segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Inovadora campanha de recuperação de livros escolares usados




Inovadora campanha de recuperação de livros escolares usados, lançada no mês passado.

Numa iniciativa conjunta da ENTRAJUDA, Clube dos Livros e Livrarias Bertrand, iniciou-se no dia 20 de Junho uma campanha de recuperação de livros escolares usados que tem como objectivo a sua reutilização ou correcta destruição, numa perspectiva de boas práticas de responsabilidade social e ambiental. ‘Dê uma nova vida aos seus livros escolares usados, entregue-os no Livrão’ é o nome desta campanha totalmente inovadora em Portugal.


A partir dessa data, é possível depositar os livros escolares usados nos ‘Livrões’ (pontos de recolha) colocados na rede de Livrarias Bertrand, nas agências da Caixa Geral de Depósitos, nas lojas Pingo Doce e Feira Nova aderentes, nas lojas do Instituto Português da Juventude, para além de muitas escolas aderentes a este projecto. Ao todo estão previstos mais de 970 pontos de recolha em todo o país, onde poderão ser entregues os livros escolares usados.


Esta campanha prevê ainda que os livros escolares reutilizáveis, ou seja, ainda em vigor e em bom estado, possam ter um valor equivalente a 20% do preço do livro. Este será pago ao dador do livro por transferência bancária, desde que verificados os requisitos inscritos no folheto que se encontra aposto no ‘Livrão’.


Por cada livro entregue, o proprietário dos livros, estará a apoiar a ENTRAJUDA na sua missão de solidariedade social e a contribuir para a protecção do meio ambiente ao promover a sua reutilização.


Todos os livros que se enquadrem nos requisitos de qualidade e validade e que possam ser reutilizados serão disponibilizados para venda on-line no site www.clubedoslivros.com ou através da Linha de Apoio 214 691 892, com 50% de desconto sobre o preço de venda.
Esta campanha conta ainda com o apoio dos seguintes parceiros: SIC, Expresso, Visão, Caras, Activa, Rádio Renascença, Pingo Doce, Feira Nova, Instituto Português da Juventude, Caixa Geral de Depósitos e Fundação Portugal Telecom.


Para mais informações contactar:
Luís Miguel Gonçalves (919 784 167), Mariana Saraiva (917 471 133) ou ENTRAJUDA – (919000263 / 917471133) http://www.entrajuda.pt/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mobilidade no trabalho. Doutores no desemprego viram-se para a Europa

Jornal de Negócios - 25 Jul 08

Mobilidade no trabalho. Doutores no desemprego viram-se para a Europa

António Larguesa

São jovens, têm qualificação superior, disponibilidade familiar, sabem falar várias línguas e estão no desemprego ou têm um vínculo precário. Este é o retrato de milhares de trabalhadores portugueses que todos os anos saem de Portugal rumo ao estrangeiro ao abrigo do programa europeu de mobilidade "Eures".

No último ano, 42% dos 8.512 candidatos que se inscreveram para colocação na Europa possuíam, pelo menos, o bacharelato e 64% tinham no passaporte uma idade igual ou inferior a 35 anos. "Gostaríamos que a rede Eures fosse vista pelos nossos candidatos como uma opção para o seu problema de desemprego e que aqueles que se sintam com condições, motivados para um projecto de mobilidade, tenham boa formação académica, conhecimentos de línguas e relativa independência contem com esta oportunidade", elucida António Charana, gestor nacional do programa.

Quinze anos após ter sido criada, a rede "Eures" conta diariamente 1,5 milhões de ofertas de emprego em 31 países do "Velho Continente" e garante uma maior segurança aos 37% de cidadãos comunitários que no Eurobarómetro de 2006 sobre mobilidade se mostraram dispostos a mudar de país para arranjar emprego, caso estivessem desempregados.

Actualmente, cerca de 1,5% da população activa da União Europeia a 25 países já reside e trabalha num Estado membro estrangeiro, segundo o Eurostat, o gabinete estatístico da UE. Esta é uma tendência que o gestor do programa em Portugal encara com naturalidade "à medida que estamos mais integrados na Europa, ela é um espaço de livre circulação" e cada vez mais portugueses se mostram motivados para conhecer outro país e outra cultura, onde "a remuneração oferecida para as mesmas qualificações é muito mais vantajosa".

