quinta-feira, 10 de julho de 2008

Acuso a ministra da Educação e o director do GAVE

Público - 25 Jun 08

Acuso a ministra da Educação e o director do GAVE
Santana Castilho

A ministra da Educação veio tentar convencer o país de que há uma enorme recuperação, fruto das políticas do Governo

O director do GAVE teve o topete de sugerir que quem tem criticado os exames não tem competência para se pronunciar sobre avaliação educacional. Do alto da sua arrogância, ocupado que está todo o ano em produzir provas medíocres, não teve certamente tempo para comparar o seu percurso com o daqueles a que se refere. Se o fizesse, estou em crer que a sua inteligência, a natural, lhe permitiria identificar a distância que o separa de Nuno Crato ou de Feytor Pinto. Porque não se enxerga, recordo-lhe que foi responsável por erros grosseiros nas provas de Física e de Biologia no ano passado, circunstância que deveria ter determinado a sua imediata demissão. E não me venha dizer que assumiu a responsabilidade, porque a questão não é essa, a de "assumir" o que não pode rejeitar. A questão é pagar pelos erros inaceitáveis que cometeu. Não pagou nem se emendou, já que os erros voltaram este ano. Menos graves, mas voltaram. A vice-presidente da Associação de Professores de Português, referindo-se ao exame de Português do 12.º ano, destacou a falta de acordo entre os colegas no que toca às respostas possíveis para as questões de escolha múltipla. No grupo II, item 7, vários especialistas referiram uma formulação incorrecta, que tornava certa uma resposta não considerada nos critérios de correcção. E o compromisso, já existente no ano passado, que excluía a famigerada TLEBS do exame, não foi respeitado, tendo figurado na prova o termo "verbo auxiliar modal".

Em linha com o anterior, a ministra da Educação veio tentar convencer o país de que 90 por cento de alunos com positiva a Português e 82 por cento com positiva a Matemática mostram uma enorme recuperação, fruto das políticas seguidas pelo Governo. A esta Santinha da Ladeira II é preciso lembrar a trapalhada e a iniquidade por que foi politicamente (ir)responsável em 2006, no que toca às provas de Física e Química do 12.º ano. Porque também ela, depois dos acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal Constitucional, já que não teve a dignidade de se demitir, deveria, ao menos, ser contida e humilde. Mas não. Depreciando os críticos do facilitismo dos exames, disse na SIC que só a aplicação de métodos estatísticos permitia tirar conclusões credíveis sobre a matéria. E esclareceu o seu dogma: só seriam fáceis os exames em que mais do que 5 por cento dos alunos conseguissem classificações de nível excelente. Pobre senhora, que confia demasiado nos tecnocratas que lhe alimentam o fundamentalismo! É que se ao menos tivesse feito as contas e fosse válido o que diz, as provas de Matemática do 4.º e 6.º anos de escolaridade seriam facílimas. Com efeito, o triplo desses alunos, no 4.º ano, e quase o dobro, no 6.º, superaram a fasquia mágico-científica de Sua Excelência!

Tudo visto, o que temos? O natural cumular de uma politica de primeira hora: poupar em nome do santo défice, vergar os que pensam e fabricar resultados. Esta gente sempre confundiu sucesso escolar com índices de aprovação. Por isso fomentaram provas ridiculamente elementares. Por isso lhe juntaram formulários com as fórmulas para resolver os problemas. Por isso deram instruções para não penalizar os erros de ortografia. Por isso conceberam directivas e critérios de correcção que promovem a indigência. Acuso-os de fabricarem um falso sucesso escolar. Acuso-os de tudo fazerem para que alunos que não aprendem aprovem. Acuso-os de nada fazerem para evitar que as incompetências se acumulem e alguma vez sejam recuperadas. À estatística e à ciência saloia que invocam para alindar as babosices com que vão envenenando os incautos, oponho Karl Popper:

"Eu concebo as teorias científicas como tantas outras invenções humanas, como redes criadas por nós e destinadas a capturar o mundo... Estas teorias não são nunca instrumentos perfeitos. São redes racionais criadas por nós e não devem ser confundidas com uma representação completa de todos os aspectos do mundo real, nem mesmo quando elas são bastante conseguidas, nem mesmo quando elas parecem oferecer excelentes aproximações da realidade."

