terça-feira, 23 de dezembro de 2008

DECO já recebeu 135 queixas do e-escolas

Jornal de Noticias

DECO já recebeu 135 queixas do e-escolas

Pais e alunos reclamam por atrasos e deficiências técnicas. As operadoras acenam com compromisso de fidelidade mas DECO diz que podem rescindir.

TIAGO RODRIGUES ALVES

Há 135 queixas na DECO relacionadas com o programa e-escolas. Atrasos e deficiências no equipamento são os principais motivos para as reclamações. A Optimus já só tem computadores para os alunos que pagam 150 euros.

Os lamentos são muitos. Em fóruns na Internet, em telefonemas para a comunicação social, na rua, nos transportes e nos cafés. Agora, até à DECO chegam as reclamações de que os portatéis do e-escolas nunca mais aparecem.

"Há queixas de dificuldades na activação do código de inscrição, do excessivo período de tempo entre a encomenda e a entrega do equipamento e ainda de deficiências técnicas", afirma Ana Tapadinhas do gabinete jurídico da DECO. "Ao todo já recebemos 135 reclamações por causa do e-escolas", completa.

O Gabinete do Plano Tecnológico para a Educação - a entidade supervisora do e-escolas - disse ao JN que tinha conhecimento de alguns problemas nas entregas e que, apesar de não ter responsabilidade nestas questões, tem recebido algumas queixas. No entanto, desdramatiza e sublinha que esta não é uma questão grave e que as reclamações têm diminuído nos últimos tempos.

Por causa das excessiva demora muitos subscritores anunciaram a intenção de rescindir o contrato com a operadora e efectuar um novo pedido junto de outra. Porém e de acordo com várias queixas recebidas pela DECO, quando tal vontade é manifestada, as empresas invocam os compromissos de fidelidade e dizem que os clientes têm de se manter vinculados.

Todavia, Ana Tapadinhas diz que não é bem assim: "as deficiências técnicas e atrasos na entrega constituem motivos de excepção para denunciar o contrato que foi assumido". Ou seja, os subscritores têm o direito de rescindir quando se verifiquem estes casos.

Desde o início do programa que a Optimus apenas disponibiliza nas lojas o portátil para os alunos do terceiro escalão - os que não têm Apoio Social Escolar e que pagam 150 euros pelo computador e a mensalidade mais elevada de Internet. Segundo a empresa, por dificuldades logísticas, os restantes alunos têm que optar pela entrega ao domicílio. Porém, desde o início de Novembro que a empresa já não tem computadores disponíveis para os alunos do primeiro e segundo escalão - os que têm o portátil de graça e que pagam as mensalidades mais baixas de Internet.

O site da empresa até permitia que a inscrição se fizesse, mas quem pertencesse a estes escalões, recebia pouco tempo depois uma mensagem por sms com o seguinte teor: "Informação Optimus: o Kanguru e-escola esta indisponível. O seu código de registo foi desbloqueado para que possa realizar uma outra inscrição".

A Optimus já assumiu que a quota de computadores portatéis acordados com o Fundo da Sociedade para a Informação já se esgotou para os alunos dos escalões mais baixos. A operadora referiu, no entanto, que brevemente pretende restabelecer a entrega para todos os escalões.
A jurista da DECO afirma que, "aparentemente esta situação não será ilegal, mas é claramente uma discriminação por ter equipamentos apenas para alguns escalões e não para todos, ainda para mais tendo em conta os objectivos pretendidos pelo programa e quando, aparentemente, é a única operadora a fazer esta distinção".

sábado, 6 de dezembro de 2008

Crónica de Daniel Sampaio Público

Público
Crónica de Daniel Sampaio

Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.

Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem. Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.

Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está "desmotivada" e que está farta de
grelhas de avaliação e de pensar em objectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.

Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar e ficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estão cansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir
com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.

Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-se muito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!

Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem os professores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil.

Quem quiser dê opinião, o meu mail é brunovanderley@gmail.com, sou do 8.º E
da Escola Básica 2/3 do Lá Vai Um.

Pais demitem-se das suas funções e são maltratados pelos filhos

Diário de Notícias - 28 Nov 08

Pais demitem-se das suas funções e são maltratados pelos filhos
Alfredo Mendes

Educação. Especialistas alertam para a falta de comunicação e de regras nas famílias

Ausência de diálogo e de afecto compensada com a satisfação dos caprichos

A realidade é esta: cada vez são mais visíveis os casos em que os filhos, desde tenra idade até à adolescência, agridem os seus pais. Um fenómeno que na sociedade é transversal e que pode prenunciar "um cocktail explosivo". Este foi um dos temas debatidos no 3.º Encontro Técnico da CrescerSer, no Porto, desta vez subordinado à máxima, "Eu falo contigo. Fala comigo".

É, pois, a falta de comunicação entre pais e filhos que preocupa os especialistas, para quem os progenitores se demitem das suas funções de educadores, imputando à escola essa responsabilidade. Acresce que, em casa, a autoridade marca ausência, ou revela-se pouco consistente, ou seja, incongruente. Inclusive, nas relações disfuncionais os papéis dos pais e dos filhos chegam a inverter-se.

João Belchior, um dos participantes no encontro, serviu-se das funções que exerce como director do Colégio do Barão de Nova Sintra, da Santa Casa da Misericórdia do Porto, para afirmar que "falamos muito e comunicamos pouco". Ao DN, disse ser preciso haver duas realidades que desembocam no mesmo desfecho: filhos mal amados (por excesso ou defeito) e ausência de regras. Assim, "estamos a criar ditadores que, quando novos, toda a gente acha graça", conotando os maus tratos com a forte personalidade da criança.

Depois, em jeito de compensação pela inexistência de diálogo, os pais cedem aos caprichos dos filhos. É o consumismo, a rápida satisfação dos pedidos. Ora, este imediatismo "vai minando o processo educativo. Hoje, nada dá trabalho. Nem é preciso uma alavanca para abrir e fechar os vidros do carro", ilustrou João Belchior.

No entender deste técnico, proliferam os bodes expiatórios. Por exemplo, a falta de tempo. Porém, o mesmo não sucede na altura dos adultos acompanharem jogos de futebol, tão-pouco quando invadem os centros comerciais.

Neste sentido, acentuou o director do colégio de crianças carenciadas, "o facilitismo reflecte-se nas emoções". Na era da comunicação, disse, "nunca estivemos tão sós. Fala--se com o vizinho através da Net". Urge, assim, "criar um equilíbrio, resgatar o bom-senso". Daí os participantes neste encontro defenderem uma lógica de permuta de mais-valias e de conhecimentos entre instituições. Ou seja, uma colaboração mais orgânica em que a família esteja presente, mesmo na escola.

As contradições são muitas. Em um colégio de crianças carenciadas, "os jovens usam telemóveis topo de gama, superiores ao do director".

Manual de Matemática ganha medalha de ouro

Diário de Notícias - 28 Nov 08

Manual de Matemática ganha medalha de ouro
João Paulo Mendes

Distinção. Texto Editores vence concurso europeu

Livro da autoria de três professores portugueses premiado entre 17 obras

Um livro de Matemática para o primeiro ano do ensino básico, da autoria de três professores do Agrupamento de Escolas de Águas Santas, na Maia, foi premiado com a medalha de ouro num concurso europeu onde foram avaliados 17 manuais escolares. O galardão, atribuído pela European Education Publishers Group (EEPG) durante a Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, distingue os melhores editores, autores e designers gráficos da Europa, tendo por objectivo promover a excelência e qualidade nas publicações voltadas para o ensino.

Editado pela Texto Editores, o Clube dos Cinco - Matemática 1.º Ano, que concorreu na categoria Primary (primeiro e segundo ciclos), bateu todas as outras publicações aos pontos, nomeadamente por ser um manual que parte de situações do quotidiano, não ser maçudo, ter exercícios adequados à faixa etária a que se dirige (6-10 anos) e ilustrações bem conseguidas.

A trabalharem juntos há seis anos, esta é a primeira vez que Alberta Rocha, Carla do Lago e Manuel Linhares recebem um prémio internacional pelas suas obras. Os professores, com idades entre os 41 e os 51 anos, foram apanhados de surpresa, mas consideram o prémio da EEPG justo. "Foi uma surpresa muito grande, até porque nenhum de nós sabia que a editora tinha concorrido com o manual", disse ao DN Carla do Lago, acrescentando: "É o reconhecimento do nosso trabalho, por isso estou bastante satisfeita com o prémio e, honestamente, acho que o merecíamos." Segundo esta professora, que ensina Matemática "com paixão" aos alunos do terceiro ano da Escola da Pícua, "trata-se de um manual muito bem conseguido, que respira por si, atraindo a atenção das crianças". Para tal, "muito contribuíram as ilustrações de Carla Nazareth", afirmou.

Aliás, as ilustrações são, de acordo com Manuel Linhares, "uma grande mais-valia" desta obra, "a par das situações do dia-a-dia abordadas no manual". O professor, que lecciona na EB1 de Moutidos, considera que "nos últimos anos se fez um esforço grande para conseguir que as crianças tenham gosto pela Matemática", deixa no entanto um alerta, seguido de um conselho: "Os manuais são só um instrumento ao serviço do professor, mas não o substitui. Quem ensina Matemática deve procurar inovar, afastando a imagem negativa que tinha e que, de certa forma, ainda tem."

A outra autora, actualmente a desempenhar funções de vice-presidente do conselho executivo da EB1 de Moutidos, considera o prémio "um orgulho para Portugal". Os critérios de selecção da EEPG, disse Alberta Rocha, "vieram ao encontro das nossas preocupações".

Alberta Rocha considera que o ensino da Matemática "tem evoluído bastante", por isso, disse, "os alunos, sobretudo os mais novos, gostam cada vez mais desta disciplina".

Alcoólicos são cada vez mais jovens

Portugal Diário - 26 Nov 08

Alcoólicos são cada vez mais jovens
E têm patologias cada vez mais graves. Consumo de álcool está frequentemente associado ao de cannabis e outras substâncias
Luísa Melo

Os novos alcoólicos têm entre 20 e 30 anos, iniciaram o consumo por volta dos 15 anos e com bebidas muito graduadas (os shots, por exemplo) e quando aparecem nos serviços de saúde à procura de tratamento já têm patologias muito graves. É o resultado da alteração dos comportamentos sociais e de uma sociedade que continua a ser muito permissiva com o consumo de álcool.

A psiquiatra Célia Franco, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, uma unidade que trabalha há 14 anos com este tipo de dependência, explicou ao IOL PortugalDiário que «a dependência ao álcool registou uma mudança de padrão. Há uma década os alcoólicos dependentes tinham entre 40 e 50 anos e consumiam aguardente, vinho e cerveja. Hoje estão na casa dos 20/30 anos e o consumo surge muitas vezes associado a cannabis e outras substâncias e tem como objectivo obter um estado alterado de consciência».

Jovens sabem pouco sobre riscos do álcool, mas não admitem

Quando chegam ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, explica Célia Franco, apresentam já várias alterações, como psicoses graves, alterações de personalidade e alterações de comportamento, nomeadamente episódios de violência concretizados em agressões contra terceiros e auto-mutilações.