Já no próximo ano lectivo

Público última hora - 24 Jul 08

Já no próximo ano lectivo

Perto de 400 mil alunos carenciados vão ter refeições e manuais escolares gratuitos

Perto de 400 mil alunos carenciados do ensino básico e secundário vão ter direito a refeições e manuais escolares gratuitos já a partir de Setembro, segundo as novas regras da Acção Social Escolar, que permitem triplicar o número de beneficiários.

De acordo com um despacho hoje divulgado pelo Ministério da Educação, a atribuição dos apoios vai assentar em novos critérios, passando o rendimento das famílias a ser determinado em função do escalão em que se encontram para efeitos de abono de família.

Com a alteração, passam de 185 mil para mais de 399 mil os alunos que vão beneficiar do apoio máximo da Acção Social Escolar (ASE), que prevê refeições gratuitas e o pagamento integral, por parte do Estado, dos manuais escolares obrigatórios.

Da mesma forma, o número de alunos com direito ao escalão B da ASE, cujos apoios equivalem a metade dos atribuídos no escalão A, cresce de 44.468 para cerca de 311.500. No total, vão usufruir de apoio mais de 711 mil estudantes do ensino básico e secundário, quase três vezes mais do que os que beneficiavam até agora.

"É o maior alargamento da Acção Social Escolar desde que existe Acção Social Escolar no país", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em declarações à Lusa.

De acordo com o responsável, a medida representa um investimento de 73 milhões de euros, dos quais 30 milhões destinados ao pagamento dos livros escolares e 43 milhões no caso das refeições.

Até agora, a atribuição destes apoios à Educação não estava anexada aos escalões de abono de família, uma vez que as escolas e a Segurança Social tinham formas diferentes de determinar os rendimentos das famílias.

Os dois métodos de cálculo utilizados explicavam a diferença no número de beneficiários entre os dois tipos de subsídio: 400 mil crianças e jovens usufruíam dos apoios máximos ao nível do abono de família, mas só 185 mil beneficiavam do escalão mais elevado da Acção Social Escolar.

"O regime da ASE tinha um sistema muito complicado. O cálculo baseava-se no rendimento das famílias abatido de uma série de encargos fiscais com a Segurança Social, a Habitação e a Saúde, o que obrigava as famílias a entregar uma série de papéis e as escolas a fazer a confirmação. Assim, bastará entregar o papel que identifica o escalão do abono de família", explicou Jorge Pedreira.

O despacho do ministério, que aguarda publicação em Diário da República, estipula ainda novas regras para a atribuição de bolsas de mérito aos alunos carenciados do ensino secundário que alcancem médias iguais ou superiores a 14 valores. Estas bolsas, que rondam os mil euros anuais, não podiam, até agora, ser acumuladas com os apoios da ASE, levando os estudantes a ter de optar entre uma e outra, o que deixará de acontecer.

Por outro lado, com o aumento do número de beneficiários da Acção Social Escolar, quase triplica também o universo dos estudantes que vão poder candidatar-se às bolsas de mérito.

Lusa

Bullying

Público - 13 Jul 08

Bullying

Faranaz Keshavjee

Estes hoje são os nossos filhos e dependem de nós. Amanhã vão ser os nossos guardiões e dependeremos delesConheço este fenómeno de violência física e sociológica, que tende a ser repetitivo e intencional sobre indivíduos incapazes de se defender. Fala-se deste tipo de comportamentos e das suas vítimas, sobretudo na adolescência. Contudo, a novidade para mim foi encontrar o bullying em crianças de 4 e 5 anos! Mas pode acontecer, como pude constatar com o meu filho. E por isso pensei equacionar algumas variáveis que podem ser importantes na educação e desenvolvimento da primeira infância.

São vários os estudos realizados sobre a influência da sociedade e da cultura familiar na vida de uma criança e no seu desenvolvimento desde os primeiros dias de vida, ou desde o momento em que os pais começam a exprimir os seus anseios e expectativas sobre o feto na mulher grávida.

Piaget e Vygotsky, entre outros psicólogos, desenvolveram teses sobre o desenvolvimento da mente humana e do raciocínio lógico a partir da observação de crianças e reconheceram a importância do contexto social e familiar ou da cultura dominante no processo de aprendizagem. De resto, é comum ouvimos educadoras dizerem que ficam a saber muito do que se passa em casa destas crianças apenas observando os seus comportamentos na escola, porque eles espelham, sem escamotear, uma aprendizagem que precedeu a da escola.