Espero que o não rotulem de "pessimista de serviço".Professor do ensino superior

Portugal tem "problema sério de violência na escola"

Diário de Notícias - 24 Jun 08

Portugal tem "problema sério de violência na escola"
Patrícia Jesus

'Bullying'. As escolas são todas iguais e são todas diferentes, mas a violência é um problema global. A conclusão é dos investigadores reunidos na conferência mundial sobre o tema que ontem começou em Lisboa. Em Portugal, os responsáveis dizem que a situação melhorou, mas os alertas mantêm-se

Alunos e famílias têm de fazer parte da solução

"A violência na escola não pode ser dramatizada, mas também não pode ser esquecida". O apelo é de Carlos Neto, presidente da 4ª Conferência Mundial sobre a violência escolar, que decorre até quarta-feira, em Lisboa. O professor da Faculdade de Motricidade Humana considera que o fenómeno é mundial, "como mostram as centenas de trabalhos" que receberam, mas não tem dúvidas em afirmar que "temos um problema sério" em Portugal" no que respeita ao bullying. "A escola é para todos e isso tem consequências", explica.

Para o psiquiatra Daniel Sampaio, que só concebe uma escola inclusiva, que ensine para a diferença, a solução passa também por incluir todos na busca de respostas: escola, professores, famílias e os próprios alunos. "Impressiona-me que em Portugal nunca se pergunte aos alunos o que pensam da violência", disse.

O psiquiatra alertou ainda para a necessidade da indisciplina ser olhada como uma forma de violência que impede a escola de cumprir o seu papel, pouco depois de, na sessão de abertura da conferência, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter dito que é importante estabelecer uma diferença entre violência e indisciplina escolar, salientando que os fenómenos de violência estão circunscritos, enquanto os casos de indisciplina são mais generalizados. Maria de Lurdes Rodrigues revelou que "90% dos incidentes têm lugar em 5% das escolas", o que, segundo a ministra, mostra que o fenómeno é residual.

"Em locais marcados pela degradação, a escola é muitas vezes um local de paz, apesar de, às vezes, ser demasiado vulnerável", reconheceu. Para as escolas mais sensíveis, a ministra lembrou que existe um programa de discriminação positiva. "Actualmente 30 escolas - 20 em Lisboa e 16 no Porto - são alvo de medidas especiais através dos Territórios Educativos de Intervenção prioritária", referiu, não afastando a possibilidade de o programa ser alargado a outros estabelecimentos.

Diminuição no último ano

A ministra garantiu ainda que já houve uma melhoria dos resultados e uma diminuição do número de ocorrências. Uma visão que é partilhada pelo procurador-geral da República, que nos últimos meses se mostrou várias vezes preocupado com a violência nas escolas. "Se me perguntar se a situação é melhor hoje do que há um ano, eu digo que é melhor."

Pinto Monteiro considerou que não há uma violência generalizada nas escolas portuguesas, mas que é preciso combater o problema desde o início. Por isso, insistiu que as pessoas participem as situações de violência. "Porque o que não podemos fazer é esconder, fingir que não existe". Segundo o PGR, o seu apelo teve efeito: houve um grande aumento de queixas e a Procuradoria recebe cartas de alunos, de pais e de professores - "a maior parte vêm assinadas" - o que mostra que as pessoas sentem que as queixas são valorizadas.

Também Pinto Monteiro reconhece que este é "um problema universal, para o qual não existem receitas mágicas". "Não pode é ser um cadáver escondido no armário", alerta.

A conferência, promovida pela Faculdade de Motricidade Humana e pelo Instituto de Apoio à Criança, reúne em Lisboa investigadores de 55 países. Até quarta-feira, os especialistas vão partilhar experiências e apresentar mais de duzentas comunicações sobre o tema "A Violência nas Escolas e políticas Públicas".

"O exame era mais fácil que os testes"

Diário de Notícias - 24 Jun 08

"O exame era mais fácil que os testes"
Helder Robalo

Exames. Estudantes do 12.º ano consideram que prova foi básica e muito simples

Ao contrário de anos passados, os alunos do 12.º ano da Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, consideraram os exames nacionais de Matemática A "muito fáceis". De tal modo que alguns dos alunos com quem o DN falou acreditam mesmo que a nota rondará os 16 ou 17 valores.