O tratamento é longo e difícil com todo o tipo de alcoólicos, mas com os mais jovens, adianta aquela especialista ao IOL PortugalDiário, «é ainda mais difícil porque não têm uma vida estruturada e uma personalidade definida, o que provoca graves prejuízos para a sua saúde mental, e porque é mais difícil sair de um grupo onde quem não consome álcool é excluído».
O novo perfil de alcoólico dependente foi traçado durante o segundo dia de trabalhos do IV Congresso Nacional da Psiquiatria, a decorrer no Luso até 28 de Novembro. Durante a sua comunicação, a psiquiatra Célia Franco salientou ainda que faltam estudos que analisem o impacto desta dependência e de outras, nomeadamente as drogas e o tabagismo, cujos consumos estão associados.

Geóloga premiada por contributo para o ensino

Geóloga premiada por contributo para o ensino
João Paulo Mendes

Distinção. Prémio Nacional do Professor entregue a docente do Porto

Jacinta Moreira recebeu o galardão das mãos da ministra da Educação

A ministra da Educação entregou ontem o Prémio Nacional do Professor a Jacinta Moreira, professora de Biologia e Geologia da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto. Um galardão que distingue anualmente quem "contribui de forma excepcional" para a qualidade do sistema de ensino.

"Estou muito sensibilizada por me ter sido concedido este prémio", disse ao DN Jacinta Moreira. "Para mim, representa o reconhecimento do esforço que tenho feito ao longo da minha vida profissional e premeia o investimento emocional com os alunos", afirmou, acrescentando: "No fundo, o prémio simboliza a potencialidade positiva de regeneração do sistema."

Relação, acção e reflexão são, por esta ordem, os vértices do triângulo que enquadra a actividade desta professora de 46 anos. "O que move os professores que estão mais próximos dos alunos é uma relação de intimidade. A partir daí, a acção é fundamental, isto é, estabelece-se como resposta à relação. Depois vem a reflexão para voltar a agir", explicou Jacinta Moreira, que em 2001 tirou um mestrado no âmbito da Geologia, tendo-se doutorado no ramo das Ciências da Educação no ano passado.

"Com o meu trabalho tenho procurado contribuir para uma educação cada vez mais eficiente" e este galardão "é um estímulo" para continuar. "Continuar a experimentar e a inovar", frisou.

Por isso, e apesar de "ainda não saber exactamente o que fazer" com os 25 mil euros do prémio, "o mais provável é utilizá-lo em investigação". Segundo Jacinta Moreira, "estudar é muito caro, as propinas dos mestrados são elevadíssimas, portanto parte desta verba irá com certeza para enriquecer a minha formação", disse ao DN.

Quanto ao processo de avaliação de professores, e apesar de sempre ter defendido que a progressão na carreira não devia ser feita exclusivamente à custa do tempo de serviço, considera que o modelo proposto pelo ministério "enferma de algumas deficiências". O recuo da ministra na semana passada em relação a alguns dos pontos mais polémicos "abre um espaço, mas talvez não seja suficiente", disse, escusando-se a tecer mais comentários sobre o tema.

O prémio, que reconhece o mérito dos professores que contribuem de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino, quer no exercício da actividade docente, em contacto directo com alunos, quer na defesa de boas práticas com impacto na valorização da escola, foi entregue por Maria de Lurdes Rodrigues ontem de manhã na Casa da Música. Além de Jacinta Moreira, foram distinguidos mais quatro docentes nas categorias de mérito Carreira (Afonso Rema), Inovação (Carlos Pinheiro), Liderança (João Paulo Mineiro) e Integração (José Rocheta).

Sucesso escolar e exames nacionais

Público - 21 Nov 08

Sucesso escolar e exames nacionais
Fernando Nunes Pedro, Lisboa

Logo que o actual Governo PS tomou o poder, Sócrates foi à Finlândia estudar o segredo do sucesso escolar. Pesquisei e li vários textos sobre o benchmarking entre Portugal e a Finlândia. Curiosamente não vi aplicada qualquer ideia que tenha vindo de lá. Porventura seguiram algumas, mas "adaptadas", mal.

No que concerne a "avaliação", a base é a seguinte: a) toda a responsabilidade às escolas e aos professores; b) dignificação máxima da carreira de professor e c) avaliação segundo resultados dos alunos em exames nacionais.

Naturalmente devem dividir os resultados entre: 16 e 20; 13 e 15; 10 e 12; 8 e 10 e menos de 8. Aos que têm melhores notas corresponde um prémio de + 20% ou +10%. Entre 10 e 12 mantém-se a retribuição e abaixo de 10 haverá um conjunto de procedimentos tais como formação, ajuda interescola, prazos para melhoria até ao convite para mudar de profissão. As escolas de áreas de risco terão um factor K de adaptação ao contexto nacional.

Até aos meus 16 anos de idade fiz os seguintes exames nacionais: 4ª classe, admissão ao liceu; 2º ano do liceu; 5º ano; 7º ano e admissão à faculdade. Seis exames no total, e em Angola. Imagino o que não custaria fazer exames nacionais em todo o império português. O meu neto de 16 anos ainda não fez um único exame nacional!

A falta de exames nacionais não será exactamente porque o ministério e os seus funcionários viriam a ter muito mais trabalho? Ou é porque custa muito dinheiro? Mas sem investimento como é que se quer ter bom ensino?

A última aula deste sistema de ensino

Público - 19 Nov 08

A última aula deste sistema de ensino
Rui Ramos

Os sindicatos e movimentos de professores, se vencerem o ministério, estão condenados a cair com ele

Já aprenderam a lição? Tendo trocado os gabinetes e as salas de aula pelas ruas e conferências de imprensa, há meses que governantes e professores se esforçam por ensinar a toda a gente que o sistema público de educação, tal como existe, só pode ser um quebra-cabeças. Criado para ser a solução de todos os problemas, tornou-se o problema de todas as soluções. Talvez tenha chegado o momento de pensar radicalmente noutra coisa.

A educação foi sempre aquilo a que os políticos portugueses recorreram quando não sabiam o que fazer, ou não queriam fazer coisas mais complicadas. Desde há anos que a sabedoria internacional e nacional assentou no pacote de mudanças indispensáveis para dar aos portugueses novas oportunidades de enriquecer. Mas a maior parte - diminuir o peso do Estado, corrigir a rigidez e falta de concorrência dos nossos mercados, tornar a justiça eficiente - são reformas ingratas. Para qualquer governo, só duas das recomendações prometem boa disposição: construir estradas e povoar as escolas. Em ambos os casos, trata-se de gastar mais e criar empregos, o que agrada a todos.

Chegámos assim a ser um dos países europeus com mais auto-estradas e que, em relação à sua riqueza, mais despende com o sistema de ensino. Por volta de 2001, porém, houve que reconhecer que, quanto mais alcatroado e diplomado, menos o país prosperava. Voltou-se a falar das tais "reformas estruturais". Os mais hábeis, porém, logo descobriram como fugir à seringa. Por um lado, havia novas tecnologias para experimentar. Por outro lado, o sistema de ensino não estava a funcionar bem. Mais despesa não significara mais sucesso. Muita gente continuava de fora, e os resultados em testes internacionais eram humilhantes.

O actual Governo pôde assim voltar, com boa consciência, às soluções de sempre. Ao lado dos aviões e comboios, continuou a célebre "paixão da educação". Desta vez, no entanto, a abordagem foi menos agradável. O Governo aproveitou a centralização e burocratização do sistema estatal de ensino a fim de tentar, de cima para baixo, arrancar às escolas, com a menor despesa possível, os números necessários para poupar ao país as mais óbvias vergonhas estatísticas. O regime de avaliação dos professores ou o das faltas dos alunos foram peças dessa campanha de produtividade.

O ministério, para manter o actual sistema de ensino, precisa de provar que é reformável. Os professores, incomodados nas suas velhas rotinas e confortos, decidiram provar o contrário. A decorrente zaragata tem sido curiosa. Poucas vezes em Portugal se viu os dois lados de um debate precisar de recorrer tanto à hipocrisia: empenhado em remover as regalias e poderes da classe, o ministério jura no entanto ser "sensível" aos professores; os professores garantem que querem as "reformas", quando - como classe profissional envelhecida e sem a perspectiva de grandes recompensas - não têm verdadeiramente motivos para as desejar. Lá fora, o público, que não gosta dos professores ("privilegiados") e aprendeu a desconfiar das melhorias anunciadas pelo Governo, mantém-se geralmente céptico. O ministério, apesar das sondagens de opinião, e os sindicatos, apesar das marchas de fim-de-semana, fazem a guerra sozinhos.

A ministra da educação está para o actual sistema público de ensino como Marcello Caetano para o Estado Novo. Se falhar, perante os ultras do sindicalismo e da movimentação, vamos ver quase de certeza, nos próximos tempos, o 25 de Abril educativo que alguns andam a reclamar há anos: autonomia e governo próprio das escolas (já quase toda a gente aprendeu a falar disso), novas formas de financiamento (dirigido às famílias e não aos estabelecimentos de ensino), integração de escolas estatais e privadas num mesmo sistema público concorrencial, avaliação de escolas e professores baseada nos resultados dos exames, e por aí fora. É o que falta experimentar, e há-de provavelmente ser experimentado. Mais não seja, por simples falta de alternativa, depois do colapso das actuais reformas.

Os sindicatos e movimentos de professores, se vencerem o ministério, estão condenados a cair com ele, como aconteceu aos sindicatos e aos movimentos que em Inglaterra, em 1979, destruíram o governo de James Callaghan. Sem a obstinada e turbulenta resistência sindical às reformas do gabinete trabalhista, num país então estagnado como está agora Portugal, não teria sido possível a revolução thatcheriana da década de 1980. As grandes mudanças começam sempre assim, por linhas tortas. Historiador

Ministério da Educação ou o Reino dos Funcionários

Público - 18 Nov 08

Ministério da Educação ou o Reino dos Funcionários
Helena Matos

A educação em Portugal é um teatro do absurdo onde somos obrigados a mandar os nossos filhos a todas as sessões

A senhora ministra pediu desculpa aos professores mas esqueceu-se, ela e também os professores, que, para lá das acusações e pedidos de desculpa mais ou menos justificados que trocam entre si, aqueles a quem todos devem um pedido de desculpa são os portugueses. Exactamente, aqueles seres de quem nunca ninguém fala nesta discussão mas que pagam o ordenado da senhora ministra e respectivos secretários de Estado, sem esquecer os assessores e as mentes brilhantes da pedagogia alojadas na 5 de Outubro, os caciques das DREN, os sindicalistas vitalícios e os professores, estejam eles indignados ou não.