A família, e depois a escola, são cruciais na consideração do desenvolvimento educacional primário. Custa ouvir que o tempo é curto para lhes dedicar atenção, afecto e ensinamento. Bem sei que vivemos numa sociedade de consumo a que resistimos sem sucesso. Trabalhamos muito para dar o melhor aos nossos filhos, mas é preciso ir questionando o que é "melhor". O que é efectivamente preciso para sermos felizes? Quanto é que (e o que é que) precisamos de dar aos nossos educandos para que se desenvolvam da melhor forma possível, intelectual e socialmente?

Estudos sobre a educação primária em países em desenvolvimento mostram que o sucesso educacional das crianças está intimamente associado a dois factores cruciais: uma nutrição adequada e rica em vitaminas e minerais e o ambiente familiar em que a criança recebe os afectos e ensinamentos. Muitas vezes, é muito mais importante o que os pais fazem com as crianças do que aquilo que eles são. Num estudo das Fundações Aga Khan e Bernard van Leer, conta-se o sucesso do desenvolvimento de quatro crianças filhas de uma mãe pescadora, que, depois de muitas e longas horas de trabalho, regressa a casa e convida os quatro filhos para a acompanharem na preparação do jantar. Enquanto mexem nos peixes, falando sobre as suas cores, qualidades, gostos, ela passa-lhes ensinamentos importantes.

Mas é preciso ter atenção às coisas que ensinamos. Há dias ouvi um pai ensinar o seu filho a nadar. O pai dizia que nadar é ir mexendo os braços como se se estivesse a afastar os outros meninos quando se quer passar para a frente da fila! Se calhar o miúdo aprendeu a nadar muito depressa, mas tenho dúvidas quanto ao desenvolvimento das suas aptidões sociais e intelectuais.

Por outro lado, não vale de nada dizer que é feio bater nos outros meninos, se, à primeira incapacidade nossa de resolver os problemas, levantamos a mão e eliminamos a "malcriadice" com a bendita palmada. A educação não se faz usando a violência, mas dando bons exemplos e adoptando atitudes coerentes e consistentes. A palmada resume a frustração daquele que não sabe verbalizar o seu desagrado e usa a violência para marcar um ponto. Tudo o que ensinou ao filho foi que sempre que ele quiser vincar o seu ponto de vista é legítimo que use a violência.

O episódio felizmente resolvido do meu filho ensinou-me que os pais devem estar atentos e conversar muito com os seus filhos; devem, sobretudo, assumir uma estreita relação de cumplicidade na sua função educativa a par da escola. Aos professores recomenda-se que revejam os comportamentos "típicos" das crianças destas idades; os manuais da psicologia infantil podem estar já desactualizados.

O mundo de desafios de imagens, de violência, seja ela sofisticada nos países mais ricos, seja primária nos países mais pobres, a relação de afecto e de carinho entre pais e filhos traz profundas consequências na formação do ser humano. Estes hoje são os nossos filhos, que ainda dependem de nós; amanhã vão ser eles os nossos guardiões, e dependeremos do produto que soubermos criar.

Um ano lectivo perdido

Público - 10 Jul 08

Um ano lectivo perdido
Paulo Guinote

Há um ponto positivo na actual política educativa: a obediência às conveniências do ciclo eleitoral

O ano lectivo de 2007/08 foi um ano perdido para o nosso sistema educativo, em especial para aqueles que pretendiam a sua real melhoria.

Nas últimas semanas, tudo culminou com o descrédito dos instrumentos que mais deveriam contribuir para o controlo da sua qualidade e para a aferição do desempenho dos seus principais agentes. Refiro-me à fábrica de sucesso massificado em que se transformaram, de um ano para o outro, as provas de aferição e os exames. Mas este foi apenas o último episódio de uma longa cadeia de ocorrências que ajudaram a desacreditar a actual política educativa e a demonstrar como o fervor reformista da equipa do Ministério da Educação não passa(va) de um aparato retórico e legislativo para reduzir custos e "construir sucesso" por todos os meios.

