-PP vai propor que se faça uma avaliação aos programas que são ministrados nas escolas, nomeadamente em relação às disciplinas de matemática, língua portuguesa, história e inglês, anunciou hoje, em Viseu, o líder da bancada parlamentar.
Diogo Feio, revelou que o seu partido irá apresentar ainda esta semana na Assembleia da República um projecto de lei para que se proceda a uma avaliação dos programas escolares do ensino básico que vai do primeiro ao nono ano.
O deputado popular que falava aos jornalistas no final de um painel sobre "Saúde" no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP que encerram amanhã com uma debate sobre "Indisciplina na escola", declarou também que os democratas-cristãos propõem a criação de uma comissão de avaliação na qual deverá ter assento o Ministério da Educação, mas também representantes da disciplina em causa e pessoas ligadas às sociedades científicas. O objectivo, precisou, é a partir dessa avaliação, fazer-se uma "alteração curricular" para que se deixem de ouvir queixas de que não se "aposta nas disciplinas mais importantes".
Para o líder parlamentar, "a política da educação deve ser discutida no seu centro: a sala de aula" E referiu que "se deve por em causa aquilo que este ministério não quer que é o eduquês".E nesse sentido deixou um desafio a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, para que aceite esta proposta que prevê uma avaliação e para que aceite uma cultura para dentro das escolas de exigência, de disciplina, e de determinação do papel do professor e do aluno". "A avaliação deve ser global. Todos dentro do sistema de ensino devem estar sujeitos a princípios de avaliação, esclareceu ainda o deputado, considerando "ser perfeitamente possível" que esta avaliação entre já em vigor no "início do próximo ano lectivo e nas disciplinas mais relevantes e mais importantes".
Entende Diogo Feio, que "o programa deve ser sujeito à avaliação da comissão e se a avaliação for negativa serão feitas alterações ao próprio programa. Este programa deve ter como objecto o ensino básico que vai do primeiro ao nono ano, porque estamos preocupados com aquilo que se passa no ensino primário", esclareceu ainda...
O CDS-PP vai propor que se faça uma avaliação aos programas que são ministrados nas escolas, nomeadamente em relação às disciplinas de matemática, língua portuguesa, história e inglês, anunciou hoje, em Viseu, o líder da bancada parlamentar.
Diogo Feio, revelou que o seu partido irá apresentar ainda esta semana na Assembleia da República um projecto de lei para que se proceda a uma avaliação dos programas escolares do ensino básico que vai do primeiro ao nono ano.
O deputado popular que falava aos jornalistas no final de um painel sobre "Saúde" no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP que encerram amanhã com uma debate sobre "Indisciplina na escola", declarou também que os democratas-cristãos propõem a criação de uma comissão de avaliação na qual deverá ter assento o Ministério da Educação, mas também representantes da disciplina em causa e pessoas ligadas às sociedades científicas. O objectivo, precisou, é a partir dessa avaliação, fazer-se uma "alteração curricular" para que se deixem de ouvir queixas de que não se "aposta nas disciplinas mais importantes".
Para o líder parlamentar, "a política da educação deve ser discutida no seu centro: a sala de aula" E referiu que "se deve por em causa aquilo que este ministério não quer que é o eduquês".E nesse sentido deixou um desafio a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, para que aceite esta proposta que prevê uma avaliação e para que aceite uma cultura para dentro das escolas de exigência, de disciplina, e de determinação do papel do professor e do aluno". "A avaliação deve ser global. Todos dentro do sistema de ensino devem estar sujeitos a princípios de avaliação, esclareceu ainda o deputado, considerando "ser perfeitamente possível" que esta avaliação entre já em vigor no "início do próximo ano lectivo e nas disciplinas mais relevantes e mais importantes".
Entende Diogo Feio, que "o programa deve ser sujeito à avaliação da comissão e se a avaliação for negativa serão feitas alterações ao próprio programa. Este programa deve ter como objecto o ensino básico que vai do primeiro ao nono ano, porque estamos preocupados com aquilo que se passa no ensino primário", esclareceu ainda...