Apesar de tal ter deixado de ser referido há muito e de esta ministra ter feito quase ponto de honra de jamais falar do ensino em si mesmo para se dedicar quase em exclusivo à problemática dos funcionários, a verdade é que o Ministério da Educação não nasceu para empregar professores. O Ministério da Educação tinha como objectivo a educação e instrução das gerações mais novas. É certo que o ministério foi ganhando um fastio que posteriormente se transformou em irritação à transmissão de saberes. O ministério sonhou brincar às famílias e fazer de conta que era o melhor amigo dos alunos, quis ser divertido como os circos e lúdico como a praia. Mas por mais disparatadas que fossem as modas pedagógicas elas ainda se destinavam aos alunos, aqueles que, repito, constituem a razão de ser do Ministério da Educação. Ou constituíam porque o peso da máquina acabou por se tornar a razão de ser do próprio ministério. É essa máquina que em boa parte dita a sorte ou a desgraça dos ministros. Por outras palavras: se Lurdes Rodrigues tivesse deixado tudo mais ou menos na mesma, ou se tivesse optado por avaliar todos os professores com bom, como fez Alberto João Jardim na Madeira, teria uma vida tranquilíssima. (O silêncio dos professores perante este abuso de poder daquele governo regional é simplesmente vergonhoso. Se Alberto João perdesse parte da esperteza política que o caracteriza, o que duvido que venha a acontecer, no próximo ano corria os professores daquela ilha a medíocre e talvez assim os docentes recuperassem a fala nesta matéria!)

Aquilo que, neste momento, sucede no Ministério da Educação pouco ou nada tem a ver com ensino e muito menos é uma luta de trabalhadores no sentido convencional do termo. Aliás, convirá recordar que o que chamávamos contestação laboral, reivindicações de trabalhadores face ao patronato e atitudes quejandas são cada vez mais acontecimentos do Canal Memória. Actualmente a indignação perante a figura do patrão só surge quando este pretende deixar de o ser, ou seja, quando desaparece, encerra as empresas ou pretende fazer despedimentos.

Quase sem darmos por isso, a conflitualidade laboral foi transferida do sector privado para o Estado. E aí o que temos são guerras entre funcionários. Estas têm aspectos perversos como os que vimos naquela manifestação em que professores estiveram lado a lado com alunos que atiravam ovos à ministra ou quando o Governo, transformado numa espécie de assembleia de "primeiros-funcionários", desautoriza perante a opinião pública os grupos profissionais com quem vai ter de negociar, sejam eles os juízes ou os professores. As consequências disto vão custar-nos caríssimo.

Outra das características desta conflitualidade entre funcionários é que estes nunca ponderam questões tão prosaicas quanto o impacto real das suas acções, ou seja, se a ministra da Educação dirigisse um colégio privado saberia não só que o modelo de avaliação que escolheu não serve para nada, como também não ignoraria que impor uma reforma tão atabalhoadamente como fez a condenaria rapidamente à falência. Mas a senhora ministra está isenta dessa preocupação. No fim, o contribuinte que em nós ocupa cada vez mais o lugar do cidadão pagará as consequências da reforma mais os estudos para uma outra reforma que terá de colmatar os erros desta, os destacamentos dos sindicalistas que vão contestar as reformas futuras e defender as passadas... O pior é que o "cidadão quase só contribuinte" neste ano lectivo de 2008/2009 também tem de pagar as explicações aos filhos para compensar a desmotivação dos professores, quiçá as greves, ou simplesmente as consequências da opção maciça pela reforma que está a deixar disciplinas vitais sem professor em muitas escolas.

O que actualmente sucede na educação em Portugal é uma espécie de teatro do absurdo, quer pela natureza da peça em si mesma - os arrazoados incongruentes designados como programas -, quer ainda porque não só somos obrigados a custear as representações como igualmente obrigados a mandar os nossos filhos a todas as sessões. A estrutura mastodôntica e centralizadíssima do Ministério da Educação dá à ministra e aos sindicatos um protagonismo e um poder únicos que certamente farão muito bem ao seu ego de funcionários, mas que se servem vergonhosamente dos alunos como o quórum indispensável.

Não duvido que os professores devem ser avaliados mas o critério mais fiável de avaliação dos professores é a procura que a escola onde leccionam tem por parte das famílias. Mas disso, ou seja, da possibilidade de as famílias escolherem entre público e privado, graças ao cheque-ensino, ou mesmo dentro do público escolherem a escola que pretendem simplesmente porque esta pode contratar os professores que quer, funciona bem e não porque é aquela que a sua morada determina, nem a ministra nem os sindicatos querem ouvir falar. Afinal, se há alguma coisa em que todos os "primeiros-funcionários" - chamem-se eles Maria de Lurdes Rodrigues ou Mário Nogueira - estão de acordo é que o poder pode dividir-se entre eles, podem até lutar por ele na rua, mas o que não podem aceitar é perdê-lo para outros.

No dia em que se permitir às famílias escolherem as escolas para os seus filhos, seja entre escolas públicas e privadas ou entre diferentes modelos no público, nesse dia começa a desmantelar-se a máquina da 5 de Outubro, a reconduzi-la aos seus objectivos - o ensino - e a reduzi-la a uma escala aceitável, nesse dia o poder dos funcionários esvai-se como um balão.

a "Afinal os Beatles eram capitalistas?", perguntava-se há tempos no P2. A pergunta servia para fazer uma referência à opinião do historiador David Fowler sobre este grupo "da contracultura" nas palavra do PÚBLICO, mas que para Fowler "eram jovens capitalistas" que "exploravam os jovens promovendo uma cultura cega de adoração dos fãs". Os Beatles e muitos outros artistas conseguiram, com poucos meios, criar-se enquanto marca e ganhar fortunas. Aliás, não só ganharam muito dinheiro como o exibiram dum modo que os capitalistas dos sectores tradicionais já não ousavam: quem senão um artista como Lennon podia passear com um casaco revestido a cabelo humano e convidar a imprensa para assistir a acontecimentos supostamente chocantes nas melhores suites de hotéis de luxo? Curiosamente esta dificuldade em tratar o dinheiro daqueles que se dedicam às artes duma forma séria leva a paradoxos como este - que alguém diga que os Beatles foram capitalistas bem sucedidos é notícia - ou então causa admiração que um escritor como Eça de Queirós tenha abordado questões de dinheiro, ou mais precisamente da falta dele, nas últimas cartas que enviou à sua mulher. Para o semanário Sol, que transcrevia uma dessas cartas, tal assunto era insólito.

O único insólito que aqui se avista nessa página do Sol é o facto de quem escreveu isso não ter lido a correspondência de Eça para a mulher e para os amigos. Se o tivesse feito, saberia que o dinheiro é assunto omnipresente nessas cartas. Provavelmente Eça, como não foi capitalista, escrevia muito sobre o dinheiro que não tinha. Sem dúvida os Beatles foram bem mais afortunados. Ou, se se quiser, capitalistas bem sucedidos.

Ensino público, escolas privadas e justiça social

Público - 03 Nov 08

Ensino público, escolas privadas e justiça social
José Manuel Fernandes

O problema da escola pública não está nos rankings: está nas políticas do ministério, na falta de autonomia das escolas e nos limites à liberdade de escolha dos pais. Mas até a forma kafkiana como se está a impor a avaliação dos professores está a contribuir para a sua degradação

Como ontem escrevia António Barreto neste jornal, "a publicação de todos os resultados nacionais, seguida da elaboração dos rankings respectivos, transformou-se num hábito, em breve será uma tradição". E o suplemento que hoje editamos, onde à análise dos resultados juntámos testemunhos, opiniões e reportagens, comprova que, devidamente trabalhado, este exercício de transparência lança luz sobre o nosso sistema de ensino, ajuda as escolas e os professores, é apreciado por pais e alunos, estimula as autarquias a terem um papel mais activo e impede o ministério e o poder político do momento de manipular grosseiramente os resultados (mas infelizmente não o tem levado a apoiar mais, como devia, as escolas que mostram mais debilidades).

Mais: ao contrário do que muitos defendem, estas listagens podem ser um instrumento de justiça social. Só é necessário que sirvam para nivelar por cima, não para nivelar por baixo.

O princípio básico da justiça social é que todos nascem iguais - não é que todos são iguais. O que a justiça social procura é garantir que, mesmo tendo nascido em ambientes sociais diferentes, ninguém que tenha talento, que seja trabalhador, que procure ser melhor fique para trás apenas porque nasceu no bairro errado, ou no concelho errado. O que o serviço público de educação visa garantir é que os que mais podem contribuir para a sociedade - como cientistas ou como empresários - não são excluídos. Ou seja, que todos beneficiam das mesmas oportunidades. Uns saberão aproveitá-las, outros não, mas isso faz parte da natureza das coisas. Deste princípio decorre que o sistema de ensino ou as políticas públicas de educação devem garantir que ninguém fica de fora e, ao mesmo tempo, que os melhores podem progredir até ao limite das suas capacidades.

Isto significa que o sistema deve ser igualitário no acesso mas discriminante no sucesso. Exactamente o contrário do que tem sucedido com o nosso sistema de ensino.

Ao contrário do que disse sexta-feira a ministra da Educação, os rankings não resultam de nenhuma "conspiração" contra a escola pública, mesmo revelando que no topo das tabelas surgem sobretudo escolas privadas. O que os rankings mostram, e muitas das respostas aos inquéritos que enviámos a dezenas de escolas confirmam, é que nas escolas privadas há uma flexibilidade de gestão que não existe nas públicas. De uma forma geral, nestas os resultados obtidos pelos estudantes são melhores não porque escolham os alunos (quem se pode dar a esse luxo?), mas porque os pais que podem tendem a preferir as escolas privadas. Porquê? Porque não confiam nas públicas, não em todas, mas em bastantes. Neste caso "poder" significa "poder pagar", e ao permitir que se estabeleça esta diferenciação entre as escolas públicas e as privadas o ministério está a negar a igualdade de oportunidades. Pior: está a agravar as desigualdades.

Ora é necessário perceber por que motivos muitas escolas públicas têm perdido qualidade - e, provavelmente, ainda vão perder mais qualidade. A primeira de todas as respostas está na falta de real autonomia dessas escolas, uma autonomia que as liberte da burocracia imposta de cima para baixo pelo Ministério da Educação e, em contrapartida, as ligue mais às comunidades locais, às autarquias, aos que devem integrar a comunidade educativa.

Não é isso que tem sucedido: a regra é o ministério multiplicar normas e acrescentar trabalhos burocráticos, estabelecendo critérios cegos às realidades locais. Um exemplo acabado disso é o kafkiano processo de avaliação dos professores que está mal não por existir - todos os trabalhadores devem ser avaliados - mas por ter sido construído de forma absurda. Uma das reportagens que realizámos para esta edição apanhou um caso exemplar, o da professora Ana Paula Costa da EB 2,3 e Secundária Pascoal José de Mello, em Ansião. Ela ensina Matemática e conseguiu que os seus 29 alunos alcançassem uma média que os colocou em 10.º lugar a nível nacional. Isto quando a escola, nas oito disciplinas consideradas no nosso ranking, ficou em 362.º lugar. Devia estar orgulhosa, mas, como disse ao PÚBLICO, "'não, não é o orgulho' que lhe faz tremer as mãos, mas a amargura: 'É incrível, mas se o modelo de avaliação do desempenho estivesse em vigor no ano passado, o sucesso dos meus alunos faria com que eu não passasse do 'suficiente'...'"

Incrível de facto. Mas bem possível para quem há anos denuncia o autismo do ministério e, no que toca ao processo de avaliação, critica a arrogância e autoritarismo napoleónico da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

Inutilmente, pois a actual titular da pasta vê números, não vê pessoas nem vê escolas. E, ao seguir cega e surda, mas pouco muda, ignora uma outra realidade detectada pelos jornalistas do PÚBLICO: a deserção de muitos dos melhores professores, pelo menos dos que podem ir para a reforma com um prejuízo mínimo. O que traz instabilidade às escolas, o que degrada a sua qualidade, mas o que também poupa dinheiro. E, por vezes, até agrava as desigualdades já existentes, pois alguns dos bons que desertam são depois acolhidos no ensino privado.