Analisemos como decorreu o início do ano com base nos sucessivos diplomas que foram lançados sobre as escolas em pleno segundo período:

- A 7 de Janeiro, foi publicado o DL 3/2008, que reviu os procedimentos a adoptar em relação aos alunos com Necessidades Educativas Especiais [NEE]. Definiu-se que só os alunos com NEE "de carácter permanente" deveriam receber um apoio de tipo especial, enquanto se decretava a incorporação em turmas regulares, em nome da "inclusão", de quase todos os antes referenciados. Na prática, o efeito imediato foi a redução dos alunos sinalizados e, por consequência lógica, dos meios técnicos, humanos e financeiros necessários para os apoiar. Mais grave, decidiu-se usar uma classificação internacional destinada a classificar problemas de saúde para resolver problemas de aprendizagem dos alunos, reduzindo-os apenas aos "permanentes".

- A 10 de Janeiro, foi publicado o DR 2/2008 sobre a avaliação do desempenho docente. Visto numa perspectiva de curto prazo, este foi o diploma que fez disparar a contestação mais intensa dos docentes. Não porque a necessidade de avaliação seja contestada, mas porque há modelos melhores e piores de avaliação. E este é um mau modelo porque é um modelo burocrático, formalista, pretensamente objectivo, moroso, complicado e pouco transparente. É pouco eficiente, pois implica um enorme dispêndio de tempo e esforço que não são compensados pelas suas vantagens. Não é equitativo porque impõe barreiras artificiais à progressão; não é coerente porque coloca como avaliadores aqueles que o próprio ME criticava por terem progredido sem verdadeiro mérito; não é transparente porque prevê mecanismos não públicos de definição dos objectivos individuais; não é exequível porque implica um aparato burocrático que, a ser levado a sério, emperrará o normal funcionamento das escolas.

- A 18 de Janeiro, foi publicado o Estatuto do Aluno (Lei 3/2008), mais uma peça essencial de um processo legislativo que deu o sinal para uma cultura de completa desresponsabilização dos alunos pelo cumprimento dos seus deveres, neste caso da assiduidade. Foi então que muitos perceberam que em nenhum momento ou acto o ME estava preocupado em aumentar os níveis de exigência do desempenho dos alunos, mas apenas em criar mecanismos que embelezassem a representação estatística desse desempenho.

- Em Abril, foi a vez da publicação do DL 75/2008 de 22 de Abril com o novo regime de gestão escolar, erradamente baptizado de "autonomia". Apresentado como a peça salvadora de um sistema educativo tido como ineficiente e anquilosado por trinta anos de gestão democrática, o diploma não encontra ancoragem nos dados oficiais sobre o desempenho do dito sistema educativo. Os sucessivos relatórios da IGE apontam no sentido contrário, pois a larga maioria dos estabelecimentos de ensino inspeccionados foi avaliada como Muito Boa ou Excelente na área da gestão escolar. Mais importante: com o novo modelo, reforçaram-se os poderes e a presença de alguns actores das comunidades que, até ao momento, primaram pelo incumprimento das obrigações decorrentes do anterior DL 115/98. Para além de conter no processo de escolha do novo director executivo uma pseudo-eleição na qual são intervenientes elementos, no âmbito do Conselho Geral, que não poderiam participar de acordo com a LBSE.

Os apoios a esta política foram-se reduzindo cada vez mais ao longo do ano, ao ponto de muitos dos que durante quase três anos apoiaram ou deram o benefício da dúvida à tríade ministerial terem passado para as fileiras dos cépticos. O ano lectivo termina com a constatação do que era evidente para quem sabia o rumo desta governação e percebia as consequências da sua acção tida como "reformista" e "corajosa". Da autonomia resta a palavra, bastando para isso reparar como os documentos acerca da organização e calendário do novo ano lectivo determinam ao milímetro o que os órgãos de gestão podem ou não fazer.

O balanço, após três anos de mandato desta equipa ministerial, é a ausência de ganhos efectivos de eficiência e o descrédito generalizado sobre a forma como se estão a tentar fabricar resultados. Como maior ponto positivo, podemos apenas apontar a obediência às conveniências do ciclo eleitoral. Professor do 2.º CEB.
Doutorado em História da Educação

A «raiz do mal» da Educação

Diário IOL - 09 Jul 08

A «raiz do mal» da Educação

Debate sobre o Estado da Nação, organizado pela SEDES, mostra um país «anémico», como o crescimento económico, atingido pelo flagelo do «linguajar pedagógico» que mina o ensino: «Escolas superiores de Educação deviam ser encerradas»

«Não é preciso menos Estado. É preciso um Estado forte». «Seguro Nacional de Saúde em vez de Serviço Nacional de Saúde». «Temos piores gestores do que operários». «Qualquer Governo preocupa-se mais com o noticiário das 8h do que com o país daqui a 20 anos». «As faculdades das ciências de educação deviam ser todas encerradas». «O que o 25 de Abril fez aos filhos dos pobres foi tirar-lhes a única hipótese de eles poderem ascender».