Para Bruno França, por exemplo, "o exame era bastante fácil". "Fiz os exames dos outros anos, para estudar, e achei este muito mais fácil", diz este estudante, que acredita que, por isso, terá "um 16 ou 17 no exame".

Opinião partilhada pelo amigo Francisco Andrade que, apesar de tudo, mostra alguma cautela. "O exame era bastante básico, mas depois vamos ver o resultado final", alerta. Francisco, como vários outros colegas, passou o fim-de-semana a estudar para o exame que fechou a primeira fase de provas nacionais do 12.º ano. Com um balanço positivo: "Correu mesmo bem", assegura.

Já José Lopes, outro amigo, não poupou elogios à facilidade do exame no telefonema feito para a mãe à saída da escola. "Nem imaginas, era super fácil", assegurava, manifestando uma satisfação imensa. Ao DN confessa depois que "a escolha múltipla deve estar quase toda mal, mas o resto correu super bem". Depois de passar o fim-de-semana todo a estudar para a prova de Matemática, diz esperar "para aí um 15". Uma nota que considera bastante boa, depois do 12 na disciplina, no 12.º ano.

Já Aline Marini não partilhava da alegria dos amigos. "A prova correu mal, acho que não estudei o suficiente", admitiu, enquanto confirmava: "O exame era fácil."

"Era mais fácil até que os testes que os professores nos deram ao longo do ano", confessava esta aluna, que, muito provavelmente, irá "fazer o exame novamente na segunda chamada".

Basta saber ler para fazer exame de Química

Jornal de Notícias - 23 Jun 08

Basta saber ler para fazer exame de Química

A Sociedade Portuguesa de Química criticou, esta segunda-feira, a existência de "questões extremamente elementares" no exame nacional de Física e Química A, realizado sexta-feira, considerando que algumas perguntas "exigem apenas que o aluno saiba ler".

Realizada por cerca de 54 mil estudantes do ensino secundário, a prova desta disciplina, nuclear para quem quer seguir Medicina, é uma das que conta com mais alunos inscritos.

Num breve parecer disponibilizado na Internet, exclusivamente sobre a parte de Química, a Sociedade salienta que "todas as perguntas [do exame] se ficam por questões extremamente elementares", criticando ainda a persistência na prova "de algumas questões já 'batidas' em anos anteriores".

Ressalvando não ter conhecimento dos critérios de correcção estipulados pelo Ministério da Educação, a SPQ lamenta igualmente a existência de "questões que pouco ou nada exigem de conhecimentos prévios em Química".

"Exigem apenas que o aluno saiba ler um texto ou os eixos de um gráfico", não precisando "sequer de ter grandes competências a nível da interpretação", critica a Sociedade, apontando como exemplo duas das perguntas da prova.

No ano passado, o exame de Física e Química A do 11º ano figurava entre as três provas com a média mais baixa, com 7,2 valores.

Na altura, o Ministério da Educação decidiu anular uma questão daquele exame, alegando que a incorrecção na formulação de uma pergunta "inviabilizava a concretização de uma resposta correcta". Para não prejudicar os alunos na classificação final da prova, a tutela decidiu que a nota de cada um dos estudantes que realizou o exame seria multiplicada por 1,0417, o que levantou polémica.

Exames nacionais do 12º ano

Rádio Renascença - 23 Jun 08

Exames nacionais do 12º ano

Nota negativa da Sociedade Portuguesa de Matemática aos exames nacionais do 12º ano. Declarações de Nuno Crato. Recolha de opiniões de alunos numa escola do Porto. A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas acusa o Ministério da Educação de facilitismo nos exames. Declarações de Fernando Castro, presidente da APFN.
ouvir notícia - 1ª parte

Comentário de Jorge Pedreira, Secretário de Estado da Educação

ouvir notícía - 2ª parte

Delinquentes aos sete

Correio da Manhã - 23 Jun 08

Educação: Daniel Sampaio diz que “sinais de alarme” começam na infância
Delinquentes aos sete
Bernardo Esteves

As crianças com sete anos já revelam sinais de que podem vir a tornar-se delinquentes e por isso há que intervir muito cedo, defende Daniel Sampaio.