Divulgar os rankings é uma conspiração contra a escola pública? Talvez seja melhor procurar os culpados lá para os lados da Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, onde fica a sede do ministério...

Uma proposta diferente para a avaliação dos professores

RR on line, Página 1 - 14 Nov 08

Uma proposta diferente para a avaliação dos professores

Fernando Adão da Fonseca, Presidente do Fórum para a Liberdade de Educação

Paira actualmente uma nuvem negra sobre a educação das crianças e dos jovens portugueses por causa da avaliação de professores.

Muitos professores queixam-se que o modelo de avaliação aprovado pelo Ministério é excessivamente burocrático e cria potenciais situações de injustiça, com as inerentes repercussões ao nível do concurso de colocação e da progressão na carreira. O Ministério, por sua vez, acusa os críticos de não proporem um modelo de avaliação alternativo.

Estão assim criadas as condições para um extremar de posições, que muito irá prejudicar a educação de muitas das nossas crianças e jovens.

Mas será que não temos nada a aprender com outros países onde a qualidade de educação devia ser motivo de ambição para nós, portugueses? Ontem, quarta-feira (12 de Novembro), teve lugar na Fundação Gulbenkian um Encontro organizado pelo Fórum para a Liberdade de Educação (www.liberdade-educacao.org) sobre “A Reforma do Sistema de Ensino da Nova Zelândia”, tendo a avaliação de professores merecido uma atenção especial por parte dos presentes.

Se a razão de ser das perguntas era óbvia, as respostas desarmaram a assistência. É que na Nova Zelândia não existe um sistema de avaliação centralizado. Não que os professores não sejam avaliados, longe disso. Para poderem leccionar, os professores têm de estar inscritos no New Zealand Teachers Council, inscrição que é precedida de um período de ensino acompanhado e supervisionado durante dois anos e deve ser renovada cada três anos.

Onde está a diferença? Está no facto de não existir um modelo de avaliação único, imposto a todos os professores. Existe apenas um quadro geral de avaliação (national framework) e um conjunto de indicações (guidelines) que impedem a arbitrariedade, mas a avaliação é da responsabilidade do director da escola onde cada professor lecciona, e este tem ampla liberdade no modo como a faz. A justificação por esta opção é simples: não existe uma avaliação de desempenho que seja perfeita em todos os casos, mas ninguém está em melhor posição do que ele para avaliar da competência dos professores que leccionam na escola pela qual ele é o primeiro responsável. Em qualquer caso, desde que sejam cumpridos os mínimos de desempenho, o resultado da avaliação não tem influência na progressão na carreira, que depende exclusivamente do número de anos de ensino. Apenas influencia, o que é importante, a plausibilidade de nomeação para o desempenho funções de coordenação pedagógica ou outras no interior daquela escola, com significativo acréscimo salarial.

Naturalmente que este sistema de avaliação totalmente descentralizado só é possível num contexto, como é o neozelandês e de muitos outros países que estão na vanguarda da qualidade da educação para todos, em que as escolas têm total autonomia na sua gestão, incluindo a selecção e contratação dos professores. Tal não impede que, uma vez contratado por uma escola, um professor apenas deixe de o ser se for demonstrada a sua completa incompetência ou se a escola que o contratou deixar de ter alunos, o que só acontece se a qualidade do seu ensino se deteriorar a ponto de a escola ser rejeitada pelas escolhas dos alunos e das suas famílias.

Estão, assim, criados os incentivos para professores e directores das escolas tudo fazerem para que a formação contínua e o apoio à melhoria do desempenho pedagógico seja uma prioridade e a avaliação do desempenho dos professores tenha como principal objectivo identificar as áreas de melhoria de cada um.

Soa a utopia, e sem dúvida que vem dos antípodas, mas o sistema de ensino neozelandês nem sempre foi assim. Simplesmente, há 20 anos, este país teve a coragem de fazer a reforma que, embora não seja uma panaceia para todas as dificuldades, tem demonstrado ser condição sine qua non para que a permanente procura da qualidade do ensino de todas as crianças e jovens sem excepção, principalmente dos menos favorecidos, possa ser fecunda. Que reforma foi essa? Foi acabar com a maior parte das direcções centrais e todas as direcções regionais de educação e devolver as escolas às comunidades locais. Se dúvidas houvessem, os dados do PISA-OCDE colocam a Nova Zelândia no topo, quer no que respeita à literacia quer no que respeita à numeracia. E claro, passou a ser escusado gritar contra o ministério da educação, este ou qualquer outro, pois foi quem mais perdeu poder com a reforma: o poder passou para as escolas e o conselho de administração das escolas é maioritariamente composto por personalidades eleitas pelos pais dos alunos. De uma simplicidade desconcertante, mas que explica a qualidade do ensino neozelandês.

Se eles conseguiram, porque é que nós não conseguimos também? Creio que podemos e devemos dizer “Yes, we can!”.

Internet: Filtros para proteger crianças são inúteis

Público última hora - 22 Out 08

Conteúdos violentos e pornográficos
Internet: Filtros para proteger crianças são inúteis

O presidente do Observatório Europeu de Televisão Infantil (OETI), Valenti Gómez i Oliver, afirmou ontem que os filtros da Internet para protecção de menores da pornografia e violência são inúteis e sublinhou a importância da educação.

"Os filtros contra os conteúdos pornográficos e violentos na Internet são inúteis porque se ultrapassam", explicou Valenti Oliver em Lisboa, durante uma conferência.

O presidente do OETI afirmou ser essencial promover a educação como uma ferramenta de prevenção da violência na juventude, pois através dela as crianças aprendem a distinguir "os bons dos maus".

"Apenas os países nórdicos incluem nos seus programas de ensino a alfabetização digital. Nós [Portugal e Espanha] deveríamos fazer o mesmo", disse.

Uso de doping entre os jovens está a aumentar

Portugal Diário - 16 Out 08

Uso de doping entre os jovens está a aumentar
Problema pode ter enormes repercussões em termos de saúde pública, diz especialista

O uso de substâncias dopantes na adolescência é um problema que está a progredir junto da população escolar portuguesa, podendo ter enormes repercussões em termos de saúde pública, alertou esta quinta-feira um membro da Conselho Nacional Antidopagem (CNAD).

Falando no âmbito do 9º Congresso Nacional de Pediatria, a decorrer no Porto, Luís Horta, membro do CNAD e especialista em medicina desportiva e fisiatria, afirmou que o uso de esteróides anabolizantes é já «um problema de saúde pública em alguns países».

Segundo referiu, a utilização destas substâncias nos ginásios e nas escolas dos países mais desenvolvidos atinge dimensões muito preocupantes, sendo que em Portugal o problema não pode ser negado.

«A ponta do iceberg»

«O problema é que, para já, só estamos a ver a ponta de cima do iceberg», disse, acrescentando que quando as consequências mais nefastas do uso destas substâncias aparecerem poderá ser tarde demais. No seu entender, os malefícios aparecem dentro de 10 a 20 anos e é preciso sensibilizar o quanto antes para este problema, de modo a «evitar o que aconteceu com o excesso de peso e a obesidade».

Luís Horta apontou a globalização como um «mecanismo de propagação rápida e de difícil controlo da problemática», uma vez que estas substâncias dopantes estão muitas vezes a um simples clicar do rato, via Internet.

Para resolver o problema da utilização de substâncias dopantes fora do desporto de competição, o especialista defendeu a aposta nas iniciativas informativas e educativas, bem como a promoção de boas práticas e o financiamento de estudos no âmbito das ciências sociais.

Influência dos vídeo-jogos

«Há necessidade de se realizarem estudos aos nível das ciências sociais para que se perceba, por exemplo, que importância podem ter os vídeo-jogos ou as personagens de banda desenhada» nos adolescentes e no consumo destas substâncias, frisou.

De acordo com um estudo canadiano sobre a existência do problema a nível escolar, publicado em 1993, cerca de 50 por cento dos jovens utilizadores referiram a melhoria do rendimento desportivo, mas a outra metade referiram também desejar a melhoria da sua imagem corporal.

Escolas vão reciclar equipamentos electrónicos

Portugal Diário - 20 Out 08

Escolas vão reciclar equipamentos electrónicos
«Escola Electrão» surge no âmbito do programa Amb3E

Depois das pilhas e dos resíduos de embalagens de plástico ou cartão, as escolas do ensino básico (2º e 3º ciclos) e secundário vão começar também a recolher equipamentos eléctricos e electrónicos em fim de vida e a habilitar-se a ganhar material didáctico, informa a agência Lusa.

«Escola Electrão» é um programa da Amb3E, a entidade responsável pela recolha de frigoríficos ou aparelhagens velhas, micro-ondas e lâmpadas, que pretende sensibilizar e envolver professores, alunos, funcionários, pais e comunidade em geral, no esforço global da reciclagem e valorização dos equipamentos eléctricos e electrónicos em fim de vida.

Segundo a Amb3E, o programa Escola-Electrão - que decorre até Junho de 2009 - já recebeu a inscrição de 200 escolas do país que se habilitam a ganhar computadores, projectores, máquinas fotográficas ou câmaras de filmar se conseguirem depositar a maior quantidade destes equipamentos nos Pontos Electrão que serão colocados nas escolas para que pais e alunos possam lá depositar os equipamentos.

Professores «saturados» reformam-se antes do tempo

Portugal Diário - 08 Out 08

Professores «saturados» reformam-se antes do tempo
Quatro mil docentes pediram a reforma este ano, o dobro do que no ano anterior

Cerca de quatro mil professores e educadores de infância pediram reforma em 2008, numa média de 400 por mês, avança a edição desta quarta-feira do Jornal de Notícias. Comparativamente, todos os meses reformam-se o dobro dos professores do que no ano anterior.

Segundo o jornal, muitos docentes optam mesmo pela reforma antecipada, apesar de perderem regalias. Ao todo e quando ainda faltam dois meses para o fim do ano, já pediram a reforma 3821 professores e educadores de infância. Sendo que os meses com mais reformas concretizadas foram Setembro (com 510) e Agosto (com 485) e o mês com menos reformas foi o mês de Maio (126).

«Os professores estão saturados e desmotivados e, por mais que tentemos que não saiam prejudicados querem a reforma de qualquer maneira e com qualquer idade», disse ao JN Teresa Maia Mendes, do Sindicato de Professores do Norte.

Esta docente auxilia os professores a calcularem quais os termos em que se poderão reformar e, por isso, conhece bem os motivos. Na sua opinião, «muitos professores, especialmente os que estão em topo de carreira, não estão a conseguir aguentar o ritmo da escola e dizem que mais vale sair com qualquer coisa porque, com o desgaste que estão a ter, vão acabar é no cemitério antes da idade da reforma».