As frases, ditas esta quarta-feira à noite num debate promovido pela SEDES (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social) sobre o Estado da Nação, pintam o país de uma cor escura, a um dia do tema chegar ao Parlamento e 24 horas depois de ter sido conhecido no jornal Público um documento da organização sobre a estratégia actual da governação de José Sócrates: já orientada para as eleições de 2009.

Com Maria Filomena Mónica, Paulo Teixeira Pinto e Vítor Bento e moderado por Luís Campos e Cunha, o debate foi fluindo à mercê das intervenções, sem o espartilho de um guião: da educação à economia, passando pela Justiça, o Estado foi escrutinado por quem vê o estado do país com preocupação.

A socióloga Maria Filomena Mónica apontou baterias à educação, considerando que «as faculdades de Ciências da Educação deviam ser encerradas imediatamente. Não servem para nada e fazem muito mal». Explicando que o «linguajar pedagógico» - "é preciso aprender a brincar" ou "os alunos não devem ser avaliados" - é um flagelo do nosso sistema de ensino actual, Maria Filomena Mónica afirmou que «a doutrina começou na esquerda, mas é agora transversal».

Sócrates governa a pensar nas eleições

A professora universitária vai mais longe: «O que o 25 de Abril fez aos filhos dos pobres foi tirar-lhes a única hipótese de eles poderem ascender socialmente». Questionada pelo PortugalDiário, à margem do debate, sobre esta declaração, Filomena Mónica fez questão de explicar que não fala de «quantidade» mas qualidade.

«Antes do 25 de Abril só 20 por cento dos alunos prosseguia os estudos para além da quarta classe; a «mortalidade» estudantil era muito elevada». «Essa injustiça foi reduzida» em 1974, mas «criou uma escolaridade que não prima pela exigência: os professores não incentivam, não estimulam. São ensinados a ter pena dos pobres e consideram que esses não podem prosseguir os estudos para serem médicos. Este tipo de ensino veio travar a ascensão social dos mais pobres».

Luís Campos e Cunha não tem dúvidas desta premissa e sublinha que «o nosso ensino estaria hoje muito melhor» se «as escolas de educação» não existissem. «Deveriam ser todas fechadas».

O tema dá pano para mangas e foi voltando ao debate. O economista Vítor Bento considera mesmo que a «educação é o grande fracasso deste regime porque ela própria tem promovido um rebaixamento de qualidade, com excessiva complacência com a mediocridade».

O economista observou ainda o peso do Estado, classificando-o de «omnipresente», e dedicou-se ao perigo do «excessivo défice externo», ao «crescimento anémico da economia» e à forma como Portugal «não sabe viver com o euro», alertando também para a ilusão de que as grandes obras públicas não custam dinheiro. «Quando ouço dizer que durante 5 anos aquela estada não vai ter custos, arrepio-me; porque isso não é verdade».

Já Paulo Teixeira Pinto salientou que não é preciso menos Estado: pelo contrário - «é preciso um Estado mais forte». O «Serviço Nacional de Saúde» deveria ser um «Seguro Nacional de Saúde».

Ordem dos Engenheiros critica facilitismo de cursos

Diário IOL - 09 Jul 08

Ordem dos Engenheiros critica facilitismo de cursos

Especialmente depois de um ensino secundário é insuficiente

O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, criticou esta quarta-feira o facilitismo no acesso a alguns cursos de engenharia, após um ensino secundário onde a formação nas áreas da matemática, física e química é insuficiente, noticia a Lusa.

Segundo Fernando Santo, devido à falta de formação básica nas áreas de engenharia nos ensinos básico e secundário, «as universidades e os politécnicos têm pela frente um problema».

