terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Na escola queremos, não queremos, queremos, não queremos… Pais!

José Rafael Marques da silva
Pai de três filhos

Na escola queremos, não queremos, queremos, não queremos… Pais!

Sou pai de três filhos e fui aluno da escola Poeta António Aleixo de Portimão. Saudosos tempos em que iniciava a minha descoberta do mundo, descobrindo a pouco e pouco com os meus professores e colegas, que valia a pena participar activamente na sociedade. Foram muitos os professores que me marcaram positivamente na vida, Prof. Rui de Matemática, Prof. Rosa de Biologia, a eles devo muitas das minhas actuais competências.

Desde muito novo percebi que a participação activa na sociedade me traria benefícios pessoais, como pessoa e como homem. Não houve nenhuma actividade onde estivesse envolvido, que não me tivesse ensinado algo, ajudando-me por isso a enfrentar as dificuldades que me foram surgindo ao longo da vida.

Como pai, educador e professor, sinto que a escola tem um papel importantíssimo na formação pessoal e académica dos seus alunos, é na escola que desenvolverão as competências mais importantes para a sua vida pessoal e para a vida da nação.

O motivo desta minha reflexão, no papel de pai, prende-se com a experiência, por mim adquirida, nas diversas associações de pais, das escolas onde os meus filhos têm passado.

A minha primeira lição nestas andanças, estava à vista, a participação activa dos pais na escola era ridícula.

Depois de reflectir um pouco sobre esta baixa participação, chego realmente à conclusão que esta sociedade actual é muito complexa, como tal, os pais têm muita dificuldade em participar activamente na escola. A gestão da casa, dos filhos e das suas múltiplas actividades é um trabalho diário hercúleo. A acrescentar a esta questão, ambos os pais têm a sua profissão, muitas das vezes exigente, o que torna na maioria das vezes as coisas ainda mais complicadas. Há por isso que encontrar novas formas de participação, nomeadamente a participação à distância utilizando para isso as novas tecnologias que hoje em dia nos facilitam muito a vida.

Por parte da escola verifiquei o seguinte, a escola está ávida da participação dos pais… até certos limites… Existem muitas actividades desenvolvidas na escola que beneficiariam muito se os pais participassem nas mesmas. Por outro lado, quando os pais tentam participar mais activamente na escola, é a própria escola que se fecha e muitas das vezes não reconhece aos pais a capacidade dessa participação.

Utilizando um termo bem alentejano… é à vontade, mas não à vontadinha.

Sinto que as escolas têm sofrido nos últimos tempos uma pressão enorme, quer por parte da tutela, quer por parte da opinião pública, por isso, a escola tornou-se desconfiada e à beira do isolamento. O corpo escola tornou-se desconfiado desta sociedade que a maltrata, por isso isola-se cada vez mais. No limite queremos que os pais participem, mas verdadeiramente lá dentro não queremos que eles participem, especialmente quando começam a fazer perguntas sobre a escola e sobre o seu modo de funcionamento!

Pessoalmente acho que muitos mais pais participariam na escola se sentissem que a sua participação é consequente, de outra forma a sensação de tempo perdido é esmagadora e para a próxima será menos um participar.

O isolamento da escola em relação aos pais participativos e responsáveis é a meu ver um grande tiro nos pés. Tenha a escola capacidade de estimular e encorajar estes pais.