«Temos muitos pedidos de ajuda para a reforma antecipada e, mesmo avisando que vão ter uma quebra enorme com a aposentação, eles dizem que o clima nas escolas está impraticável e que não há maneira de dar a volta. Por isso, raramente mudam de opinião e fogem em frente», explicou.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Primeira alteração à lei nº 30/2002, de 20 de Dezembro que aprova o estatuto do aluno

A Lei nº3/2008 é a primeira alteração à lei nº 30/2002, de 20 de Dezembro que aprova o estatuto do aluno.

Chamamos a atenção para o seu artigo 22º

http://dre.pt/pdf1s/2008/01/01300/0057800594.pdf

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

MOÇÃO A FAVOR DA SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO

Exmoº Senhor Presidente do Conselho Pedagógico
da Escola Secundária de Severim de Faria,

Constatam os docentes deste estabelecimento de ensino que o Modelo de Avaliação proposto pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008, a que todos estamos sujeitos durante este ano lectivo, prova ser um modelo, acima de tudo, inexequível, burocratizado e gerador não da qualidade que se deseja, mas de inevitáveis conflitos entre pares, não contribuindo para um melhor funcionamento da Escola, para a sua estabilidade ou para o sucesso dos alunos, mas sim para a sua descredibilização e degradação.
Este Modelo de Avaliação, penalizador para todos os seus intervenientes também não foi criado, a nosso ver, com o objectivo de melhorar as práticas docentes, mas para influenciar o resultado escolar dos alunos: o docente é directamente responsabilizado pelo sucesso ou insucesso dos alunos e da Escola quando, de facto, as avaliações são apenas propostas em Conselho de Turma, órgão que decide a avaliação final de cada aluno.
Outro dos objectivos deste Modelo é o de preencher ou esvaziar lugares, em cotas previamente estabelecidas, no que respeita a classificações mais elevadas, servindo interesses economicistas. O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, gerando nas escolas situações de injustiça e parcialidade, devido aos “acertos” impostos pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, estipuladas pelo Despacho n.º 20131/2008, e que reflectem claramente o objectivo economicista de um Modelo não formativo, mas classificativo e limitador da progressão na carreira. E como serão atribuídos os Muito Bons e Excelentes quando o Modelo não é equitativo e não tem em consideração as diferentes variantes e variáveis a que o docente está sujeito em cada ano lectivo? De acordo com a legislação sobre matéria de concursos que se prepara para ser implementada, os professores em situações futuras de concurso, poderão vir a ser prejudicados, visto que a referida legislação pretende adulterar a graduação profissional dos professores através da introdução desta nova variável, a classificação obtida na avaliação de desempenho.
Sendo um Modelo complexo, complicado e confuso que rouba cada vez mais tempo à preparação efectiva do trabalho lectivo, à reflexão necessária à ponderação de tantos aspectos que não são “contáveis” nem “contabilizáveis” na relação pedagógica com os alunos, são várias as questões que se nos colocam, que o tornam injusto e impraticável, não valorizando, mas penalizando, de facto, o trabalho dos docentes.
Não se questiona a necessidade da avaliação do desempenho e considera-se de grande importância que esta questão seja debatida, a nível nacional, por todos os seus intervenientes na busca de um Modelo justo e amplamente discutido e aceite pelos docentes.
Questiona-se, sim, que a avaliação de desempenho e a progressão na carreira dos docentes seja baseada em itens, como o abandono escolar (directamente ligado ao background sócio-económico e familiar do aluno), o sucesso alcançado (sem ter em consideração que cada aluno e turma têm as suas especificidades) e a avaliação final dos alunos (da responsabilidade do Conselho de turma e não do docente em si) .
Questiona-se, também, o tipo de avaliação preconizada, isto é, entre pares. Qualquer especialista em avaliação aponta, como princípio básico, que NUNCA a avaliação deve ser efectuada por pares, pois é geradora de conflitos e de mal-estar entre colegas, de uma carga maior de parcialidade, podendo criar desigualdades e injustiças entre avaliados:
- a maioria dos avaliadores não recebeu formação adequada para avaliar os seus pares, não tem qualquer experiência a esse nível, não vai ser avaliado, como previsto, por um inspector, existindo também a situação de vários avaliadores serem de grupos disciplinares diferentes dos avaliados, não ficando garantida a equidade e justiça necessárias a um processo de avaliação;
- a avaliação dos professores vai ser realizada por outros professores, parte pessoalmente interessada na avaliação dos seus colegas. Se existem quotas para as classificações mais elevadas, que garantia de isenção e justiça nos pode merecer a avaliação feita? As observações de aulas e apreciação de materiais apresentados não serão feitas com base na amizade/inimizade pessoal? Quantos “ajustes de contas” se realizarão ao abrigo deste modelo de avaliação?
Não esquecer que, fruto dos critérios estabelecidos no primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular, a carreira foi dividida em dois patamares, a dos “professores titulares” e a dos “professores”, valorizando-se apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma. Ficaram de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas muitas injustiças. Criaram-se nas escolas situações incríveis como, por exemplo, alguns avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior à dos avaliados.
Questiona-se, ainda, a quantidade e variedade de reuniões, planos, relatórios, grelhas, dossiers, portefólios e todo um conjunto de documentos que burocratizam todo o processo e afastam os professores da função científico-pedagógica inerente à sua profissão, para além de lhes aumentar descontroladamente a carga horária que fica muito acima das trinta e cinco horas semanais de trabalho.
Questiona-se essa carga horária, não apenas no número de horas previsto para o trabalho individual, que é manifestamente insuficiente face à quantidade de tarefas que se exige, desde a planificação às estratégias, à elaboração e correcção de todo o tipo de testes, à reformulação do trabalho, mas também às horas previstas para os avaliadores planificarem, acompanharem, observarem, reflectirem, avaliarem (quarenta e cinco minutos por semana) e serem, ainda, coordenadores de Departamento, Directores de Turma, Membros da Comissão de Avaliação, participarem no Conselho Pedagógico ou noutras comissões, para além de serem, também, docentes das suas turmas, com todo o trabalho a isso inerente. E que dizer do facto da delegação de competências estar agora dependente da publicação do orçamento de estado…?

Estas e muitas outras questões, que estão subjacentes a este Modelo, levam a que os docentes desta Escola estejam solidários e concordantes num sentimento comum de desagrado e total discordância do mesmo, decidindo solicitar ao Conselho Pedagógico:

1 – uma tomada pública de posição contra o Modelo de Avaliação preconizado pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008;
2 – que exija ao Ministério da Educação a suspensão imediata de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação preconizada por este modelo, enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que enfermam o referido modelo de avaliação não forem clarificadas e corrigidas por parte do ME, ainda que, no presente ano lectivo, o modelo se encontre, apenas, em regime de experimentação, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do desempenho profissional dos seus agentes;
3 – que se cumpra rigorosamente o horário de trabalho fixado por lei, respeitando também escrupulosamente, as suas diferentes componentes;
4 – a ampla divulgação desta Moção a favor da Suspensão da aplicação do Modelo de Avaliação.

Escola Secundária de Severim de Faria, 24 de Outubro de 2008

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Apoio aos mais pobres paga livros mas não material escolar

Público - 30 Ago 08

Apoio aos mais pobres paga livros mas não material escolar

Andreia Sanches

As famílias carenciadas recebem até 12,5 euros para material escolar, mas o custo do cabaz é maior.

Por vezes as escolas exigem de mais, dizem os pais

Réguas, marcadores, borrachas, mochilas - as que têm a marca da série Morangos com Açúcar são especialmente populares. E contas de cabeça. Muitas. Ana Dias, 33 anos, doméstica, tem dois filhos no 1.º ciclo do ensino básico e não precisa de máquina de calcular: "Em livros vou gastar cerca de 40 euros... Não sei se são todos obrigatórios, são os que me pediram. Duas mochilas custaram 30 euros. Agora, falta o resto do material escolar."

Feitas as contas a tudo o que acha que os dois filhos precisam, conta gastar 150 euros. "É muito", desabafa, enquanto caminha com as crianças eufóricas por um dos múltiplos corredores dedicados ao "regresso às aulas" no Continente, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Não é a única. O ano lectivo começa entre 10 e 15 de Setembro, mas os pais já começaram a prepará-lo. Muitos aproveitam o que resta das férias para investir tempo (e dinheiro) nas negociações com os miúdos: compra-se este caderno de capa preta, a 58 cêntimos? Ou aquele que tem o desenho de uma aranha, é muito mais colorido, mas custa 2,49 euros?

De acordo com o novo diploma que rege a acção social escolar publicado este mês - e que permitirá, segundo o Governo, que o número de alunos apoiados tenha o maior aumento de sempre e atinja os 711 mil -, as famílias mais carenciadas (as que pertencem ao escalão A) têm direito a entre 100 e 140 euros para a compra de manuais (conforme o ano de escolaridade) e a entre 11 e 12,50 euros para comprar material escolar. Quem está no escalão B tem direito a cerca de metade.

O objectivo Governo, lê-se no diploma, é dar mais um passo no sentido da "progressiva gratuitidade dos manuais escolares do ensino básico para os alunos de famílias carenciadas". Será que chega?

O assessor de imprensa do Ministério da Educação (ME), Rui Nunes, faz saber que as quantias fixas para as famílias mais pobres para compra de livros "só são ultrapassadas com a aquisição dos manuais de Educação Física, Educação Visual e Tecnológica e Educação Musical, dos 5.º e 7.º anos".

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) não divulgou ainda o custo médio do cabaz dos manuais escolares obrigatórios para cada ano de escolaridade. Mas tendo em conta os valores médios apresentados no ano passado e os aumentos permitidos para este, estima-se que um aluno do 2.º ciclo precise de, em média, 80 euros para comprar os manuais essenciais. E no 3.º ciclo de 137 euros.

Estes montantes não incluem o custo dos livros de fichas. Nem dos manuais de Educação Musical, Educação Física e Educação Visual - que só deixarão de ser obrigatórios em 2010, mas que, segundo a APEL, poucos alunos compram. E também ocultam o facto de, dentro de cada ciclo, haver grandes oscilações de ano de escolaridade para ano de escolaridade.

Já no ensino secundário é mais difícil fazer contas. A APEL não costuma divulgar o custo do "cabaz médio" neste nível de ensino face ao grande número de disciplinas e de títulos no mercado.

20 euros em cadernos/afins

As famílias mais pobres com filhos no 10.º, 11.º ou 12.º anos receberão 120 euros de apoio. Vasco Teixeira, da APEL, admite que o custo com manuais do secundário possa atingir até 180 euros. Rui Nunes lembra que "o Governo propõe-se garantir a gratuitidade dos manuais para os alunos das famílias mais carenciadas a frequentar a escolaridade obrigatória" e o "12.º ano está já fora da escolaridade obrigatória".

No que diz respeito ao material escolar, os apoios do Estado (até 12,5 euros para as famílias mais pobres) são uma ajuda, mas ficam aquém do que a generalidade dos pais gastará. O PÚBLICO apresentou no Continente duas listas: uma com o material que uma escola pediu a um aluno do 1.º ano, do 1.º ciclo; outra com o que foi pedido a um aluno do 9.º ano.

Pediu ajuda a um funcionário da loja e escolheu os produtos mais baratos, o que significa em muitos casos marcas da casa.