«Ou mantêm as regras de exigência adequadas às formações e exigências que querem garantir no final dos cursos aos seus alunos - e então terão muitos poucos alunos e estará em causa a sua sobrevivência -, ou têm de abrir as portas para adequar as exigências à falta de formação nivelando por baixo e, infelizmente, é isso o que está a suceder em muitas escolas», afirmou, em declarações à Lusa no dia em que foram conhecidas as vagas no ensino superior público para o próximo ano lectivo.

O bastonário realçou que no ano passado «apenas quatro Institutos Politécnicos exigiam matemática como cadeira específica» para cursos de engenharia, de forma que «os alunos poderiam entrar nos outros politécnicos sem matemática, porque não era exigida».

«É por esta via do facilitismo que estamos a encher o número de vagas, que são desejáveis a nível do país, mas que tem aqui um handicap grave em termos de formação base», realçou.

Fernando Santo salientou que, quanto aos engenheiros, não há excesso de vagas, porque o mercado do país tem capacidade de absorver estes profissionais.

Frutas e legumes deverão ser distribuídos de graça nas escolas da União Europeia

Público - 09 Jul 08

Frutas e legumes deverão ser distribuídos de graça nas escolas da União Europeia

Clara Viana

O novo programa, de adesão voluntária, é também um instrumento contra esta nova forma de injustiça social: há mais obesos entre os que são mais pobres

Com mais de cinco milhões de crianças obesas, outros 22 milhões com excesso de peso e uma tendência que continua a ser de subida - o aumento estimado é de 400 mil por ano -, os países da União Europeia (UE) foram ontem convidados a fazer mais contra esta epidemia moderna, pondo os seus miúdos a comer fruta e legumes. Para o efeito, a Comissão Europeia vai disponibilizar 90 milhões de euros por ano para financiar um programa de distribuição gratuita nas escolas, destinado a crianças entre os seis e os dez anos, cujo número, na UE, ronda os 26 milhões.

Com o aumento da ingestão de frutas e legumes não só se ingerem mais fibras, vitaminas e minerais, como o seu consumo tende a funcionar como bola de neve: alimentos saudáveis puxam por outros do mesmo tipo.

O programa, que deverá entrar em vigor no ano lectivo 2009-2010, parte do pressuposto de que as aprendizagens iniciais tendem a manter-se para a vida. Promover junto dos jovens "hábitos alimentares saudáveis" será assim uma aposta no futuro, já que pode fazer deles adultos com menos doenças. Dados de 2007 indicam que a obesidade é responsável por seis por cento das despesas de saúde, em especial nas doenças cardiovasculares e na diabetes tipo 2.

Estudos realizados em vários países, incluindo Portugal, mostram que a obesidade passou a ter maior incidência nas classes mais pobres. Uma explicação, segundo João Breda, da Plataforma Nacional Contra a Obesidade: "Os alimentos calóricos são mais baratos". Segundo a Comissão Europeia, o programa ontem aprovado ajudará a alterar a situação: a distribuição gratuita de frutas e legumes nas escolas terá "um impacto social positivo, reduzindo desigualdades na saúde".

As frutas e os vegetais passaram já a ser obrigatórios nos menus escolares de muitos países da UE. A diferença é que, no futuro, se pretende que a sua distribuição seja gratuita, à semelhança do que em Portugal acontece com o leite e, noutros países, como a Irlanda ou a Espanha, passou também já a fazer-se com aqueles produtos. A adesão ao programa é voluntária. Aos países que aderirem, a Comissão garantirá um financiamento de 50 por cento (pode ir aos 75 por cento nos mais pobres) das iniciativas adoptadas.

Défice é maior nas crianças

"São muitas as crianças à nossa volta que não comem frutas e legumes em quantidades suficientes e que, frequentemente nem sabem apreciar o seu sabor. Basta passear em qualquer grande avenida da Europa para observar a dimensão dos problemas relacionados com o excesso de peso das crianças. Chegou o momento de tomarmos medidas", justificou o comissário responsável pela Agricultura, Mariaan Fischer Boel.

Com a proposta de distribuição gratuita nas escolas, ajuda-se a matar dois coelhos de uma só cajadada. Esta medida foi um compromisso assumido, em Junho de 2007, nas negociações para a reforma da organização do mercado das frutas e dos produtos hortícolas. Uma mudança que tem em vista sobretudo travar o declínio no consumo destes produtos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), deve-se consumir 400 gramas por dia de legumes e frutas. Na UE, o consumo per capita passou de cerca de 415 gramas, em 2000, para 380 em 2006. A manter-se a tendência, em 2010 estará nas 360 gramas.