Educação e cidadania
Público - 06 Abr 08
Os problemas não estão, isoladamente, na família, na escola, nos meios de comunicação
Educação e cidadania
Frei Bento Domingues
O recurso a bodes expiatórios acaba por ter culpados de turno mas não gera correntes diversas de cidadania responsável
1. Alguns professores mostraram-se mais à vontade na televisão e na rua do que na escola. Nas televisões e na rua, foram expeditos a descompor o primeiro-ministro, a ministra, o ministério e os encarregados de educação. Na escola, queixam-se de não conseguirem dar aulas por medo dos alunos. Estes gozam de um estatuto que os toma indomáveis. Se, ainda há pouco, os professores eram considerados responsáveis pelo insucesso escolar, agora a indignação voltou-se contra os alunos e os pais: cada turma deveria ter um segurança e cada professor um guarda-costas, sem recorrer aos psicólogos, aliados naturais da permissividade.
Alegrou-me ver, na televisão, o prof. José Gameiro, psiquiatra, resistir à histeria criada em tomo de um telemóvel - um dos novos símbolos mais estimados de adolescentes e jovens - transformada em arma política. Em relação à boa disciplina e segurança, tenho a referência da minha escola, nos começos dos anos 40 do século passado: nada de falinhas mansas; o marido da professora era um legionário de mão pesada, a quem ela recorria com frequência. A delicadeza dos pais sublinhava: "Só se perdem as que caem no chão."
2. Tenho, no entanto, alguma dificuldade em acreditar que alunos, professores, pais, funcionários e responsáveis do ministério se encontrem bem identificados nas imagens registadas nas últimas semanas. Aproveitando a onda, os professores queixosos talvez não sejam o único espelho da escola em Portugal.
Os meios de comunicação, em alguns casos, ainda não se libertaram da triste sina que lhes colaram: uma boa notícia não é notícia. Depois de terem colaborado na liquidação do ministro da Saúde, acabaram por tecer os maiores elogios às medidas que ele tinha tomado, lamentando a sua saída como vítima de uma política eleitoralista...
Por outro lado, dizer que, em Portugal, é sempre assim, que nunca sabemos valorizar o que temos, que estamos sempre na cauda de tudo, até na cauda do reconhecimento dos nossos méritos, alarga a maledicência, mas não cria alternativas. Os problemas não estão, isoladamente, na família, na escola, nos meios de comunicação, no futebol, na sociedade civil ou no Estado, nem se podem atribuir todas as graças e desgraças à globalização. O recurso a bodes expiatórios, fixando-se só em algumas pessoas, grupos, corporações, instituições, etnias, acaba por ter culpados de turno, mas não gera correntes diversas de cidadania responsável, que respeitem o princípio da boa medida e do bom senso.
3. Adela Cortina, catedrática de Ética e de Filosofia Política, na Universidade de Valência, ganhou o Prémio Internacional de Ensaio (Jovellanos) de 2007 pelo seu livro, Ética de la razón cordial. Educar en la ciudadanía en el siglo XXI (Ed. Nobel, 2007).
Esta obra foi escrita 20 anos depois de uma outra, que a tomou célebre - Ética mínima -, que alguns invejosos qualificaram de "ética em saldo", ao alcance dos recursos modestos da moralidade reinante. Pelo contrário, a autora percebeu que Espanha estava a abandonar, rapidamente, os caminhos de uma sociedade de código moral único, incapaz de ajudar a construir uma sociedade plural baseada nos valores mais fundamentais. Parecia-lhe importante que pessoas, com distintos projectos de vida que se deseja cada vez mais plena, pudessem trabalhar, lado a lado, para ir incarnando, na vida quotidiana, os ideais de uma sociedade mais justa. A. Cortina procurava pensar uma ética cívica, isto é, de cidadãos, com implicações na vida moral, mas também na vida política, económica e religiosa. É certo que os entusiastas do conflito pelo conflito - não as vítimas, mas os que guardam na alma um estranho ressentimento fossilizado - não estão interessados na descoberta de valores partilháveis. Preferem agudizar contradições: quanto pior, melhor. Os adeptos do conflito pelo conflito nunca terão capacidade crítica. Criticar é discernir entre o que une e o que separa, entre o justo e o injusto. Eles só conhecem recusas absolutas ou adesões incondicionais.