Para lápis, canetas, cadernos, blocos, pastas e afins seriam necessários, no primeiro caso, cerca de 20 euros; e no segundo 21 euros. Este cabaz exclui os cobiçados cadernos "das marcas da moda" e na hora de escolher a máquina de calcular pedida ao estudante do 9.º ano, optou-se por uma de bolso, só com as funções básicas. Também faltam a mochila, o dicionário, o papel de lustro para os trabalhos manuais dos mais pequenos, as tintas e tudo o mais que, diz quem sabe, pode por vezes ser pedido pelos professores. "As escolas pedem tudo e mais alguma coisa", queixa-se Ana Dias. Facilmente as despesas disparam.

"Mania das grandezas"

"Algumas escolas são muito exigentes e têm a mania das grandezas", admite Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associação de Pais. "Por exemplo, nos materiais para Educação Visual: é o compasso que tem que ser da marca não sei quantos, a tinta da outra marca, quando por vezes há mais barato..."

Mas para além das exigências das escolas, há as das crianças. "Os cadernos com os bonecos são os mais caros", diz Isabel Ferreira, 39 anos, professora, duas filhas. "Mas elas preferem cadernos com bonecos e como é para o ano inteiro..." Concede.

Isabel Ferreira tem uma filha no 7.º ano e outra no 10.º. Só em manuais escolares diz já ter gasto cerca de 400 euros - já com o desconto de 15 por cento a que têm direito os professores. "Mais de metade foi com os livros do 10.º ano."

Pelas duas mochilas e restante material diz que não gastará menos de 150 euros. "Sei que podia poupar mais." Podia, por exemplo, pedir livros emprestados a colegas, explica. Mas falta-lhe a coragem. "Acho que elas merecem livros novos." A ideia é esta: com cadernos bonitos e livros a estrear, o ano só pode correr melhor.

Manuais com o maior aumento dos últimos anos

Público - 30 Ago 08

Manuais com o maior aumento dos últimos anos

Cada manual escolar do 1.º ciclo do ensino básico pode este ano custar até mais 5,5 por cento do que no ano lectivo passado. No 2.º e 3.º ciclos o agravamento pode atingir os 4,5 por cento. Significa isto, por exemplo, que um cabaz do 3.º ciclo que custava 131 euros, passa a custar cerca de 137 euros, sem contar com os manuais de Educação Física, Educação Visual e Tecnológica e Educação Musical que, segundo os editores, muitos não compram.

São valores acima da inflação, como há muito não se via. Resultam das duras negociações entre editores e livreiros há mais de um ano e então noticiadas. Mas só agora os seus efeitos se reflectem plenamente nos bolsos de muitas famílias. E muitos pais nem se apercebem.

"Não dei conta que subiu", afirmaram várias mães que o PÚBLICO encontrou esta semana a fazer compras para preparar o regresso às aulas dos filhos. Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), está consciente do agravamento, mas minimiza-o. Lembra que o Governo fez publicar este mês novas regras para a acção social escolar, que estabelecem um alargamento histórico dos apoios para livros e material escolar. "São 711 mil alunos do básico e secundário que ou não vão pagar os livros, ou vão ser apoiados em metade", diz.

Estes alunos apoiados estão em todos os níveis de ensino, do 1.º ciclo ao secundário, segundo o Ministério da Educação, através do seu assessor de imprensa, Rui Nunes. Metade dos 1,4 milhões dos alunos de escolas públicas e privadas, do 1.º ao 12.º ano, recebem assim algum apoio para livros e material escolar. A esmagadora maioria está, contudo, no ensino público.

Mesmo assim, a subida dos preços far-se-á sentir em muitos orçamentos familiares. A Confap defende que quem não é abrangido pelos apoios, "ou quem só é comparticipado em metade, devia poder deduzir no IRS a totalidade das despesas" com a educação.

Convenção em Março

O aumento do preço dos livros ficou definido numa convenção assinada entre o Governo e os editores em Março. Nela reconhece-se que o congelamento dos preços nos últimos anos - ou o "aumento inferior à inflação" noutros casos - provocou um "desfasamento do aumento dos custos de produção". E que havia "necessidade de estabelecer regras de flexibilização do preço" (ver entrevista na página a seguir).

No ano lectivo passado, os manuais básico já sofreram aumentos de, em média, 3,1 por cento, na sequência do acordo entre editores e Governo. Mas este ano é mais pesado. Os que foram reimpressos pelas editoras para o ano lectivo que está prestes a começar - de acordo com a nova lei, os manuais escolares têm, por regra, uma vigência de seis anos - vêem o seu preço aumentar até 5,5 por cento, no 1.º ciclo, 4,5 por cento, no 2.º ciclo, e 2,5 por cento no ensino secundário, sector onde o preços dos livros passou também a ser controlado pela convenção.

Já no caso dos que foram objecto de nova adopção (o que acontece este ano apenas em algumas disciplinas do 9.º ano e do 11.º) o agravamento vai de 2,5 a 4,5 por cento. Por exemplo: este ano, os novos livros de Físico-Química do 9.º ano não podem custar mais do que 16,19 euros; o de Literatura Portuguesa do 11.º ano pode chegar aos 30,64 euros.

Para o ano há mais aumentos, com valores idênticos. A.S.

Albino Almeida diz que a Confap se vai "continuar a bater" junto do Governo pela dedução total das despesas no IRS

Livros interactivos

Livros interactivos

Escolas aderem cada vez mais a aulas virtuais

Têm os velhos livros escolares de papel os dias contados? Ainda não. Mas já há "manuais virtuais" que alguns alunos usam para, por exemplo, ter acesso a exercícios interactivos no computador.

A "grande aposta estratégica" da Porto Editora chama-se "Escola Virtual". É uma "plataforma de e-learning" para os ensinos básico e secundário, com os conteúdos curriculares de todas as disciplinas nucleares do 1.º ao 12.º ano, exercícios multimédia, jogos, e todo um programa de aulas bem diferentes das tradicionais.

A Escola Virtual é actualmente usada em 300 escolas públicas e por duas dezenas de colégios, segundo a Porto Editora. Isto significa que em muitas destas escolas pelo menos alguns professores ligam-se à plataforma e utilizam nas suas aulas reais as aulas virtuais.

O serviço é pago e implica que haja, pelo menos, um computador e um projector, ou um quadro interactivo. Mas ainda assim, "o número de estabelecimento de ensino a aderir tem vindo a aumentar gradualmente", diz Paulo Gonçalves, do gabinete de comunicação da Porto Editora, que fornece formação a docentes e a pais sempre que uma escola adere ao produto.

Quanto a utilizadores individuais, nomeadamente alunos que usam a Escola Virtual em casa como complemento às aulas, há 55 mil subscritores do serviço. Um aluno do 3.º ciclo, por exemplo, tem que pagar 69,99 euros por um ano de acesso aos conteúdos de todas as disciplinas do nível de escolaridade que frequenta.

Mais recentemente a Porto Editora começou a fazer a "convergência" dos manuais que edita com a Escola Virtual. Significa isso que já começa a disponibilizá-los na plataforma de e-learning e que estes aparecem com vários links que dão acesso a exercícios multimédia.

Não há manuais certificados mas editores garantem qualidade

Público - 30 Ago 08

Não há manuais certificados mas editores garantem qualidade

Andreia Sanches

Aumento dos preços dos combustíveis também se reflectiu nos custos de produção dos manuais, diz Vasco Teixeira da comissão do livro escolar da APEL

A Haverá manuais a tempo e horas nas livrarias. São mais caros. Mas os aumentos "não são exagerados", defende Vasco Teixeira, coordenador da comissão do livro escolar da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).

Este ano as famílias estão a sentir aumentos nos manuais escolares como não se viam há muito. Era mesmo preciso?

Tivemos vários anos de congelamento de preços. Depois, os aumentos - que no máximo andam próximos dos cinco por cento, no 1.º ciclo - têm em conta a inflação de há um ano atrás, ou seja, são pouco mais do que a inflação actual. Não são aumentos exagerados.

Temos ainda que ter noção de que as famílias mais carenciadas são apoiadas pela acção social escolar e têm livros gratuitos.

Mas não são só os manuais do 1.º ciclo que sobem mais do que a inflação. No 2.º ciclo também é assim...

No 1.º ciclo, estamos a falar de um valor 20 e poucos euros [o custo total do cabaz de manuais obrigatórios], o que, dividido por 12 meses, dá cerca de dois euros por mês; no 2.º ciclo, dá sete ou oito euros por mês; no 3.º ciclo, dá para aí 12 euros; no secundário serão 14, 15 euros no máximo... Qualquer pai, a não ser quem vive com os níveis mais baixos de rendimentos, poderá pagar. E os manuais em Portugal continuam a ser claramente mais baratos do que noutros países da Europa. nomeadamente do que na Espanha.

Que impacto teve o aumento dos preços dos combustíveis e da energia nas editoras? Vão pedir para aumentar ainda mais os preços numa próxima convenção que venha a ser assinada com o Governo?

Os combustíveis aumentaram, a energia também, o papel... Este ano, produzir um livro custa cerca de quatro por cento mais do que no ano passado. Mas é cedo para antecipar o futuro. O que desejo é que não fiquem acima da inflação, será bom sinal.

Vamos ter manuais a tempos e horas?

Os editores da APEL têm o abastecimento garantido; 96 por cento dos livros estão nas livrarias e alguns nas mãos dos pais.

Contestou as novas regras de avaliação e certificação de manuais aprovados pelo Governo. Já há manuais certificados?

Foi um tema polémico e não deixou de ser. Os editores cumpriram a sua missão, auto-regulando-se. Desde 2005, praticamente não há nenhum livro que seja publicado sem que haja uma revisão científica e pedagógica, de entidades muito credíveis e independentes, a pedido das editoras.

Neste momento, estão nas comissões de certificação nomeadas pelo Ministério da Educação (ME) umas dezenas de livros. E esses livros serão certificados no próximo ano. Em Fevereiro de 2010 teremos mais umas dezenas de livros certificados.

Entretanto, o ME irá criar o processo de certificação prévia [pretende-se que os livros sejam certificados antes mesmo de irem para as bancas pela primeira vez] a introduzir a partir de 2010.

Mas ainda não há nenhum livro à venda certificado?

Não. Não houve tempo. O processo de certificação prévia é demasiado alongado, complexo, caro, sempre o criticámos e continuamos a criticar. E o ME acabou por reconhecer que o processo não era tão simples porque a própria regulamentação e concretização não foi fácil, tem-se arrastado no tempo...

Acredita que muitos manuais não vão ser certificados?

Se houver será sinal de que a certificação está desregulada do mercado.

Mas confia nos especialistas que estão a fazer a certificação?

São especialistas que o ME nomeou, não os conheço. Mas confio nas equipas que consulto e que no processo de certificação não podem ser encontrados problemas de maior nos manuais que produzo. E creio que o mesmo se passa com a generalidade das editoras.

Mas ainda recentemente o ME divulgou um estudo que apontava erros nos manuais de Matemática do 9.º ano. Outro referia que os manuais tinham publicidade encapotada...

O estudo do Ministério da Educação era sobre manuais que já tinham sido revistos quando foi divulgado.

Quanto ao estudo que dizia que havia publicidade nos manuais, é ridículo. Quando se fala em publicidade, fala-se em promover qualquer coisa a troco de um benefício - ora que eu saiba isso não existe nos manuais.