O psiquiatra é um dos oradores da ‘4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar’, que entre hoje e quarta-feira reúne em Lisboa os maiores especialistas da área. 'Podemos ter sinais de alarme muito precoces, logo aos 7, 8 anos, que tornam a criança susceptível de vir a ter comportamentos delinquentes. Esses sinais são comportamentos de violência para com os colegas, destruição de material escolar, dificuldade em fazer amigos. Há, por isso, que intervir muito cedo, a três níveis: escola, família e comunidade', afirmou ao CM.

As últimas estatísticas oficiais indicam uma redução da violência escolar, mas Sampaio alerta para a violência escondida: 'Em Portugal, não temos comportamentos de grande violência, mas muitas vezes esta instala-se de forma surda, com pequenas situações de ameaças nas casas de banho ou casos de bullying, provocação e humilhação entre alunos', indica.

Já para a investigadora Margarida Matos, que coordenou um estudo a apresentar na Conferência, há claramente uma melhoria. 'A violência e o bullying subiram entre 1998 e 2002, mas a partir daí têm vindo a descer. Por vezes a percepção que as pessoas têm é contrária porque, felizmente, somos cada vez mais intolerantes face à violência. A imprensa relata mais casos e as pessoas assustam-se', conclui.

PINTO MONTEIRO NA CONFERÊNCIA SOBRE VIOLÊNCIA

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos principais promotores do debate mantido nos últimos tempos em Portugal sobre violência escolar, estará hoje na abertura da ‘4ª Conferência Mundial sobre Violência na Escola e Políticas Públicas’, que decorre até quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Também marcarão presença na abertura da conferência a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o antigo ministro David Justino, em representação da Presidência da República.

'CHEGAM CASOS GRAVES' (João Grancho, Coordenador da Linha Bullying)

Correio da Manhã – A linha de apoio a vítimas de bullying (808 968 888) já recebeu muitas chamadas?

João Grancho – Já recebemos cerca de vinte contactos num mês. Em quantidade não é muito, mas os casos que nos chegam são graves, de jovens que sofrem muito com a situação em que vivem e que pode provocar insucesso e abandono escolar ou outras situações bem mais complicadas.

– São jovens de que idades? Os pais também ligam?

– Até são os pais quem mais ligam para a linha. As vítimas têm entre 11 e 15 anos. Importante é que cada vez estão mais alerta e percebem a diferença entre o que é normal e o que é uma agressão.

OCORRÊNCIAS

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Ocorrências: 10 964 (2005/06) / 7028 (2006/07)
Interior da Escola: 7740 (2005/06) / 3533 (2006/07)
Exterior da Escola: 3224 (2005/06) / 3495 (2006/07)

DADOS DE 2006/07
Furtos: 25,8 %
Ofensa à integridade física/tentativa de agressão/agressão: 24,2%
Injúrias/ameaças/difamação: 15,2 %
Posse/uso de arma: 2 %
1252 ocorrências com alunos
402 ocorrências com professores
322 ocorrências com funcionários
Fonte: Ministério da Educação e MAI

Exames Nacionais: «Exigência zero»

Diário IOL - 21 Jun 08

Exames Nacionais: «Exigência zero»
Associação Portuguesa de Famílias Numerosas criticou o «generalizado facilitismo» dos Exames

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) criticou este sábado o «generalizado facilitismo» que diz estar patente nos exames nacionais, considerando que «não vale tudo» para melhorar as estatísticas do sistema educativo, noticia a Lusa.

«Compete ao Ministério da Educação garantir a formação adequada das gerações futuras. Levar a exigência a zero não é o caminho correcto para melhorar as estatísticas. Pelo contrário, a mensagem transmitida não tem nada de educativo», critica a associação, em comunicado hoje divulgado.

Os exames nacionais têm estado envoltos em polémica, nomeadamente com a Associação de Professores de Matemática a considerar que a prova do 9º ano da disciplina foi a "mais fácil" de sempre, contendo questões que poderiam ser respondidas por alunos do segundo ciclo.