O recurso a bodes expiatórios acaba por ter culpados de turno mas não gera correntes diversas de cidadania responsável
1. Alguns professores mostraram-se mais à vontade na televisão e na rua do que na escola. Nas televisões e na rua, foram expeditos a descompor o primeiro-ministro, a ministra, o ministério e os encarregados de educação. Na escola, queixam-se de não conseguirem dar aulas por medo dos alunos. Estes gozam de um estatuto que os toma indomáveis. Se, ainda há pouco, os professores eram considerados responsáveis pelo insucesso escolar, agora a indignação voltou-se contra os alunos e os pais: cada turma deveria ter um segurança e cada professor um guarda-costas, sem recorrer aos psicólogos, aliados naturais da permissividade.
Alegrou-me ver, na televisão, o prof. José Gameiro, psiquiatra, resistir à histeria criada em tomo de um telemóvel - um dos novos símbolos mais estimados de adolescentes e jovens - transformada em arma política. Em relação à boa disciplina e segurança, tenho a referência da minha escola, nos começos dos anos 40 do século passado: nada de falinhas mansas; o marido da professora era um legionário de mão pesada, a quem ela recorria com frequência. A delicadeza dos pais sublinhava: "Só se perdem as que caem no chão."
2. Tenho, no entanto, alguma dificuldade em acreditar que alunos, professores, pais, funcionários e responsáveis do ministério se encontrem bem identificados nas imagens registadas nas últimas semanas. Aproveitando a onda, os professores queixosos talvez não sejam o único espelho da escola em Portugal.
Os meios de comunicação, em alguns casos, ainda não se libertaram da triste sina que lhes colaram: uma boa notícia não é notícia. Depois de terem colaborado na liquidação do ministro da Saúde, acabaram por tecer os maiores elogios às medidas que ele tinha tomado, lamentando a sua saída como vítima de uma política eleitoralista...
Por outro lado, dizer que, em Portugal, é sempre assim, que nunca sabemos valorizar o que temos, que estamos sempre na cauda de tudo, até na cauda do reconhecimento dos nossos méritos, alarga a maledicência, mas não cria alternativas. Os problemas não estão, isoladamente, na família, na escola, nos meios de comunicação, no futebol, na sociedade civil ou no Estado, nem se podem atribuir todas as graças e desgraças à globalização. O recurso a bodes expiatórios, fixando-se só em algumas pessoas, grupos, corporações, instituições, etnias, acaba por ter culpados de turno, mas não gera correntes diversas de cidadania responsável, que respeitem o princípio da boa medida e do bom senso.
3. Adela Cortina, catedrática de Ética e de Filosofia Política, na Universidade de Valência, ganhou o Prémio Internacional de Ensaio (Jovellanos) de 2007 pelo seu livro, Ética de la razón cordial. Educar en la ciudadanía en el siglo XXI (Ed. Nobel, 2007).
Esta obra foi escrita 20 anos depois de uma outra, que a tomou célebre - Ética mínima -, que alguns invejosos qualificaram de "ética em saldo", ao alcance dos recursos modestos da moralidade reinante. Pelo contrário, a autora percebeu que Espanha estava a abandonar, rapidamente, os caminhos de uma sociedade de código moral único, incapaz de ajudar a construir uma sociedade plural baseada nos valores mais fundamentais. Parecia-lhe importante que pessoas, com distintos projectos de vida que se deseja cada vez mais plena, pudessem trabalhar, lado a lado, para ir incarnando, na vida quotidiana, os ideais de uma sociedade mais justa. A. Cortina procurava pensar uma ética cívica, isto é, de cidadãos, com implicações na vida moral, mas também na vida política, económica e religiosa. É certo que os entusiastas do conflito pelo conflito - não as vítimas, mas os que guardam na alma um estranho ressentimento fossilizado - não estão interessados na descoberta de valores partilháveis. Preferem agudizar contradições: quanto pior, melhor. Os adeptos do conflito pelo conflito nunca terão capacidade crítica. Criticar é discernir entre o que une e o que separa, entre o justo e o injusto. Eles só conhecem recusas absolutas ou adesões incondicionais.