O que existe é que os próprios programas das disciplinas, como a Matemática, dizem que devem ser usados exemplos da vida real, o que significa que se pode falar de cilindros, por exemplo, mostrando uma lata de Coca-Cola ou Seven-Up. É muito mais interessante do que limitarmo-nos a mostrar um sólido que o aluno não associa a nada.

Fenprof estima que mais de 35 mil professores vão ficar sem colocação

Público última hora - 29 Ago 08

Federação tem protestos agendados para segunda-feira

Fenprof estima que mais de 35 mil professores vão ficar sem colocação

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) estima que possam ser entre 35 mil e 40 mil os docentes sem colocação este ano, tendo agendado acções de protesto para segunda-feira, dia em que mais professores "entram para o desemprego".

A Fenprof lançou hoje - quando está prevista a divulgação das listas de colocação de professores contratados - um comunicado a alertar para a "inaceitável dimensão do desemprego docente" e "crescente precariedade" no sector.

João Louceiro, coordenador nacional da Fenprof, sublinhou que "1 de Setembro é a data em que um maior número de professores entra, em simultâneo, na situação de desemprego", garantindo que a maioria dos docentes sem colocação este ano já exercia funções no ano passado.

Além dos desempregados, João Louceiro denunciou ainda a situação dos "milhares de colegas a trabalhar em precariedade absoluta". "Existem cerca de 15 mil professores que foram chamados para desenvolver o projecto de actividades de enriquecimento curricular do primeiro ciclo. A grande maioria dos professores destacados para este programa, que era uma bandeira política do Governo, está a exercer essas funções a recibos verdes, como sendo prestadores de serviços", criticou.

Segunda-feira a Fenprof vai denunciar a situação "em todo o país" através de acções à porta dos centros de emprego, onde serão distribuídos comunicados à população. Em Lisboa, a acção decorrerá em frente à Loja do Cidadão das Laranjeiras.

A Lusa contactou o Ministério da Educação, mas não obteve qualquer resposta até ao momento sobre as críticas da Fenprof.
Lusa

57 queixas de violência nas escolas no primeiro semestre

Público última hora - 06 Ago 08

Dados da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa

Zona de Lisboa: 57 queixas de violência nas escolas no primeiro semestre

Nos primeiros seis meses deste ano foram apresentadas 57 queixas por violência nas escolas no distrito judicial de Lisboa, das quais 21 ocorreram no círculo de Almada.

Segundo dados da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), a violência registada na comunidade escolar, um dos crimes de investigação prioritária na Lei de Política Criminal, registou 34 casos no primeiro trimestre e 23 no segundo.

Do total de 57 casos, a maior incidência foi registada no Círculo de Almada, com 21 casos, logo seguido de Lisboa com nove casos e Barreiro com sete.

Em relação à violência contra idosos, cujo combate foi definido como uma prioridade pelo Procurador-geral da República, foram abertos 51 inquéritos, dos quais 22 nos primeiros três meses do ano e 29 em Abril, Maio e Junho.

Foram igualmente registados alguns casos de violência contra profissionais de saúde, tendo sido abertos seis inquéritos, dos quais quatro em Almada e dois em Lisboa.

O distrito judicial de Lisboa tem 42 comarcas, agrupadas em 14 círculos judiciais: Almada, Amadora, Angra do Heroísmo, Barreiro, Caldas da Rainha, Cascais, Funchal, Lisboa, Loures, Oeiras, Ponta Delgada, Sintra, Torres Vedras, Vila Franca de Xira.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ministério atribui prémio de 500 euros aos melhores alunos do ensino secundário

Público última hora - 06 Ago 08

Cerimónia decorre em Setembro

Ministério atribui prémio de 500 euros aos melhores alunos do ensino secundário

Ser bom aluno vai passar a dar dinheiro. O Ministério da Educação decidiu distinguir em cada escola o melhor estudante do ensino secundário, tanto nos cursos científico-humanísticos como nos cursos profissionais ou tecnológicos. Os 500 euros serão atribuídos aos alunos que tenham concluído o ensino secundário no ano lectivo 2007/2008 ou que venham a concluir nos próximos anos.

De acordo com o comunicado publicado no site da tutela o objectivo deste prémio é "reconhecer e valorizar o mérito, a dedicação e o esforço no trabalho e desempenho escolares. O ministério explica ainda que os 500 euros serão atribuídos "em cada escola do ensino público ou privado, bem como em escolas profissionais, ao melhor aluno dos cursos científico-humanísticos e ao melhor aluno dos cursos profissionais ou tecnológicos".

Na cerimónia de entrega do prémio - que deverá ocorrer a 12 de Setembro, dia em que será assinalado pela primeira vez o Dia do Diploma - os alunos receberão também um diploma assinado pelo respectivo presidente do conselho executivo ou director e, nos casos do ensino particular e cooperativo, pelo director pedagógico.

O nome dos vencedores será divulgado nas escolas, no site da direcção regional de educação respectiva e no Portal da Educação. "O apoio financeiro para a atribuição dos prémios e para a organização da cerimónia pública de entrega dos diplomas deve ser proporcionado às escolas pelas direcções regionais de educação e pelo Gabinete de Gestão Financeira", lê-se também no comunicado do ministério.

Nos cursos científico-humanísticos, o prémio será entregue ao aluno que tenha obtido, relativamente a cada um dos cursos, a melhor classificação, arredondada às décimas. Em caso de empate, é distinguido o aluno que tenha obtido melhor classificação na disciplina trienal da formação específica, funcionando como segundo critério de desempate a classificação na disciplina de Português.

Nos cursos profissionais e tecnológicos, o prémio será atribuído ao aluno que tenha obtido a melhor classificação final. Para estes alunos, o primeiro critério de desempate é a classificação obtida na prova de aptidão profissional ou tecnológica, funcionando como segundo critério de desempate a classificação na disciplina de Português.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Inovadora campanha de recuperação de livros escolares usados




Inovadora campanha de recuperação de livros escolares usados, lançada no mês passado.

Numa iniciativa conjunta da ENTRAJUDA, Clube dos Livros e Livrarias Bertrand, iniciou-se no dia 20 de Junho uma campanha de recuperação de livros escolares usados que tem como objectivo a sua reutilização ou correcta destruição, numa perspectiva de boas práticas de responsabilidade social e ambiental. ‘Dê uma nova vida aos seus livros escolares usados, entregue-os no Livrão’ é o nome desta campanha totalmente inovadora em Portugal.


A partir dessa data, é possível depositar os livros escolares usados nos ‘Livrões’ (pontos de recolha) colocados na rede de Livrarias Bertrand, nas agências da Caixa Geral de Depósitos, nas lojas Pingo Doce e Feira Nova aderentes, nas lojas do Instituto Português da Juventude, para além de muitas escolas aderentes a este projecto. Ao todo estão previstos mais de 970 pontos de recolha em todo o país, onde poderão ser entregues os livros escolares usados.


Esta campanha prevê ainda que os livros escolares reutilizáveis, ou seja, ainda em vigor e em bom estado, possam ter um valor equivalente a 20% do preço do livro. Este será pago ao dador do livro por transferência bancária, desde que verificados os requisitos inscritos no folheto que se encontra aposto no ‘Livrão’.


Por cada livro entregue, o proprietário dos livros, estará a apoiar a ENTRAJUDA na sua missão de solidariedade social e a contribuir para a protecção do meio ambiente ao promover a sua reutilização.


Todos os livros que se enquadrem nos requisitos de qualidade e validade e que possam ser reutilizados serão disponibilizados para venda on-line no site www.clubedoslivros.com ou através da Linha de Apoio 214 691 892, com 50% de desconto sobre o preço de venda.
Esta campanha conta ainda com o apoio dos seguintes parceiros: SIC, Expresso, Visão, Caras, Activa, Rádio Renascença, Pingo Doce, Feira Nova, Instituto Português da Juventude, Caixa Geral de Depósitos e Fundação Portugal Telecom.


Para mais informações contactar:
Luís Miguel Gonçalves (919 784 167), Mariana Saraiva (917 471 133) ou ENTRAJUDA – (919000263 / 917471133) http://www.entrajuda.pt/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mobilidade no trabalho. Doutores no desemprego viram-se para a Europa

Jornal de Negócios - 25 Jul 08

Mobilidade no trabalho. Doutores no desemprego viram-se para a Europa

António Larguesa

São jovens, têm qualificação superior, disponibilidade familiar, sabem falar várias línguas e estão no desemprego ou têm um vínculo precário. Este é o retrato de milhares de trabalhadores portugueses que todos os anos saem de Portugal rumo ao estrangeiro ao abrigo do programa europeu de mobilidade "Eures".

No último ano, 42% dos 8.512 candidatos que se inscreveram para colocação na Europa possuíam, pelo menos, o bacharelato e 64% tinham no passaporte uma idade igual ou inferior a 35 anos. "Gostaríamos que a rede Eures fosse vista pelos nossos candidatos como uma opção para o seu problema de desemprego e que aqueles que se sintam com condições, motivados para um projecto de mobilidade, tenham boa formação académica, conhecimentos de línguas e relativa independência contem com esta oportunidade", elucida António Charana, gestor nacional do programa.

Quinze anos após ter sido criada, a rede "Eures" conta diariamente 1,5 milhões de ofertas de emprego em 31 países do "Velho Continente" e garante uma maior segurança aos 37% de cidadãos comunitários que no Eurobarómetro de 2006 sobre mobilidade se mostraram dispostos a mudar de país para arranjar emprego, caso estivessem desempregados.

Actualmente, cerca de 1,5% da população activa da União Europeia a 25 países já reside e trabalha num Estado membro estrangeiro, segundo o Eurostat, o gabinete estatístico da UE. Esta é uma tendência que o gestor do programa em Portugal encara com naturalidade "à medida que estamos mais integrados na Europa, ela é um espaço de livre circulação" e cada vez mais portugueses se mostram motivados para conhecer outro país e outra cultura, onde "a remuneração oferecida para as mesmas qualificações é muito mais vantajosa".

Já no próximo ano lectivo

Público última hora - 24 Jul 08

Já no próximo ano lectivo

Perto de 400 mil alunos carenciados vão ter refeições e manuais escolares gratuitos

Perto de 400 mil alunos carenciados do ensino básico e secundário vão ter direito a refeições e manuais escolares gratuitos já a partir de Setembro, segundo as novas regras da Acção Social Escolar, que permitem triplicar o número de beneficiários.

De acordo com um despacho hoje divulgado pelo Ministério da Educação, a atribuição dos apoios vai assentar em novos critérios, passando o rendimento das famílias a ser determinado em função do escalão em que se encontram para efeitos de abono de família.

Com a alteração, passam de 185 mil para mais de 399 mil os alunos que vão beneficiar do apoio máximo da Acção Social Escolar (ASE), que prevê refeições gratuitas e o pagamento integral, por parte do Estado, dos manuais escolares obrigatórios.

Da mesma forma, o número de alunos com direito ao escalão B da ASE, cujos apoios equivalem a metade dos atribuídos no escalão A, cresce de 44.468 para cerca de 311.500. No total, vão usufruir de apoio mais de 711 mil estudantes do ensino básico e secundário, quase três vezes mais do que os que beneficiavam até agora.

