Público - 30 Mai 08
Chineses revoltados com a derrocada das escolas
Isabel Gorjão Santos
As manifestações dos pais que perderam os filhos no terramoto que fez tremer a China, a 12 de Maio, estão a transformar-se em protestos. Pergunta-se por que tantas escolas ruíram quando, ao lado, os edifícios do Governo e outras escolas de elite ficaram de pé. As autoridades são acusadas de terem poupado onde não deviam: na qualidade da construção.
O terramoto causou mais de 68 mil mortes, de acordo com os números oficiais. Mas esse número deverá aumentar com o passar do tempo, porque cerca de 20 mil pessoas ainda não foram encontradas. Entre as vítimas estão, pelo menos, 10 mil crianças, grande parte filhos únicos que se encontravam nas aulas quando o sismo transformou as escolas em escombros. "Não estamos a pedir dinheiro. Só queremos que nos digam por que morreram", disse ao jornal New York Times Li Ping, um dos pais que se manifestaram junto às ruínas da Escola Preparatória de Juyuan, em Sichuan, a província mais afectada. "Pus toda a esperança no meu único filho", disse.
"Se os responsáveis pela área da educação não tivessem deixado espaço para a corrupção, os edifícios que caíram seriam tão seguros como a escola primária", admitiu ontem o vice-inspector do departamento educacional de Sichuan, Lin Qiang, à agência noticiosa oficial Nova China. Referia-se à escola primária de Beichuan, que tinha sido construída com dinheiro angariado em acções de caridade e ficou intacta, enquanto outra escola secundária, na mesma zona, ruiu. Era lá que estavam cerca de 1300 adolescentes.
Li Ping recusou transportar a chama olímpica, símbolo dos Jogos que irão começar a 8 de Agosto, em Pequim. "Como responsável da área da educação, tenho especial, embora não directa, responsabilidade sobre aquelas crianças e os seus pais e familiares. Sinto muito por eles. Por isso tenho de rejeitar a honra de transportar a tocha olímpica", explicou à Reuters. Algumas amostras das ruínas das escolas começaram a ser recolhidas para avaliar a qualidade dos materiais usados.
Junto aos escombros das escolas, o choque tem dado lugar à revolta. Liu Lifu, que trabalha numa pedreira, pegou ontem num megafone para pedir justiça. "Pedimos ao Governo uma punição severa para os assassinos responsáveis pelo colapso da escola", disse ao New York Times. E apelou: "Por favor, assinem a petição para que possamos saber a verdade". A sua filha de 15 anos, Liu Li, morreu na derrocada da escola, onde estava a ter aulas de Biologia. Não há uma contagem oficial, mas os pais asseguram que apenas 13 dos 900 alunos escaparam à derrocada da Escola Preparatória de Juyuan. Outros 127 alunos terão morrido na escola de Fuxim.
A actriz Sharon Stone causou uma forte polémica ao questionar, durante uma entrevista em Cannes, se o terramoto não seria um "karma" para a China, algo de mau que aconteceu por causa da repressão no Tibete. As suas declarações revoltaram os chineses e ontem a actriz pediu desculpa "por qualquer ofensa". A marca Christian Dior decidiu retirar do mercado chinês os anúncios publicitários em que participa Sharon Stone
As manifestações dos pais que perderam os filhos no terramoto que fez tremer a China, a 12 de Maio, estão a transformar-se em protestos. Pergunta-se por que tantas escolas ruíram quando, ao lado, os edifícios do Governo e outras escolas de elite ficaram de pé. As autoridades são acusadas de terem poupado onde não deviam: na qualidade da construção.
O terramoto causou mais de 68 mil mortes, de acordo com os números oficiais. Mas esse número deverá aumentar com o passar do tempo, porque cerca de 20 mil pessoas ainda não foram encontradas. Entre as vítimas estão, pelo menos, 10 mil crianças, grande parte filhos únicos que se encontravam nas aulas quando o sismo transformou as escolas em escombros. "Não estamos a pedir dinheiro. Só queremos que nos digam por que morreram", disse ao jornal New York Times Li Ping, um dos pais que se manifestaram junto às ruínas da Escola Preparatória de Juyuan, em Sichuan, a província mais afectada. "Pus toda a esperança no meu único filho", disse.
"Se os responsáveis pela área da educação não tivessem deixado espaço para a corrupção, os edifícios que caíram seriam tão seguros como a escola primária", admitiu ontem o vice-inspector do departamento educacional de Sichuan, Lin Qiang, à agência noticiosa oficial Nova China. Referia-se à escola primária de Beichuan, que tinha sido construída com dinheiro angariado em acções de caridade e ficou intacta, enquanto outra escola secundária, na mesma zona, ruiu. Era lá que estavam cerca de 1300 adolescentes.
Li Ping recusou transportar a chama olímpica, símbolo dos Jogos que irão começar a 8 de Agosto, em Pequim. "Como responsável da área da educação, tenho especial, embora não directa, responsabilidade sobre aquelas crianças e os seus pais e familiares. Sinto muito por eles. Por isso tenho de rejeitar a honra de transportar a tocha olímpica", explicou à Reuters. Algumas amostras das ruínas das escolas começaram a ser recolhidas para avaliar a qualidade dos materiais usados.
Junto aos escombros das escolas, o choque tem dado lugar à revolta. Liu Lifu, que trabalha numa pedreira, pegou ontem num megafone para pedir justiça. "Pedimos ao Governo uma punição severa para os assassinos responsáveis pelo colapso da escola", disse ao New York Times. E apelou: "Por favor, assinem a petição para que possamos saber a verdade". A sua filha de 15 anos, Liu Li, morreu na derrocada da escola, onde estava a ter aulas de Biologia. Não há uma contagem oficial, mas os pais asseguram que apenas 13 dos 900 alunos escaparam à derrocada da Escola Preparatória de Juyuan. Outros 127 alunos terão morrido na escola de Fuxim.
A actriz Sharon Stone causou uma forte polémica ao questionar, durante uma entrevista em Cannes, se o terramoto não seria um "karma" para a China, algo de mau que aconteceu por causa da repressão no Tibete. As suas declarações revoltaram os chineses e ontem a actriz pediu desculpa "por qualquer ofensa". A marca Christian Dior decidiu retirar do mercado chinês os anúncios publicitários em que participa Sharon Stone