Nos últimos 20 anos, muita coisa mudou na vida social, económica, política, cultural e religiosa de Espanha e do mundo. Adela Cortina, embora reconhecendo o papel desempenhado pela Etica mínima, descobriu através de novas investigações, suas e de outros, limites dessa proposta e a necessidade de a refazer na totalidade. Já não a satisfaz a famosa ética dialógica de Apel e Habermas como fundamento filosófico de uma ética cívica da vida quotidiana. Parece-lhe que uma ética que confia à arte os modelos de auto-realização; à religião, arte e ciências, as ofertas de felicidade; ao direito e à política, a legitimação de umas e a formação da vontade; às distintas comunidades e grupos, a configuração de virtudes, acaba por dissolver o fenómeno chamado "moral". A educação do desejo, a gustação dos valores, a abertura cosmopolita, a sociedade do conhecimento, uma prudente qualidade de vida e uma sabedoria cordial são indispensáveis para uma cidadania do século XXI. Não pode haver bons educadores sem uma ética da educação, repensada e vivida.
Educação para a "gentlemanship"
Expresso - 05 Abr 08
Educação para a "gentlemanship"
Educação para a "gentlemanship"
JCEspada
A liberdade e a democracia são indissociáveis de um sentido pessoal de dever
A liberdade e a democracia são indissociáveis de um sentido pessoal de dever
As pessoas interrogam-se sobre as razões que presidem ao aumento da indisciplina nas nossas escolas. Os esquerdistas de serviço correm a dizer que esse é um problema europeu e não apenas nacional. E é verdade: só que, ao contrário dos nossos esquerdistas de serviço, vários países europeus - como a Inglaterra e a Suécia - estão a enfrentar o problema.O problema é simples e foi primeiro detectado na América (se tenho permissão para citar esse alvo de todas as críticas): nós estamos a utilizar na educação ocidental um sistema de tipo soviético que não usamos nas outras esferas de actividade (com a excepção da saúde). Temos um quase monopólio estatal de educação. Resultado? Burocracias governamentais gigantescas tendem a impor uma ortodoxia esquerdista, secularista e laxista que vem minando dramaticamente os padrões de educação - não só dos filhos deles, o que não seria da minha conta, mas também dos nossos filhos e dos nossos netos. É uma verdadeira lavagem ao cérebro. Essa ortodoxia esquerdista vira o mundo de pernas para o ar. Ao contrário dela, por exemplo, nós não deveríamos recear o termo Ocidente. E não deveríamos aceitar que a democracia fosse apresentada como uma inovação esquerdista criada pela Revolução Francesa ou por um dos seus muitos sucedâneos, como o Maio de 68. Como apontou Karl Popper, cuja autobiografia foi finalmente publicada entre nós, a democracia ocidental é produto de uma longa conversação - entre gerações, e entre fé e razão - com raízes nas tradições greco-romana e judaico-cristã. A Magna Carta de 1215, por exemplo, contém os princípios essenciais que presidem aos modernos regimes constitucionais e democráticos. Isto tem muitas consequências. Uma delas é que a liberdade e a democracia são indissociáveis de um sentido pessoal de dever - que os subscritores da Magna Carta conheciam, mas que era ignorado pelos agitadores da Revolução Francesa. É um sentido de dever que não depende do capricho e que limita o capricho. Karl Popper, entre muitos outros, chamou a isto o espírito de «gentlemanship» e definiu-o simplesmente: um «gentleman» é aquele que não se toma a si próprio demasiado a sério, mas que está pronto a tomar muito a sério os seus deveres, sobretudos quando os outros só falam dos seus direitos. Winston Churchill foi, no século XX, um exemplo primeiro deste sentido de dever. De onde vem este sentido, não primariamente político, de dever? A busca de uma resposta fica impossibilitada se excluirmos da conversação as vozes dos nossos antepassados, designadamente as vozes greco-romanas e as vozes judaico-cristãs. Mas é esta exclusão que está diariamente a acontecer no nosso sistema estatal de educação
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