"É o maior alargamento da Acção Social Escolar desde que existe Acção Social Escolar no país", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em declarações à Lusa.

De acordo com o responsável, a medida representa um investimento de 73 milhões de euros, dos quais 30 milhões destinados ao pagamento dos livros escolares e 43 milhões no caso das refeições.

Até agora, a atribuição destes apoios à Educação não estava anexada aos escalões de abono de família, uma vez que as escolas e a Segurança Social tinham formas diferentes de determinar os rendimentos das famílias.

Os dois métodos de cálculo utilizados explicavam a diferença no número de beneficiários entre os dois tipos de subsídio: 400 mil crianças e jovens usufruíam dos apoios máximos ao nível do abono de família, mas só 185 mil beneficiavam do escalão mais elevado da Acção Social Escolar.

"O regime da ASE tinha um sistema muito complicado. O cálculo baseava-se no rendimento das famílias abatido de uma série de encargos fiscais com a Segurança Social, a Habitação e a Saúde, o que obrigava as famílias a entregar uma série de papéis e as escolas a fazer a confirmação. Assim, bastará entregar o papel que identifica o escalão do abono de família", explicou Jorge Pedreira.

O despacho do ministério, que aguarda publicação em Diário da República, estipula ainda novas regras para a atribuição de bolsas de mérito aos alunos carenciados do ensino secundário que alcancem médias iguais ou superiores a 14 valores. Estas bolsas, que rondam os mil euros anuais, não podiam, até agora, ser acumuladas com os apoios da ASE, levando os estudantes a ter de optar entre uma e outra, o que deixará de acontecer.

Por outro lado, com o aumento do número de beneficiários da Acção Social Escolar, quase triplica também o universo dos estudantes que vão poder candidatar-se às bolsas de mérito.

Lusa

Bullying

Público - 13 Jul 08

Bullying

Faranaz Keshavjee

Estes hoje são os nossos filhos e dependem de nós. Amanhã vão ser os nossos guardiões e dependeremos delesConheço este fenómeno de violência física e sociológica, que tende a ser repetitivo e intencional sobre indivíduos incapazes de se defender. Fala-se deste tipo de comportamentos e das suas vítimas, sobretudo na adolescência. Contudo, a novidade para mim foi encontrar o bullying em crianças de 4 e 5 anos! Mas pode acontecer, como pude constatar com o meu filho. E por isso pensei equacionar algumas variáveis que podem ser importantes na educação e desenvolvimento da primeira infância.

São vários os estudos realizados sobre a influência da sociedade e da cultura familiar na vida de uma criança e no seu desenvolvimento desde os primeiros dias de vida, ou desde o momento em que os pais começam a exprimir os seus anseios e expectativas sobre o feto na mulher grávida.

Piaget e Vygotsky, entre outros psicólogos, desenvolveram teses sobre o desenvolvimento da mente humana e do raciocínio lógico a partir da observação de crianças e reconheceram a importância do contexto social e familiar ou da cultura dominante no processo de aprendizagem. De resto, é comum ouvimos educadoras dizerem que ficam a saber muito do que se passa em casa destas crianças apenas observando os seus comportamentos na escola, porque eles espelham, sem escamotear, uma aprendizagem que precedeu a da escola.

A família, e depois a escola, são cruciais na consideração do desenvolvimento educacional primário. Custa ouvir que o tempo é curto para lhes dedicar atenção, afecto e ensinamento. Bem sei que vivemos numa sociedade de consumo a que resistimos sem sucesso. Trabalhamos muito para dar o melhor aos nossos filhos, mas é preciso ir questionando o que é "melhor". O que é efectivamente preciso para sermos felizes? Quanto é que (e o que é que) precisamos de dar aos nossos educandos para que se desenvolvam da melhor forma possível, intelectual e socialmente?

Estudos sobre a educação primária em países em desenvolvimento mostram que o sucesso educacional das crianças está intimamente associado a dois factores cruciais: uma nutrição adequada e rica em vitaminas e minerais e o ambiente familiar em que a criança recebe os afectos e ensinamentos. Muitas vezes, é muito mais importante o que os pais fazem com as crianças do que aquilo que eles são. Num estudo das Fundações Aga Khan e Bernard van Leer, conta-se o sucesso do desenvolvimento de quatro crianças filhas de uma mãe pescadora, que, depois de muitas e longas horas de trabalho, regressa a casa e convida os quatro filhos para a acompanharem na preparação do jantar. Enquanto mexem nos peixes, falando sobre as suas cores, qualidades, gostos, ela passa-lhes ensinamentos importantes.

Mas é preciso ter atenção às coisas que ensinamos. Há dias ouvi um pai ensinar o seu filho a nadar. O pai dizia que nadar é ir mexendo os braços como se se estivesse a afastar os outros meninos quando se quer passar para a frente da fila! Se calhar o miúdo aprendeu a nadar muito depressa, mas tenho dúvidas quanto ao desenvolvimento das suas aptidões sociais e intelectuais.

Por outro lado, não vale de nada dizer que é feio bater nos outros meninos, se, à primeira incapacidade nossa de resolver os problemas, levantamos a mão e eliminamos a "malcriadice" com a bendita palmada. A educação não se faz usando a violência, mas dando bons exemplos e adoptando atitudes coerentes e consistentes. A palmada resume a frustração daquele que não sabe verbalizar o seu desagrado e usa a violência para marcar um ponto. Tudo o que ensinou ao filho foi que sempre que ele quiser vincar o seu ponto de vista é legítimo que use a violência.

O episódio felizmente resolvido do meu filho ensinou-me que os pais devem estar atentos e conversar muito com os seus filhos; devem, sobretudo, assumir uma estreita relação de cumplicidade na sua função educativa a par da escola. Aos professores recomenda-se que revejam os comportamentos "típicos" das crianças destas idades; os manuais da psicologia infantil podem estar já desactualizados.

O mundo de desafios de imagens, de violência, seja ela sofisticada nos países mais ricos, seja primária nos países mais pobres, a relação de afecto e de carinho entre pais e filhos traz profundas consequências na formação do ser humano. Estes hoje são os nossos filhos, que ainda dependem de nós; amanhã vão ser eles os nossos guardiões, e dependeremos do produto que soubermos criar.

Um ano lectivo perdido

Público - 10 Jul 08

Um ano lectivo perdido
Paulo Guinote

Há um ponto positivo na actual política educativa: a obediência às conveniências do ciclo eleitoral

O ano lectivo de 2007/08 foi um ano perdido para o nosso sistema educativo, em especial para aqueles que pretendiam a sua real melhoria.

Nas últimas semanas, tudo culminou com o descrédito dos instrumentos que mais deveriam contribuir para o controlo da sua qualidade e para a aferição do desempenho dos seus principais agentes. Refiro-me à fábrica de sucesso massificado em que se transformaram, de um ano para o outro, as provas de aferição e os exames. Mas este foi apenas o último episódio de uma longa cadeia de ocorrências que ajudaram a desacreditar a actual política educativa e a demonstrar como o fervor reformista da equipa do Ministério da Educação não passa(va) de um aparato retórico e legislativo para reduzir custos e "construir sucesso" por todos os meios.

Analisemos como decorreu o início do ano com base nos sucessivos diplomas que foram lançados sobre as escolas em pleno segundo período:

- A 7 de Janeiro, foi publicado o DL 3/2008, que reviu os procedimentos a adoptar em relação aos alunos com Necessidades Educativas Especiais [NEE]. Definiu-se que só os alunos com NEE "de carácter permanente" deveriam receber um apoio de tipo especial, enquanto se decretava a incorporação em turmas regulares, em nome da "inclusão", de quase todos os antes referenciados. Na prática, o efeito imediato foi a redução dos alunos sinalizados e, por consequência lógica, dos meios técnicos, humanos e financeiros necessários para os apoiar. Mais grave, decidiu-se usar uma classificação internacional destinada a classificar problemas de saúde para resolver problemas de aprendizagem dos alunos, reduzindo-os apenas aos "permanentes".

- A 10 de Janeiro, foi publicado o DR 2/2008 sobre a avaliação do desempenho docente. Visto numa perspectiva de curto prazo, este foi o diploma que fez disparar a contestação mais intensa dos docentes. Não porque a necessidade de avaliação seja contestada, mas porque há modelos melhores e piores de avaliação. E este é um mau modelo porque é um modelo burocrático, formalista, pretensamente objectivo, moroso, complicado e pouco transparente. É pouco eficiente, pois implica um enorme dispêndio de tempo e esforço que não são compensados pelas suas vantagens. Não é equitativo porque impõe barreiras artificiais à progressão; não é coerente porque coloca como avaliadores aqueles que o próprio ME criticava por terem progredido sem verdadeiro mérito; não é transparente porque prevê mecanismos não públicos de definição dos objectivos individuais; não é exequível porque implica um aparato burocrático que, a ser levado a sério, emperrará o normal funcionamento das escolas.

- A 18 de Janeiro, foi publicado o Estatuto do Aluno (Lei 3/2008), mais uma peça essencial de um processo legislativo que deu o sinal para uma cultura de completa desresponsabilização dos alunos pelo cumprimento dos seus deveres, neste caso da assiduidade. Foi então que muitos perceberam que em nenhum momento ou acto o ME estava preocupado em aumentar os níveis de exigência do desempenho dos alunos, mas apenas em criar mecanismos que embelezassem a representação estatística desse desempenho.

- Em Abril, foi a vez da publicação do DL 75/2008 de 22 de Abril com o novo regime de gestão escolar, erradamente baptizado de "autonomia". Apresentado como a peça salvadora de um sistema educativo tido como ineficiente e anquilosado por trinta anos de gestão democrática, o diploma não encontra ancoragem nos dados oficiais sobre o desempenho do dito sistema educativo. Os sucessivos relatórios da IGE apontam no sentido contrário, pois a larga maioria dos estabelecimentos de ensino inspeccionados foi avaliada como Muito Boa ou Excelente na área da gestão escolar. Mais importante: com o novo modelo, reforçaram-se os poderes e a presença de alguns actores das comunidades que, até ao momento, primaram pelo incumprimento das obrigações decorrentes do anterior DL 115/98. Para além de conter no processo de escolha do novo director executivo uma pseudo-eleição na qual são intervenientes elementos, no âmbito do Conselho Geral, que não poderiam participar de acordo com a LBSE.

Os apoios a esta política foram-se reduzindo cada vez mais ao longo do ano, ao ponto de muitos dos que durante quase três anos apoiaram ou deram o benefício da dúvida à tríade ministerial terem passado para as fileiras dos cépticos. O ano lectivo termina com a constatação do que era evidente para quem sabia o rumo desta governação e percebia as consequências da sua acção tida como "reformista" e "corajosa". Da autonomia resta a palavra, bastando para isso reparar como os documentos acerca da organização e calendário do novo ano lectivo determinam ao milímetro o que os órgãos de gestão podem ou não fazer.

O balanço, após três anos de mandato desta equipa ministerial, é a ausência de ganhos efectivos de eficiência e o descrédito generalizado sobre a forma como se estão a tentar fabricar resultados. Como maior ponto positivo, podemos apenas apontar a obediência às conveniências do ciclo eleitoral. Professor do 2.º CEB.
Doutorado em História da Educação