Relativamente ao mesmo exame, também a Sociedade Portuguesa de Matemática considerou que este foi «um dos mais elementares, senão o mais elementar» dos últimos anos, sublinhando que a «nivelação por baixo» poderá ter custos futuros «muito graves».

Críticas de facilitismo ouviram-se igualmente no que diz respeito ao exame nacional de Língua Portuguesa, com a Associação de Professores de Português a lamentar que a prova incluísse perguntas de gramática do segundo ciclo.

O Ministério da Educação rejeita todas as críticas, negando qualquer diminuição da exigência para melhorar os resultados.

Sociedade Portuguesa de Matemática diz que «a nivelação por baixo» poderá ter custos futuros «muito graves»

Diário IOL - 20 Jun 08

Matemática: exame «elementar»
Sociedade Portuguesa de Matemática diz que «a nivelação por baixo» poderá ter custos futuros «muito graves»

A Sociedade Portuguesa de Matemática considerou esta sexta-feira que o exame nacional do 9º ano da disciplina é um dos mais fáceis, «senão o mais elementar», dos últimos anos, sublinhando que «a nivelação por baixo» poderá ter custos futuros «muito graves», escreve a Lusa.

No seu conjunto, o nível desta prova é certamente dos mais elementares - se não o mais elementar - produzidos nos últimos anos nas provas nacionais de Matemática. Se é verdade que muitos alunos e alguns pais podem ficar satisfeitos com o facto, e se é verdade que seja positivo que os jovens vejam as questões matemáticas como alcançáveis, os custos futuros podem ser muito graves», afirma a SPM, em comunicado.

Perto de 100 mil alunos realizaram esta sexta-feira o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.

Para a SPM, aos alunos do final do terceiro ciclo deveria «exigir-se» outro tipo de dificuldade, exemplificando com a questão 1, «que se resolve contando pelos dedos», a 3, que «pode ser facilmente resolvida por alunos do 1º ciclo», ou a 6, que «envolve percentagens tão simples que qualquer aluno do 2º ciclo deveria ser capaz de resolver».

Matemática: nunca um exame foi «tão fácil» Alunos de 4º e 6º ano melhoram a matemática

«Os conhecimentos testados não estão ao nível do que se deveria esperar de um aluno no final do Ensino Básico. Não são avaliados importantes tópicos que devem ser dominados no 9º ano, como sistemas de equações, proporcionalidade inversa, polígonos e áreas de polígonos», entre outros.

Segundo a sociedade, não há em geral nenhum problema em introduzir num teste problemas de matérias de anos anteriores. No entanto, acrescenta, isso não deve ser feito sistematicamente e quando feito deve recorrer-se a conceitos, técnicas e algoritmos correspondentes ao nível mais avançado.

«Não há problema, em geral, em ter numa prova algumas questões muito elementares, mas é pedagogicamente muito nocivo que todas ou quase todas sejam», afirma a SPM.

Prova sem erros

Por outro lado, segundo a SPM, a prova hoje realizada não contém «erros científicos nem formulações duvidosas», o que afirma ser «muito positivo». «A prova tem questões claras, adequadamente formuladas e de resposta unívoca. Algumas questões são interessantes e estão bem concebidas».

«Salienta-se um progresso notório em relação a práticas anteriores do ministério, que consistiam na elaboração de questões demasiado palavrosas, de interpretação intrincada e, por vezes, com informação supérflua e enganadora», afirma a sociedade.

Não fizeram «nenhuma apreciação negativa»

O director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) sublinhou, entretanto, que os professores indicados pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) para auditar o exame nacional do 9º ano da disciplina não fizeram «nenhuma apreciação negativa» à prova.

«A prova foi auditada por dois professores da SPM que não fizeram nenhuma apreciação negativa a este exame, pelo contrário», afirmou Carlos Pinto Ferreira, em declarações à agência
Lusa.

Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

Público última hora - 20 Jun 08

APM diz que algumas questões podiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo
Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo.

"Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.

Perto de 100 mil alunos realizaram hoje o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.

"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.

Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências".

"Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.

Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".

Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".
Lusa

Não precisamos de boas estatísticas, precisamos de bons alunos

Público - 19 Jun 08

Não precisamos de boas estatísticas, precisamos de bons alunos
José Manuel Fernandes

Três anos e meio depois, é cada vez mais claro que uma mulher que se apresentou como grande reformadora do sistema educacional há muito que passou a funcionar apenas em função dos resultados estatísticos que puder apresentar

Quando Maria de Lurdes Rodrigues foi nomeada ministra da Educação pouco se sabia da sua experiência política excepto que, como colaboradora de Mariano Gago no tempo em que este passara pelo Ministério da Ciência, realizara um trabalho competente de sistematização estatística. Na pequena ficha que, a 5 de Março de 2005, se escrevia no PÚBLICO sobre esta figura ainda desconhecida da opinião pública referia-se que "a socióloga Maria de Lurdes Rodrigues, 48 anos, foi a primeira presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias, criado em 1997 por Mariano Gago" e que "a sua função era recolher estatísticas sobre a actividade científica portuguesa".

Três anos e meio depois, é cada vez mais claro que uma mulher que se apresentou como grande reformadora do sistema educacional, e que tomou algumas medidas correctas e importantes no início do seu mandato, há muito que passou a funcionar apenas em função dos resultados estatísticos que puder apresentar. Só assim se compreende a forma agressiva como, nos últimos tempos, tem reagido a todas as críticas, vindas quer das associações de professores (não confundir com sindicatos), quer das sociedades científicas sobre o caminho que está a seguir para conseguir essas estatísticas. Mais exactamente: sobre o facto de uma ministra que tem dito que deseja dificultar a possibilidade de "reter" um aluno que não tem as competências mínimas para passar de ano ter criado um clima que permite que o nível de exigência nas provas de aferição e nos exames nacionais do 9.º e 12.º anos possa estar a descer. E só dizemos "possa estar" e não que está mesmo a descer porque neste domínio se recomenda um cuidado que não é compaginável com a arrogância. Esta fica para os responsáveis do ministério e pode bem caracterizar a forma como ontem tanto a ministra, como o director do Gave - o gabinete responsável pelas provas - reagiram às críticas quer da Associação de Professores de Português, quer da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Se os nossos estudantes tivessem evoluído de forma gradual, ao longo do mandato deste Governo, passando de elevados percentagens de provas de aferição negativas no 4.º e 6.º anos tanto a Matemática como a Português, estaríamos aqui a celebrar: todos desejamos melhores níveis de aprendizagem ao longo de todo o ciclo de ensino.

Agora aquilo que surpreende é que se celebre, como a ministra fez, um salto inverosímil na qualidade das aprendizagens - de repente as negativas a Matemática passam para metade nos 4.º e 6.º anos - quando as indicações vindas da evolução do sistema ainda o ano passado iam em direcção contrária, pois o famoso plano de recuperação que já estava em marcha não tivera qualquer efeito nos exames do 9.º ano, onde os resultados haviam piorado. Será que tal plano só teve efeito nos primeiros ciclos? Ou será que, como defende uma sociedade científica dirigida por um matemático cujas qualidades como divulgador foram este anos premiadas a nível europeu, os exames eram demasiado elementares?

Ainda antes de conhecer os resultados das provas já a SPM havia levantado o problema. Não ficou à espera dos resultados para dar a sua opinião: pronunciou-se a tempo e horas. E sem o fazer na base do ataque pessoal ou de carácter, ao contrário do que ontem fez o director do Gave, Carlos Pinto Ferreira, a quem não se conhecem competências para dizer que alguém como o presidente da SPM, Nuno Crato, deve ser uma pessoa "que de certeza absoluta não sabe nada de avaliação educativa".

A incapacidade de suportar a crítica e de responder com argumentos sérios, fundamentados e detalhados marcou de resto o discurso de ontem dos responsáveis ministeriais e pode até ser a explicação para o que resulta de incompetência ou de golpe de baixa política: não enviar os critérios de correcção às associações de professores, impedindo-as assim de se pronunciarem a tempo e horas para os meios de comunicação social. Será por recearem ser criticados? Ou por retaliação face a críticas anteriores?