O consumo de fruta e legumes entre as crianças é menor do que nos adultos, frisa-se mo projecto de resolução da Comissão. Inquéritos realizados no âmbito do projecto comunitário Pro-Children, que tem estudado a alimentação de crianças entre os dez e os 12 anos e das suas mães em nove países, entre os quais Portugal, mostra, que em média só 17,6 por cento das crianças com 11 anos comem a quantidade diária recomendada pela OMS.

Esta percentagem varia entre 7,8 e os 24,1 por cento. Com uma média de 143 gramas de consumo diário, a Espanha e a Islândia são os que apresentam piores resultados. Portugal e a Áustria, com 265 gramas/dia, são os que apresentam melhores resultados. Para além destes, realizaram-se inquéritos na Suécia, Bélgica, Holanda, Dinamarca e Noruega.
Outra conclusão do Pro-Children: no geral, as raparigas comem mais frutas e legumes do que os rapazes.

Cábulas nas calculadoras dos alunos sem controlo

Diário de Notícias - 08 Jul 08

Cábulas nas calculadoras dos alunos sem controlo

Pedro Sousa Tavares e Rita Carvalho

Educação. No dia em que os alunos ficaram a conhecer as notas dos exames, que, em geral, desceram a Português e melhoraram a Matemática, o DN mergulhou no mundo dos 'auxiliares de memória', com recurso a máquinas calculadoras

Cábulas nas calculadoras dos alunos sem controlo

Uma falha nas regras sobre utilização de calculadoras permite aos alunos do secundário levarem para os exames de Matemática e Física e Química todos os 'auxiliares de memória' que considerem necessários, como fórmulas que não constem dos enunciados e até descrições "passo a passo" de como resolver diferentes problemas.

Os recursos são diversos: desde activar a função alfanumérica, presente na generalidade das calculadoras gráficas autorizadas pelo Ministério da Educação, e escrever as cábulas desejadas para consulta posterior, às páginas da internet que fornecem formulários e pistas em formatos já adaptados às calculadoras mais populares, da Casio e da Texas Instruments.

Longe de ser um segredo bem guardado, verificou o DN, o método é conhecido por alunos e professores, e tolerado como normal. Para o impedir, seria aliás necessário eliminar das calculadoras a informação para lá descarregada, algo que o próprio Ministério proíbe: "Aos alunos é permitida a utilização de todas as potencialidades da máquina, não sendo por isso permitida qualquer intervenção no sentido de fazer reset à mesma", diz um ofício de Janeiro da Direcção-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e do Júri Nacional de Exames.

"Habitualmente, o que os professores fazem no início das provas é verificar se as calculadoras estão na lista permitida. E mesmo que não estejam os alunos podem usá-las, desde que assinem um documento assumindo esse facto", explicou ao DN Teresa Caissotti, da Sociedade Portuguesa de Matemática. "Verificar os conteúdos das máquinas, mesmo que fosse permitido, seria fisicamente impossível, porque estamos a falar de centenas de alunos, que chegam aos exames 15 minutos antes".

Para esta professora, não há dúvida de que estamos a falar de "auxiliares de memória" e que, objectivamente pode haver "desigualdade" entre os alunos nas provas , em função do volume de informação descarregado para as calculadoras. No entanto, é "discutível" que se possa considerar estarmos perante uma forma de maus alunos chegarem às respostas certas: "A matemática não se presta muito a isso", diz. "Não basta consultar uma fórmula para se conseguir resolver o problema".

Mas, sendo assim, poderá questionar-se porque se dá o Ministério ao trabalho de dizer que as calculadoras não podem ter funcionalidades como o "cálculo simbólico (CAS)" ou "teclado QWERTY" (aquele que é utilizado nos computadores), quando essas limitações são facilmente contornadas pelos estudantes.

A verdade é que até os próprios alunos parecem ter dúvidas: "Recebemos muitos e-mails de estudantes a perguntar se isto é mesmo assim. Se podem fazer isto", disse ao DN Bruno Teixeira, da Aexames, uma associação que gere um site dedicado a estudantes do secundário e do superior.

O DN contactou o Ministério da Educação, solicitando uma posição sobre esta situação, mas não obteve resposta em tempo útil