Esperava-se que face a um tema tão importante como a avaliação do processo de avaliação o ministério actuasse com mais transparência a abertura à crítica, até porque esta tem sido feita de forma construtiva. Tal como não se esperavam comportamentos que indiciam reacções do tipo "quem se mete com o PS, leva".

Começa amanhã campanha para reutilização de livros escolares

Público última hora - 19 Jun 08

Iniciativa da associação ENTRAJUDA, Clube dos Livros e livrarias Bertrand
Começa amanhã campanha para reutilização de livros escolares

A associação ENTRAJUDA lança amanhã, em conjunto com o Clube dos Livros e as livrarias Bertrand, uma campanha de recuperação de livros escolares usados para reutilização.

Com o título "Dê uma nova vida aos seus livros escolares usados, entregue-os no Livrão" esta campanha terá mais de 970 pontos de recolha em todo o país, onde poderão ser entregues os livros escolares usados.

Os livros escolares reutilizáveis, ou seja, ainda em vigor e em bom estado, podem ter um valor equivalente a 20 por cento do preço do livro, pelo que este será pago ao dador do livro por transferência bancária, desde que verificados os requisitos inscritos no folheto que se encontra aposto no 'Livrão'.

Segundo a ENTRAJUDA, os livros que se enquadrem nos requisitos de qualidade e validade e que possam ser reutilizados serão disponibilizados para venda online no site www.clubedoslivros.com ou através da Linha de Apoio 214 691 892, com 50 por cento de desconto sobre o preço de venda.

Todos os livros que não poderão ser reutilizados serão destruídos respeitando as regras ambientais existentes.

A partir de amanhã, será possível depositar os livros escolares usados nos pontos de recolha colocados na rede de livrarias Bertrand, nas agências da Caixa Geral de Depósitos, nas lojas Pingo Doce e Feira Nova aderentes, nas lojas do Instituto Português da Juventude, para além das escolas aderentes a este projecto.

Por cada exemplar entregue, o proprietário dos livros estará a apoiar a ENTRAJUDA na sua missão de solidariedade social e a contribuir para a protecção do meio ambiente ao promover a sua reutilização.
A ENTRAJUDA é uma instituição particular de solidariedade social que visa apoiar outras instituições ao nível da organização e gestão, com o objectivo de melhorar o seu desempenho e eficiência em benefício das pessoas carenciadas.
Lusa

Inquérito sobre o uso dos media entre os 8 e os 18 anos

Público última hora - 03 Jun 08

Inquérito sobre o uso dos media entre os 8 e os 18 anos
60 por cento das crianças e jovens têm televisão no quarto
Isabel Leiria

Mais de 90 por cento das crianças e jovens têm pelo menos duas televisões em casa e seis em cada dez têm uma no quarto, tal como acontece com uma percentagem semelhante de pais. Os aparelhos estão na sala, mas também na cozinha e noutras divisões. Só que esta já não é a "lareira electrónica" à volta da qual se reúne a família.

"Há uma tendência para o uso independente dos aparelhos de televisão que se afasta do paradigma do seu uso familiar", dizem os autores do estudo "E-Generation: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal", de 2007. Os investigadores do ISCTE Rita Espanha e Tiago Lapa inquiriram uma amostra representativa de miúdos entre os 8 e os 18 anos e chegaram à conclusão que, apesar de continuar "omnipresente" (em mais de metade dos lares existem três ou mais aparelhos), a televisão perdeu o seu lugar central, com os jovens a dividirem o seu tempo e atenção com outros meios e tarefas, como o computador, o leitor de MP3 ou o telemóvel.

A televisão pode até estar sempre ligada, com 91 por cento dos inquiridos a dizer que assim é às horas das refeições. Metade admite até que o aparelho está a funcionar mesmo quando ninguém está a ver. O que acontece é que, também muitas vezes, cada elemento da família a utiliza no seu espaço, originando "novas formas de organização familiar e modos de organização geográfica das actividades familiares".

E se a vida dos jovens se está "a deslocar do público para o privado", por causa do "declínio da cultura de rua e do convívio familiar", uma vez em casa é no quarto que os mais novos passam muito do seu tempo. Os autores do estudo falam mesmo na "emergência de uma cultura do 'quarto de dormir', onde os jovens tendem a concentrar no seu reduto mais privado os «media» que utilizam".

"Esta forma de estar, o isolamento dos jovens no seu próprio quarto, já existia nas gerações anteriores. Mas agora os jovens têm ao seu dispor vários meios (televisão, telemóveis, internet) que lhes dão entretenimento e lhes permitem também prolongar as relações com outros jovens sem sair de casa", comenta Rita Espanha.

Em relação ao que vêem na televisão, a TVI é o canal favorito para mais de metade (a RTP 1 tem a preferência de apenas 4,5 por cento) e gostam sobretudo de filmes. Mas são as telenovelas que mais tempo lhes roubam. Menos de metade assiste ao telejornal.

A Internet é outro dos "media" que tem ganho uma importância fundamental na vida dos jovens. Quase três em cada quatro assume-se como utilizador, com a maioria a iniciar-se aos 10,11 anos. A Web serve para enviar "mails", consultar enciclopédias e dicionários "online" ou procurar informação relacionada com os estudos. Navegar "sem objectivos concretos", jogar ou participar em "chats", combinar saídas e contactar amigos quando se "está desanimado" são outras utilizações recorrentes.

Concluem então os investigadores que o receio de que as novas tecnologias provoquem o isolamento dos jovens não parece confirmar-se, na medida em que a rede é utilizada para interagir e comunicar. "Há um prolongamento e uma intensificação da vida social, especialmente através de uma muito maior utilização da Internet", reforça Rita Espanha.

Mais de metade fica "muito ansioso" se não tiver o telemóvel

Já se sabia que o telemóvel se tornou num acessório quase imprescindível na vida de muita gente. Praticamente todos os jovens entre os 16 e os 18 anos inquiridos no estudo do ISCTE têm um e metade das crianças entre 8 e os 12 também. Em média, é aos 11,8 anos que se recebe o primeiro aparelho. O que se verifica é que os níveis de "habituação psicológica" ao telemóvel são também elevados nesta faixa etária.

Entre os inquiridos do estudo "EGeneration: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal", 85 por cento concordam com a noção de que se sentem muito mais tranquilos quando têm consigo o seu telemóvel. E mais de metade admitem sentir-se "muito ansioso/a" quando não o podem ter. Sendo certo que a maioria das chamadas são para amigos e familiares, mas que apenas três por cento dizem respeito a conversas que têm como objectivo a "resolução de problemas fundamentais da gestão doméstica e familiar".

Resultado: 44 por cento garantem que não fariam a maioria das chamadas que efectuam no telemóvel através do telefone fixo, objecto que começa, aliás, a ser cada vez menos comum em casa (existe em cerca de metade dos lares dos inquiridos).

As mensagens escritas são a forma de utilização preferida - a média de chamadas diárias é de 3,65, enquanto a de SMS sobe para quase 26 - e substituem em muitos casos a comunicação oral. Os votos de boas festas e os parabéns a amigos e familiares já não são maioritariamente dados com cartões ou telefonemas, mas através de mensagens escritas. Que também servem para namorar e combinar encontros como, nalguns casos, para terminar uma relação amorosa, com 15 por cento dos jovens a admitir tê-lo feito dessa forma.

Por tudo isto, acaba por não ser surpreendente que as crianças e os jovens assumam que têm dificuldades em desligar o seu meio de contacto favorito. Cerca de 40 por cento admitem que não o fazem quando estão em aulas, conferências e palestras. Nem em momentos fúnebres ou em celebrações religiosas em igrejas.

O telemóvel é também uma "companhia" a que se recorre quando se está sozinho e se espera por alguém. Sobretudo para as raparigas, que enviam SMS e telefonam enquanto aguardam. Por mês, os jovens gastam em média 18,5 euros.

Quanto a hábitos de leitura, o estudo indica que 60 por cento lêem livros e quase um em cada três lêem jornais. Mas dedicam a esta actividade pouco mais de meia hora semanal, contra as 15 que passam a ver televisão ou as 10 que consomem a navegar na Internet.
O cinema continua a ser uma das actividades preferidas, com 60 por cento a ir habitualmente a uma sala.